Cepe: Livro sobre Krzysztof Arciszewski, rival de Nassau, editado em polonês

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Pela primeira vez, uma publicação da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) será publicada na Polônia. E o que não sobra é motivo para isso. É que a obra traduzida para o idioma daquele país é o curioso livro “As memórias de Krzysztof Arciszewski (1630-1637): um polonês a serviço da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil”, que trata de um lado não muito conhecido da nossa história.  À venda no Brasil desde 2022, o título será lançado no dia 3 de setembro, em Posnânia, cidade natal do militar  Arciszewski.

Embora desconhecido pelo grande público, Arciszewski – assim como o conde Maurício de Nassau – foi um importante personagem do período da ocupação holandesa no Brasil, no século 17. A tradução para o polonês foi feita por Sylwia Mikołajczak, professora do Instituto de Línguas Românicas da Universidade Adam Mickiewicz. Para que os moradores conheçam o conterrâneo histórico, o livro (digital e impresso) será distribuído gratuitamente naquele país.

A publicação tem documentos inéditos e foi organizada por Bruno Miranda e Lúcia Xavier, especialistas em história do Brasil holandês. E resulta de pesquisa financiada pelo Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba e pelo Arquivo Nacional da Haia, nos Países Baixos. Por sua erudição e conhecimento, Krzysztof Arciszewski foi requisitado pela Companhia das Índias Ocidentais para ser o comandante das tropas que, em 1630, conquistaram a Vila de Olinda e o Recife.

Bruno Miranda, Marta Olkowska e Lúcia Xavier: trio comemora tradução de livro da Cepe para o polonês

Sua atuação foi fundamental para a consolidação da colônia neerlandesa no Brasil antes mesmo da chegada de Nassau – que chega a ser apontado por alguns historiadores como rival do nobre polonês. A obra é dividida em duas partes , trazendo a análise crítica dos autores, o processo de produção do livro, e a reprodução do memorial escrito por Krzysztof – material de grande valor histórico.

A edição polonesa do livro  era desejada desde que a edição brasileira foi lançada e contou com a participação direta da  então cônsul geral da República da Polônia em Curitiba, Marta Olkowska, hoje atuando no México (foto superior, entre Bruno Miranda e Lúcia).  E contou com apoio da Prefeitura da cidade de Poznań para ser viabilizada. A Ceé Editora autorizou o uso do projeto gráfico da edição nacional.

Os organizadores comemoram a nova edição. “Para mim é um passo importante na carreira, pois é meu primeiro livro publicado em língua estrangeira”, afirma Bruno Miranda.  Para Lúcia, uma oportunidade de destacar um personagem quase menosprezado. “A edição polonesa representa o reconhecimento de um trabalho de muitos anos feito a quatro mãos e, ao mesmo tempo, a oportunidade de devolver a Arciszewski sua voz – uma voz que permaneceu esquecida nas estantes de arquivos holandeses e que agora pode ser ouvida novamente em sua terra natal” , destaca.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cepe / Divulgação e Acervo #OxeRecife

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2 comentários

  1. Confesso que não conhecia a história do ” rival” de Nassau,mas fiquei curiosa e vou adquirir o livro editado pela Cepe.
    Aliás, achei muito interessante a decisão do governo polonês de distribuir gratuitamente o livro para todo o país ,permitindo que os cidadãos conheçam figura tão erudita e importante na Companhia das Índias Ocidentais.

  2. O Engenheiro Militar Krzystof Arciszewski foi Vice Governador de Pernambuco e o Construtor do Forte de Itamaracá, um profundo Estrategista Militar da Companhia das Índias Ocidentais. Parabenizo esses Pernambucanos Bruno Miranda e Lucia Xavier por tão brilhante trabalho de Pesquisa Histórica sobre o que representou a presença holandesa em Pernambuco, espero ler esse Livro e conhecer mais o que construíram os holandeses em Pernambuco e seu papel na formação de nosso povo. Existiam entre os Militares Holandeses uma preocupação com a união dos “verdadeiros povos originários do Brasil” , o Negro, o Branco e o Índio, que sempre se uniam pela Independência e Restauração Pernambucana, e, muitas vezes tratados como incapazes de enfrentar a Maior Armada do Mundo, a Holandesa, ou os vencerem numa Guerra aberta. A Restauração Pernambucana não foi somente um feito do Povo Pernambucano foi o Forjar da Nacionalidade Brasileira na união das Três Raças dominantes Brasileira, e, quando o Brasil teve sua Formação de Nação, Povo e Pátria, ou seja, o Brasil nasceu nas Colinas Sagradas dos Guararapes, e a preocupação do oficialato Holandês se confirmou inteiramente. Esses conflitos devido a generosidade de Nassau e o olhar Estratégico e Bélico de Krzystof se acentuaram pela crescente onda de rebeldia e coragem do povo pernambucano, e essa derrota Holandesa realmente abriu os olhos da Europa para o Brasil, principalmente em Pernambuco onde uma Economia nascia forte e gerou um Povo Irredento e Desejando Liberdade para seu Futuro como Povo, como Nação. Lembro que quando Frei Caneca foi Julgado pelas Cortes Portuguesas em sua apresentação de Defesa perante Autoridades Imperiais na Corte, com voz firme, corajosa e cheia de orgulho respondeu ao Conselho Julgador quem ele era..”Meu nome é Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca, nasci no Recife, sou de Pernambuco, sou descendente de Henrique Dias, Felipe Camarão, João Fernandes Vieira e Vidal de Negreiros que fizeram tremer toda Europa….” . A Corte Portuguesa ficou assustada com suas palavras e sabia o quanto Pernambuco e seu Povo lutavam pela Independência do Brasil. A Restauração Pernambucana que no ano passado completou 370 anos, chamada de Capitulação do Campo do Taborda marcando para a História Mundial a Rendição Holandesa, foi no Dia 26 de Janeiro de 1654 no Campo do Taborda nos arredores do Forte de Cinco Pontas no Bairro de São José bem na lateral que corre para a Avenida Sul, e foi assinada pelo Conselho Supremo do Recife representando a Companhia das Indias Ocidentais(WIC) pelo Marechal Sigismund van Schkopp. Infelizmente quando foram fazer o Viaduto de Cinco Pontas destruíram o Campo do Taborda onde tinha até uma fonte de água onde muitas vezes como criança ia abastecer nossas casas no Bairro de São José quando faltava água. Por dever de justiça e respeito pelo Grande Homem Público que Administrou a Fundação de Cultura do Recife o Poeta, Ator e Jornalista Enéas Alvarez ao Revitalizar e Criar o Museu da Cidade do Recife no Forte de Cinco Pontas, no Governo Gustavo Krause, e sendo os dois Homens Públicos profundos conhecedores da História do Brasil e de Pernambuco, tiveram a ideia de Homenagear os Heróis de Guararapes erguendo em uma das Pontas do Forte, bem em frente a entrada do Teatro do Museu um Mastro entronizado com a Bandeira do Recife e a Frase Lapidar na parte abaixo que marca nossa
    História e que dizia assim…”BANDEIRA DO RECIFE, SEMPRE PARA O ALTO” . No dia da Inauguração um Jornalista amigo chegou perto de mim e me perguntou qual o motivo daquela frase, simplesmente lhe disse ..”Amigo, o Recife é uma Cidade Invicta nem a maior Armada do Mundo venceu nossa gente do Recife e de Pernambuco, por isso, essa Bandeira estará altiva representando o Povo do Recife, o Povo de Pernambuco…” . Parabéns a CEPE e a todos os seus Grandes Profissionais com uma História na Vida Literária do Brasil que a faz ser reconhecida Internacionalmente, onde chego sempre ofereço como referência Editorial a CEPE, e aproveito para solicitar a Governadora Raquel Lyra que olhe para CEPE e todos os seus Profissionais não somente com atenção, mas, ajude aqueles dedicados Profissionais a elevar a História da Cultura de Pernambuco em todo Mundo e os reconheçam Profissional e Financeiramente para Dignidade as suas Famílias, eu sei e conheço a História da CEPE e dos Grandes Homens Públicos que fazem sua História.

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