Teatro do Parque e Cinema São Luiz sofrem com o abandono do centro

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Todo mundo que circula pelo centro da capital pernambucana volta para casa com a sensação de que o abandono é grande, muito grande. E isso é muito triste, para uma cidade tão importante quanto a nossa que, no século passado, era tida como “uma cidade pequena, porém decente”. Não, a situação de bairros como Boa Vista, Santo Antônio e São José não já não é tão decente, quando se propagava no passado. Hoje, é de fazer vergonha mesmo. Situação para espantar até turistas.

Reclamações sobre entorno de monumentos como o Teatro do Parque (foto acima) e do Cinema São Luiz, ambos na Boa Vista, têm chegado ao #OxeRecife. Na semana passada – justiça seja feita – um programa cultural gratuito maravilhoso foi ofertado ao público, que lotou o Teatro do Parque para assistir ao concerto da Banda Sinfônica do Recife, inteiramente dedicado a sucessos do rock. O  teatro veio abaixo, de tantos aplausos. Mas se a alegria, a música, o público diverso em grande sintonia fizeram a alegria da noite no interior do Teatro do Parque, o mesmo não pode ser dito dos caminhos que a ele levam. As pessoas reclamam da buraqueira, do excesso de lixo nas calçadas, de brechas em tampas de galerias pluviais (foto vertical), pedras portuguesas mal assentadas ou soltas, dificuldades grandes para quem tem problema de mobilidade, pessoas com deficiência. Eu, que costumo andar pelo centro do Recife, sei que não há nenhum exagero nas reclamações. A bagunça é geral e a impressão que se tem é de total ausência do poder público.

Dêm uma passadinha lá na Rua do Hospício, onde fica o Teatro do Parque, só para avaliar. Contem os buracos das calçadas, vejam se não há esgoto estourado e outras mazelas mais. Presente ao concerto da Banda Sinfônica, no Parque, a arquiteta Virgínia Collier Mendonça reclama do abandono do centro. Achou o programa cultural fantástico. Mas o problema, segundo ela, estava fora do teatro, as calçadas, a sujeira, o asfalto. Vejam o que ela diz sobre a noite do concerto mais recente da Banda Sinfônica, no Parque:

“Espetáculo lindo. Público diverso, casa cheia, programa do concerto aplaudido por diversas idades, jovens, mulheres e homens, avós e crianças, como vimos no concerto BSR. Diferentes gêneros, moçada entusiasmada e uma primorosa execução da banda em sintonia com o rock, mostrando que é possível fazer um espetáculo bem conduzido para todas as idades. No entanto, deixa a desejar o acesso ao teatro – ver a foto da calçada – e o uso de banheiros, para pessoas normais e com deficiência. É uma pena. Vamos enaltecer os músicos e formar novos talentos potenciais com espetáculos como esses e presença de grupos musicais de jovens como os que ontem se fizeram presentes”.

“Vou sempre ao Teatro do Parque, dá vontade de chorar”, diz outra leitora do #OxeRecife, Helena Amaral. Lembrem-se:  o Teatro do Parque é um bem tombado, passou quase quinze anos em reforma e merecia, pelo menos, uma calçada decente e um cuidado maior com o seu entorno: Rua do Hospício, Rua da Imperatriz, Praça Maciel Pinheiro. Estão, todos, literalmente detonados.

A Maciel Pinheiro até que passou por requalificação, mas vive ocupada por moradores em situação de rua, que usam os gradis como varais, dormem em bancos ou sobre o gramado, e usam a praça como cozinha e mictório. Também são frequentes assaltos a pessoas que deixam lá o automóvel, quando vão a algum show no Teatro do Parque. Casal amigo do #OxeRecife foi abordado semanas antes no local, por homens armados que levaram o carro, justamente após assistir um espetáculo no Parque.

Monumentos tombados – como o Teatro do Parque (foto superior) e o Cinema São Luiz (acima) sofrem com decadência do entorno

Além da sensação de insegurança à noite no centro, a impressão que se tem é que caiu uma  bomba lá e detonou tudo em volta.  Outro prédio tombado, o Cinema São Luiz, também está no meio de uma situação de entorno em decadência. A  começar pela calçada do prédio, pois o trecho da Rua da Aurora onde ele fica  é o retrato do abandono: prédios desocupados, marquises sob risco de cair, calçadas detonadas e com risco de queda para pedestres. Triste, muito triste ver o Recife desse jeito. Nosso centro, tão lindo antes, não merece esse tipo de tratamento. Cadê a Prefeitura? Cadê o “Rua Tinindo”? Cadê o Recentro? Ainda existe?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Andrea Rego Barros PCR (Acervo #OxeRecife), Virgínia Collier (cortesia) e Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

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2 comentários

  1. Leticia , sugiro para quem ainda vai ao Centro do Recife que ao passar em Edifícios abandonados caminhem por baixo de Marquises(perigo imenso) ou fiquem expostos nas calçadas esburacadas com o perigo de janelas caindo dos Imóveis em destruição geral. Fui rezar no Dia 16 de Nossa Senhora do Carmo e o taxista que me transportava parou na Conde da Boa Vista e me mostrou pedaços de janelas do Edifício São Luiz. O que me revolta, e, não vou ficar utilizando seu espaço como um idoso ranzinza que briga com os Poderes e Poderosos diante do caos em que se encontra nossa Cidade. Estou pensando com alguns Amigos Advogados, entrarmos com uma Ação contra a Prefeitura do Recife e a Câmara Municipal, bem no Coletivo das duas Instituições dentro da Lei Orgânica do Recife, que os Organismos de Administração do Município ofereçam respostas concretas do que farão quando a Cidade por inteiro Falir Patrimonial, Econômica e Financeiramente diante do excesso de Placas de Vende-se e Aluga-se que dão a dimensão da perda de mais de 800.00 Postos de Trabalho, diretos, perdidos pela Falência do Comércio, Serviços e MicroIndústrias do Recife e feridos de morte pela “Desertificação Social e Econômica da Cidade”, quem vai morar numa Cidade sem o mínimo de Dignidade Humana para se Viver e Empreender ? Chamo a atenção com o Respeito que devo essas Instituições, que o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público do Estado de Pernambuco participem desta empreitada de fazer a “Restauração do Recife” ser concretizada e criem dentro de suas Estruturas de Fiscalização de Contas Públicas um Grupo de Restauração do Recife, pois, não é possível que uma Prefeitura com uma Arrecadação grandiosa destas, fazendo shows milionários com o dinheiro público, não tenham uma Plano para Restauração do Recife, e a Cidade fique resumida a festinhas em Hotéis de Luxo para rirem de algo que nunca levantou uma pedra e a Cidade somente piora, já passou do Coma, só está faltando uma Padre para Rezar a última Missa da Cidade do Recife. Me perdoe Prezada Letícia esses desabafos, tudo que escrevestes e teus Leitores teimosos como eu escrevem, é a realidade triste e vergonhosa do que tornaram o Recife. E dos pregões das ruas do Bairro de São José ainda ouço…”chora menino pra chupar pitomba….e o menino envelheceu e hoje chora para pedir que temos de Amar e Salvar o Recife, o Recife precisa de nosso Amor, Plenamente, Amém” !

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