No centro das discussões globais sobre o futuro do planeta, o Brasil se prepara para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, abordando temas urgentes como a redução das emissões de gases de efeito estufa, a adaptação às mudanças climáticas, a preservação das florestas e, promoção de tecnologias sustentáveis. Diante deste cenário, torna-se importante que todos os setores produtivos do país se engajem de forma intencional nos compromissos ambientais, e a construção civil é um dos grandes componentes dessa equação.
Apontada como uma das atividades econômicas mais relevantes do Brasil, o setor construtivo também é percebido como uma das maiores fontes de impactos ambientais negativos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), a área é responsável por cerca de 48 milhões de toneladas de resíduos por ano, volume que exige atenção urgente quanto ao seu descarte e reaproveitamento.
Os desafios são conhecidos: elevadas emissões de CO₂ na produção de insumos como cimento e aço, baixo índice de reciclagem nos canteiros, desperdício de materiais e, o mais recente deles, resistência à modernização tecnológica. Ao mesmo tempo que esses fatores representam obstáculos, é hora de enxergá-los como uma oportunidade de transformação. Hoje, diversos são os caminhos para a busca por soluções a esse cenário. No entanto, poucos são tão promissores quanto a industrialização da construção civil. A possibilidade de unir tecnologia às obras surge como uma alternativa estratégica para conciliar empreendimentos com sustentabilidade, oferecendo soluções que reduzem impactos ambientais e elevam a eficiência produtiva.
Sistemas construtivos industrializados, como o Light Steel Frame, por exemplo, se destacam por sua capacidade de reduzir drasticamente o uso de água, o desperdício de materiais e as emissões de carbono nas obras. Além disso, os modelos industrializados proporcionam canteiros mais organizados, com menor geração de resíduos e mais agilidade e qualidade de vida para o trabalhador na ponta. A racionalização do processo construtivo favorece a economia de recursos, aumenta a produtividade do setor e tem muito potencial para mudar a posição do segmento no ranking de poluentes.
O uso da construção industrializada também se alinha às necessidades crescentes de adaptação urbana frente às mudanças climáticas. Com métodos construtivos mais ágeis, sustentáveis e tecnológicos, passa a ser possível erguer edificações com melhor desempenho térmico e energético, fatores que atuam como aspectos importantes no trato a extremos climáticos.
Outro aspecto fundamental é a possibilidade de aplicação da economia circular nas práticas construtivas. A reutilização e reciclagem de materiais, somado ao planejamento inteligente desde a fase de projeto, bem como a adoção de sistemas industrializados, resultam no prolongamento da vida útil das edificações, além da redução da demanda por matérias-primas e geração de resíduos. Trata-se, portanto, de uma estratégia que promove tantos ganhos ambientais a econômicos, além de estar alinhada aos princípios da justiça climática e do uso responsável dos recursos naturais.
Diante da responsabilidade ambiental que marca este mês de junho e da visibilidade internacional proporcionada pela COP30, é hora de colocar a sustentabilidade no centro da agenda da construção civil brasileira. A industrialização do setor é uma resposta concreta, eficiente e necessária para os atuais desafios climáticos que precisamos encarar. Que este momento inspiracional sirva de impulso para uma transformação definitiva rumo a um futuro urbano mais verde, justo e resiliente no Brasil.
*Fernando Scheffer é fundador da Espaço Smart, primeira loja de casas do Brasil
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Edição: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

“Empreendimento com sustentabilidade” não tem sido a dinâmica da COP30, considerando a grande devastação de áreas de floresta para implantação do projeto e sem qualquer reação do IBAMA e afins.