Bora Preservar revisita história de templos seculares em Goiana, PE

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Há tempo não visitava a histórica Goiana. Mas no último sábado, junto com o Grupo Bora Preservar, passei todo o dia no município, que no início do século passado só perdia em importância para o Recife, nossa querida capital. Não me arrependi. O centro da cidade, que é Patrimônio Histórico Nacional, está limpo. As praças encontram-se bem cuidadas e o seu principal atrativo turístico cultural – a arquitetura religiosa – tem a restauração em dia, o que chega a surpreender em um estado onde o patrimônio de pedra e cal nem sempre é tão bem cuidado como deveria.

Não é de estranhar que a cidade não esteja “jogada” como o centro do Recife, ou como muitas que a gente vê pelo interior do Nordeste e na nossa Região Metropolitana. Afinal, ao contrário do que ocorria nos séculos passados, nem só da agroindústria canavieira vive hoje o município de Goiana, que, além desse setor, atualmente sedia três importantes polos industriais: o automotivo, o  vidreiro, e o de Hemoderivados e Biotecnologia, com a implantação da Hemobrás. Então, recursos não devem faltar para aplicar em obras, embora as demandas sociais sejam grandes, como ocorre em qualquer lugar do Brasil.

Mirante improvisado peca por lixo acumulado, vocês não imaginam a quantidade atrás de mim

Por que digo isso? Porque nem sempre a arrecadação de impostos se converte em boas ações para as cidades. No Rio Grande do Norte, já visitei municípios que nadavam no “mar” de royalties do petróleo. E, enquanto os esgotos corriam a céu  aberto nas ruas e as escolas públicas eram precárias, quadras de basquete luxuosas e enceradas eram construídas na área rural. E que só eram usadas por caprinos, em busca de sombra (em Alto dos Rodrigues). Em Guamaré, no mesmo Estado, o dinheiro dos royalties foi aplicado na construção de um muro de 1,5 quilômetros de extensão, chamado “muro de Berlim”, utilizado separar o município do vizinho Pedro Avelino (RN). Na entrada da cidade, havia sido erguida uma guarita para impedir a entrada de… jumentos vadios.   Os fatos que testemunhei por lá foram publicados no Jornal O Globo, quando eu trabalhava lá como correspondente regional no Nordeste, no início dos anos 2000.

Portanto, se Goiana não fez besteira com dinheiro generoso da coleta de impostos, como Guamaré e Alto dos Rodrigues fizeram com os royalties, já está valendo. O município possui nove igrejas tombadas, das quais oito ficam no centro. Visitamos: a Igreja de Santa Tereza de Ávila, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o Convento de Santo Alberto dos Carmelitas, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (no centro da cidade). E também fomos ao Distrito de São Lourenço, onde conhecemos o primeiro templo católico de Goiana, a singela Igreja de São Lourenço, situada em terras onde no passado funcionou o Quilombo do Catucá. Também ela está conservada, e ganhou recentemente uma pracinha no entorno do Cruzeiro que fica à sua frente. O local ficou uma graça.

Grupo Bora Preservar fez incursão ao município de Goiana: igrejas históricas preservadas

Em termos de limpeza, a Prefeitura tem uma dívida com o que pode ser observado a poucos metros da igrejinha de São Lourenço, de onde se descortina uma bela paisagem: o Rio Goiana, com sua mata ciliar indo para o mar. Muito bonito. O sonho dos moradores da cidade é um mirante no local. Mas no sábado, nós – os forasteiros – tivemos lá dificuldades para selfies. É que não conseguíamos disfarçar a quantidade de lixo acumulada na parte alta de onde se observa aquela encantadora paisagem. Uma seboseira. Uma vergonha mesmo. É, como se diz, onde um faz um descarte irregular, todo mundo se sente no direito de fazer o mesmo.

No decorrer dos próximos dias, o #OxeRecife vai liberando outras informações preciosas ou curiosas, sobre a cidade que tem tanta história e riqueza a nos contar. Que o diga o nosso guia, Professor Marcos Paulo @mpaurelio, autor de “Goyanna, tradição e oralidade”, uma revista HQ sobre a história da cidade, que fica a 62 quilômetros do Recife. Também mostraremos prédios históricos que mereciam estar restaurados, assim como estão as suas igrejas.  Nos links abaixo, mais informações sobre Goiana e sobre Bora Preservar

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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3 comentários

  1. Parabéns pelo excelente texto Letícia! Retratou muito bem o que foi o nosso Arruar pela História de Goiana. Realmente em sua maioria a cidade está muito bem cuidada e com muitos atrativos. Conversando ontem com o Secretário de Turismo de Goiana, Ítalo César, dizia pra ele que a cidade merece entrar no circuito de bate e volta dos turistas que passam por Pernambuco, como os passageiros de cruzeiros marítmos, já que Goiana tem uma história e um acervo rico e fica próximo ao Recife. Ele me disse que, apesar do gargalo do trânsito em Abreu e Lima, estão trabalhando para viabilizar essa possibilidade. Espero que consigam para diversificar o turismo em nosso estado.
    Obrigado amiga!

  2. Excelente observações muito bem explanada no texto.
    Solicito ao GRUPO BORA PRESERVAR que acompanhe e apoie o Projeto do Mirante de São Lourenço.
    Em primeiro lugar cobrar a remoção de entulhos de toda ordem e uma requalificação digna aos nativos e de BELA ATRAÇÃO TURÍSTICA.

  3. Como sempre, maravilhoso texto Letícia. Verdade irretocável, o centro da cidade de Goiana está impecável de limpa, de se admirar. O que me chamou a atenção durante o passeio, foi que não vi ninguém jogando lixo no chão. Concordo que o Bora Preservar, opoi e cobre a construção fo Mirante, bom pra todos, moradores e turistas.

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