O Recife Antigo tem uma série de equipamentos culturais. Alguns geridos pelo poder público, outros pela iniciativa privada. Entre eles, Cais do Sertão, Paço do Frevo, Teatros Apolo e Hermilo Borba Filho, Torre Malakoff, Caixa Cultural Recife, Centro de Artesanato, Cinema do Porto, Sinagoga Kahal Zur Israel. Também há a Livraria Jaqueira, Museu Orlando Toro – Muafro, no qual fica a Casa de Alzira, espaço destinado a shows e teatro de bolso. Há, ainda, uma infinidade de outros que vão de galerias (como a Arte Plural), passam por shopping social (Casa Zero), e por lojas ou lojinhas que vendem peças que reforçam a nossa identidade (como a MAPE – Moda Autoral Pernambucana) e a Golpe Store.
Pois fiquem sabendo, o bairro está se preparando para ganhar mais um interessante equipamento cultural: o Museu do Porto do Recife, que deverá ser inaugurado nesse mês de março. E um Museu do Porto tem tudo a ver com a nossa cidade. Aliás, com nossa história. Afinal, o que era o Recife, quando tudo começou? Um pequeno povoado de pescadores, marinheiros, mercadores. Uma cidade que tem profunda ligação com o mar desde seus primórdios e cujo nome se deriva do seu porto natural de arrecifes. Mas o cais do porto – tal como se apresenta – só foi implantado no século 18. Antes disso, os navios ancoravam perto do molhe e as mercadorias escoavam de barco até terra firme. Já os passageiros, eram retirados dos navios em gaiolas, acomodados em pequenas embarcações até chegar a uma das áreas onde ficam hoje dez berços de atracação.

Na verdade, já houve um espaço no Porto do Recife dedicado a mostrar equipamentos, história, fotografias. Chegou a ter visitação. Mas foi desativado nos anos 1980 e desde então, há servidores que lutam para conseguir a implantação do Museu, o que – felizmente – está perto de se tornar realidade. “O projeto é integrar o Porto ao circuito de Museus do Bairro do Recife”, afirma o engenheiro Denaldo Coelho, lembrando que o novo equipamento é praticamente vizinho ao Forte do Brum, em cujo interior funciona um outro Museu: o Militar.
Denaldo é Presidente do museu em implantação, e há pelo menos uma década vinha tentando viabilizar a sua construção. O assunto, no entanto, não sensibilizava alguns dos executivos pela passavam pela administração do Porto. Ex-Secretário de Turismo e atualmente na Presidência do Porto, Paulo Nery deu todo apoio à empreitada. “Como posso ignorar uma iniciativa dessa? A história do Recife se confunde com a do Porto e este tem um potencial turístico muito grande, que não se limita à recepção de grandes cruzeiros”, afirma ele. Informou ao #OxeRecife que também está encomendando um projeto para urbanizar e transformar em jardim o entorno da Cruz do Patrão, que hoje dá ideia de abandono. Como se sabe, a Cruz é um monumento com história, que nos remete aos tempos dos escravizados.

Quanto ao Museu, ainda está em obras. Estive lá, e achei muito interessante. Perto da inauguração, traremos mais detalhes. Porém quatro fatos interessantes. Primeiro, o Museu terá uma Linha do Tempo, que inclui fotos raras do início do século que acusam a evolução urbana do Recife. Segundo, contará com exposição de equipamentos cujas nomenclaturas são desconhecidas em grande parte por leigos (como é o meu caso): teodolito, sextante, timão, astrolábio, escafandro (datado de 1950), etc.
Terceiro: terá uma parede interativa com o vocabulário portuário que também não é muito familiar a quem não vive do mar. Por exemplo: cabeço, lingada, adernar, defensa (fender), etc. Quarto, uma informação que poucos sabem: o Porto do Recife é proprietário da maior coleção de trabalhos de Francisco du Bocage (1860-1919). Português, foi considerado o mais importante fotógrafo a atuar em Pernambuco na virada do século 19 para o 20. Segundo Denaldo, ele foi contratado pela Société de Construction du Port de Pernambuco, para documentar a construção do porto. “Mas ele fez muito mais do que isso, registrando até as demolições que ocorriam naquela época, no bairro do Recife”.

Posteriormente, o #OxeRecife trará detalhes sobre o novo museu no bairro do Recife: data da inauguração, dias de funcionamento, horários, ingressos (se pagos ou gratuitos). Denaldo é companheiro de caminhadas a pé pelo Recife, e coordena os grupos Preservar Pernambuco e Bora Preservar. O primeiro tem por objetivo lutar em defesa dos bens culturais do Estado, particularmente os do Recife. O segundo é o braço recreativo do primeiro.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Francisco Du Bocage (Acervo Porto do Recife) e Letícia Lins (#OxeRecife)
