A polêmica atual sobre a alta nos preços das hospedagens em Belém, no Pará, é um bom exemplo de como a ausência da aplicação correta da bastante conhecida “Lei da oferta e da demanda” pode resultar em problemas como a ausência completa de, pasmem: demanda. Caso alguém esteja muito por fora, a capital paraense recebe, em novembro, a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, chamada de COP 30, um dos eventos mais relevantes no calendário da ONU.
Não é de agora que a escolha pela cidade sede da COP30 apresenta controvérsia relacionada à incapacidade do setor de hotelaria local – e outras formas alternativas de hospedagem – de receber participantes de todos os cantos do mundo. Mas quem poderia imaginar que, faltando poucos meses para o início do evento, os valores das diárias para o período ultrapassariam a casa dos R$10 mil reais? E lembrando, não estamos falando de hotéis 6 estrelas. Longe disso. Há anúncios, inclusive, de pessoas alugando casas e quartos, somente para o evento. Esses preços, aliás, são difíceis de serem encontrados até mesmo em hotéis de luxo de São Paulo e, posso garantir, de Nova Iorque.
Não existem, de fato, leitos suficientes em Belém para atender as mais de 60 mil pessoas que são esperadas para a COP30. Portanto, se há muita procura e pouca oferta, as diárias aumentam de preço, seguindo a Lei da Oferta e da Demanda. O que pouca gente está falando é que, em casos como esse, as estratégias de preços deveriam ser feitas por profissionais do marketing, e não por economistas e especialistas em finanças. Eu explico o porquê.
Ainda na década de 60, Philip Kotler já destacava que, dentro da lógica dos “4 P’s do Marketing” – Preço, Praça, Produto e Promoção – o “Preço” não deve ser baixo a ponto de não produzir nenhum lucro, porém, jamais deve ser tão alto a ponto de não permitir qualquer demanda. E é isso que está acontecendo com o setor de hospedagens em Belém.
Voltando à economia tradicional, considerando a lei da oferta e da demanda, ao traçar a linha de tendência é possível observar que esse preço pode subir infinitamente. Porém, na vida real, isso não é aplicável! Chegamos ao ponto de demanda de 0, pois ninguém pode – ou não quer – pagar preços que extrapolam tanto o bom senso. Como consequência, muitos chefes e representantes de estado, especialmente de nações mais pobres (consequentemente, as mais interessadas) estão solicitando que a ONU mude a Convenção de lugar.
Cabe destacar aqui que a origem do problema não está nos donos de hotéis e outros tipos de hospedagens que colocaram os preços nas alturas. Os responsáveis, sem dúvidas, são aqueles que tiveram a brilhante ideia de definir uma sede para a COP30 sem a devida estrutura necessária para suprir a demanda. Mas afinal, o mercado não se autorregula? Se regula, inclusive pedindo para trocar um evento global de uma cidade para outra. Essa é uma consequência inevitável da falta de planejamento.
(*) Lilian Carvalho é PhD em Marketing, professora da FGV/EAESP e coordenadora do Centro de Estudos em Marketing Digital. Nos links abaixo, confira outros artigos enviados ao #OxeRecife para publicação
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Edição: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

Belém não tinha a mínima condição de um evento desse porte,a CPO30.
Uma cidade sem saneamento e de moradia para a população, está construindo uma super estrutura para receber os convidados de todo o planeta. A justificativa é que Belém está na Amazônia, cenário ideal para discutir a preservação do meio ambiente, da floresta e como reduzir os impactos causados emissão de poluentes etc.
E ,também, que a COP30 deixará um legado para a cidade.
O mesmo legado que a Copa de 2014 deixou para o Brasil?
Um desastre total em todos os níveis.