A capital vai virar mar? Holanda de olho nos efeitos provocados pelas mudanças climáticas no Recife

 A capital vai virar mar? Holanda de olho nos efeitos provocados pelas mudanças climáticas no Recife

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Para as autoridades, ambientalistas e população em geral, não chega a ser uma novidade.Todos sabem que o Recife está entre as 20 cidades mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global no mundo. Está exatamente na décima sexta posição,  de acordo com o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas. O que deixa a capital pernambucana em situação muito delicada, quando o assunto é a elevação do nível do mar, que pode deixar a nossa cidade como na foto acima,  em um futuro não tão distante. Até porque a impressão que se tem é que o Recife já não possui a menor infraestrutura para os aguaceiros. É chover, e ruas e avenidas – até mesmo viadutos – ficam intransitáveis. É o asfalto virando um rio imenso.

E o que fazer, nessa situação tão difícil? A cidade corre o risco de submergir, como mostra a simulação acima, feita em computador? Como ficarão suas áreas mais baixas, diante das consequências das mudanças climáticas?  A foto  indica uma previsão de como será a nossa cidade, se nada for feito. O seu futuro já foi exaustivamente discutido entre  urbanistas, acadêmicos, historiadores e pesquisadores do Brasil e da Holanda, em projeto que terminou rendendo o livro “Recife Exchanges – Amsterdam / Holland / Netherlands”, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), em 2022, como resultado  de estudos que envolvem os desafios de cidades costeiras. A publicação resulta de dez anos de pesquisas e mostra, também, as semelhanças entre o Recife e Amsterdam, quanto à questão da água. Ela integra um dos quatro primeiros volumes da Coleção Recife 500 anos.

O Bairro do Recife, que é assim atualmente, poderá ficar quase submerso no futuro (foto superior) se nada for feito.

Ao contrário do Recife, Amsterdam não poluiu seus canais, como hoje chamamos no Recife os nossos ex rios e ex riachos, que vivem cada vez mais apertados no meio da selva de pedra. Como se isso não bastasse,  todos encontram-se a cada dia mais assoreados, seja com detritos jogados pela população ou pelo acúmulo do despejo de esgoto doméstico, já que a capital pernambucana só tem 30 por cento dos seus domicílios atendidos com saneamento básico. Isso, pasmem, em pleno século 21, quando a cidade se prepara para comemorar seus 500 anos como capital, em 2034.

No Recife, temos o Rio Capibaribe, como o maior corpo d´água, que “em um conjunto com as bacias hidrográficas do Beberibe e do Tejipió, compõe uma complexa rede de rios, canais, riachos, açudes”. Então, com essa água toda cercada e ocupada, imaginem só o que será de nós diante das mudanças climáticas. Para avaliar o presente e as medidas necessárias para enfrentar o futuro, a Prefeitura do Recife e a Holanda firmaram uma cooperação, que vai permitir a elaboração de estudos técnicos para mitigar os efeitos dos desastres naturais relacionados à água e ao aumento do nível do mar.

Exemplo de gestão das águas – seus canais são até navegáveis – a Holanda tem muito o que ensinar ao Recife

Os trabalhos tiveram início na segunda-feira, quando a capital pernambucana enfrentou um dilúvio que paralisou a cidade. E até a próxima sexta, consultores da DRR Team (Dutch Risk Reduciton Team) percorrerão o Recife, para visitar localidades e obras em execução ligadas ao assunto. Entre estas, os trabalhos de drenagem na Rua da Concórdia (Centro) e Avenida Dois Rios (Ibura). Nos dois casos, segundo a prefeitura, para “analisar os problemas e estruturar estratégias de intervenção de curto, médio e longo prazos, de modo a tornar o sistema de drenagem ainda mais eficiente, minimizando os impactos das precipitações na cidade”. Segundo o Prefeito João Campos (PSB), os especialistas estrangeiros, que “têm vasta experiência no assunto, para trazer essa expertise que a gente sabe que é muito grande, sobretudo na Holanda, sendo aplicada aqui no Recife”, explicou o socialista.

“Nosso foco inicial são projetos para contenção e preparação da cidade para o eventual aumento do nível do mar e como isso impacta na drenagem da cidade”, acrescentou.  “Como Países Baixos, estamos literalmente abaixo do nível do mar e temos vasta experiência em desenvolver técnicas e práticas de como gerenciar água e os efeitos das mudanças climáticas. Temos aqui um time de especialistas holandeses para ajudar a desenhar estratégias para o futuro e assegurar que a cidade e população estejam seguras e tenham um futuro sustentável”, arrenatou o embaixador dos Países Baixos no Brasil, André Driessen.  Segundo a  DRR Team, o trabalho conjunto entre os técnicos da Prefeitura do Recife e a consultoria holandesa pode render bons frutos.  Os especialistas da DRR Teame  vão estudar a situação com a equipe do Recife e ver quais são as medidas e os projetos já em preparação. Depois, poderão ser trazidas a experiência da Holanda para desenvolver estratégias para o médio e longo prazo e ver o que pode ser feito a curto prazo para enfrentar o futuro., “Vamos fazer o máximo para trazer a experiência da Holanda e ver que benefícios podemos trazer para o Recife”, concluiu  Ben Lamoree, um dos consultores holandeses.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife 
Fotos: Recife Excanges Amsterdam / Holland / Netherlands – Acervo #OxeRecife

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1 Comments

  • Muito impactante a matéria Letícia! Fico imaginando a quantidade de patrimônios que o Recife poderá perder caso esse desastre realmente aconteça. Serão perdas irreparáveis.
    Ainda bem que nesse caso as autoridades estão tentando se antecipar a tragédia, muito embora isso não seja o habitual. De qualquer forma é uma iniciativa bastante salutar.

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