Em outubro do ano passado, a Prefeitura do Recife fez a entrega da requalificação da Praça Artur Oscar, obra que exigiu R$ 1,8 milhão em investimento. A Praça é um dos espaços mais emblemáticos da cidade e também um dos mais visitados, por ficar nas proximidades da Rua do Bom Jesus e do Marco Zero, dois recantos de grande demanda turística, na parte antiga da capital pernambucana. Pois os equipamentos, que foram lá colocados no ano passado, já estão sendo furtados.
Mais conhecida como Praça do Arsenal, ela é considerada jardim histórico, por contar com a assinatura de Roberto Burle Marx (1909-1994), um dos mais importantes paisagistas do mundo. Implantada há 91 anos, sofreu muitas mudanças ao longo das décadas, ganhando grades e até uma fonte luminosa em estilo moderno. Com a reforma, a Praça perdeu os gradis que a cercavam, ganhou mais amplitude, ficou mais integrada à paisagem da parte histórica da capital. E isso é bom.
Mas…com a reforma, os bancos tradicionais – bem confortáveis – também “dançaram”. E foram substituídos por outros, de concreto, bem mais modernos. Mas nem por esse motivo mais cômodos. E, ao que parece, mais vulneráveis à ação de vândalos. É que os encostos dos bancos estão sendo desparafusados e levados por marginais. Já roubaram quatro. Vários bancos viraram verdadeiros “tamboretes”, retirado todo o conforto das pessoas que procuram a praça para descansar, conversar, namorar (embora alguns já sejam originalmente “tamboretes” ). Cá para nós, era melhor que os antigos tivessem permanecido. Pelo menos, não há informação de que algum deles tenha sido furtado. Aliás, onde foram parar? Bem que poderiam ter sido transplantados para parques como o de Apipucos ou Macaxeira, onde praticamente não há bancos tradicionais. O Parque Apipucos, não tem um só com encosto, o que impede que uma pessoa sente lá, durante a semana, para ler um livro por exemplo. Ou enquanto observa as crianças brincando. Aos sábados, quando tem o Festival de Sabores, são disponibilizadas cadeirinhas de praia para o público. Porque, sem elas, não há onde sentar com um conforto que a gente merece.
Já o de Santana, que foi privatizado como o de Apipucos, tem bancos cujos assentos possuem tabicas de bambu, o que provoca desconforto grande em quem neles senta. O modelo é o mesmo utilizado antes no Parque de Apipucos, onde ninguém conseguia passar cinco minutos sentado. Para não pensar que tudo não passava de minha impressão, uma vez pedi a um amigo que sentasse em um desses bancos com acento de varas paralelas. Quatro minutos, foi o tempo que ele aguentou.
Na última reforma do Parque Apipucos, antes da entrega à iniciativa privada, a empresa responsável pela requalificação informou ao #OxeRecife que o parque seria dotado de bancos confortáveis. Sabem quantos? Nenhum, até hoje. Então, bem que os que eram da Praça do Arsenal poderiam ser transplantados para os necessitados parques da Zona Norte. Aliás, há algumas mudanças nos equipamentos urbanos da cidade que vêm para pior, quando o assunto é vulnerabilidade à ação de marginais. É o que acontece com os bancos da Praça do Arsenal. Também aconteceu muito com os lampiões que a Emlurb utilizou para substituir os antigos, de ferro fundido. Muitos deles foram furtados, pois eram fáceis de retirar. Ainda bem.

Agora, perguntinha: onde está a guarda municipal? Onde ficam as câmeras de segurança da PCR? Se são usadas com aparente eficiência em grandes eventos – como a Virada Recife 2026 – por que parecem adormecidas no cotidiano da cidade, onde há pilhagem de bancos, estátuas, placas de bronze ou cobre, de peças das pontes, de luminárias? Com tanta tecnologia disponível no Recife, não há como monitorar o patrimônio público?
Nos links abaixo, confira outros casos de pilhagem em áreas públicas do Recife.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com e Hélia Scheppa /PCR / Acervo #OxeRecife
