Sai festival e entra festival, os teatros ficam lotados, artistas e plateias fazem a festa, mas o centro do Recife não muda, apesar de tanto blábláblá da Prefeitura, quando o assunto é revitalização de bairros como Santo Antônio, São José e Boa Vista. Foi o que constatei, na última sexta-feira (9/01), quando estive no Teatro do Parque, para assistir o imperdível “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.
Não tenho o que falar do interior do teatro, que após passar uma década fechado e enfrentar rigoroso processo de restauração, encontra-se, felizmente, em bom estado, com seu maravilhoso jardim interno. Mas não posso dizer o mesmo do entorno. Cuidados mínimos com o centro do Recife não vêm sendo adotados. Realmente é muito desprezo. Não adianta anunciar grandes iniciativas – privatização de bairro, isenção de IPTU e outras medidas – se não se cuida do básico, no centro do Recife, onde a desorganização é grande, as calçadas deixam a desejar, é comum vermos esgotos estourados e parte da vegetação de áreas públicas está morrendo à míngua.

Um exemplo. Em novembro, estive no Parque, para assistir “Maria Stuart” (com Virgínia Cavendish), durante o 24º Festival Recife de Teatro Nacional. Registrei aqui no #OxeRecife, o terrível abandono do bairro da Boa Vista, no entorno do Teatro do Parque. Até mesmo na Rua do Hospício, onde fica a casa de espetáculos. As calçadas permanecem com pedras soltas, há buracos imensos que provocam acidentes, inclusive a menos de dois metros do teatro.
No final de 2025, enquanto aguardava a abertura dos portões, assisti vários acidentes nessa buraqueira na calçada do Hospício. Na sexta, não vi pois quando cheguei os portões já estavam abertos. Mas devem ter ocorrido, pois o perigo é iminente. Como se não bastassem as calçadas mal cuidadas, prédios sujos, no outro lado da rua vi montanhas de lixo nos canteiros das raízes centenárias que ajudam a quebrar a monotonia da paisagem tomada de asfalto e edifícios: metralhas, restos de comida, caixas, descartes de todo jeito. Uma imundície.

No interior do Parque, o ator Marcos Damigo encantado com o teatro, calor e a recepção da plateia. O cara deu show e merecia aplausos efusivos. Senti, então, um pouco de vergonha, ao saber que, ao sair dali, o artista e seu grupo encontrariam uma realidade bem diferente nas ruas do centro da cidade, sem glamour nenhum: o abandono e a decadência.
Na Rua do Hospício, como em quase todos os recantos do Centro, as calçadas revestidas com pedras portuguesas estão do jeito que vocês vêm nas fotos, com remendos feitos da pior forma: apenas com cimento. Idênticos aqueles que fizeram, também, nas calçadas da Ponte Duarte Coelho, antes de granito e com frisos de cobre. São coisas aparentemente pequenas, mas que mostram o grau de comprometimento das nossas autoridades com antes charmoso centro da cidade e como levá-lo à total decadência. E o Recentro, cadê?
Leitor do #OxeRecife, o aposentado Carlos Alberto Alves da Silva concorda com o que digo aqui. Ele também foi ao Janeiro de Grandes Espetáculos, no Teatro do Parque. Vejam o ele diz:
Faço minhas, as suas palavras. Também estava no Parque, na sexta-feira, e as observações são as mesmas. Abandono total do centro do Recife: faltam segurança, limpeza, manutenção, e conservação do bem público. Até quando?
O #OxeRecife está sempre dando conta da bagunça e do dramático retrato do abandono do centro da cidade. Não são poucas as postagens sobre a situação.
Veja os links abaixo:
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

É de fzar chorar a situação do centro do Recife. Nós, que conhecemos bastante essa área, porque caminhamos por ela e nos deparamos diariamente com o seu total abandono,negligência e desrespeito com a população, sabemos da inoperância absoluta da prefeitura para reverter o problema.
Coragem,firmeza,pulso forte ,ética e princípios rígidos são pilares essenciais
dos gestores que têm autoridade moral para tomar decisões que beneficiem a cidade e os seus moradores.
Isso falta hoje,sempre faltou( com raríssimas exceções, como Pelópidas Silveira,por exemplo) e faltará ,considerando o modelo político implantado no país onde só existe projeto de poder.
Acho importante a classe artística se manifestar sobre temas que têm dado tanta visibilidade ao país,como a ditadura,uma tragédia que tem que ser lembrada sempre para não esquecermos dos tempos sombrios.
Mas a classe artística tem sido omissa em assuntos que dizem respeito também à cultura. Verbas desviadas da educação, escândalos de corrupção,prefeito burlando lei de concurso…
A educação deveria ser prioridade absoluta no país, no estado,no município. Sem educação não há cultura,não há progresso ,não há caminho para uma nação.
A classe artística tem que botar a boca no trombone. Não pode criticar ou é critica seletiva?
Faço minhas suas palavras, também estive no Teatro do Parque sexta-feira, as observações são a mesmas. Abandono total do centro do Recife. Segurança, limpeza, manutenção e conservação do bem público. Até quando?