“A literatura e a arte já foram criticadas e até censuradas por tratar de temas sociais que desafiam privilégios e incomodam elites. Nos últimos anos, livros foram recolhidos em escolas, e o debate sobre desigualdade, racismo e ações reparatórias segue em disputa. Afinal, a quem a arte incomoda? E a quem deve servir?”. Este é o mote de uma das discussões que acontecem na noite dessa sexta-feira (12/9) na Festa Literária das Periferias. A Flup vai até domingo (14/9), no Compaz Eduardo Campos, que fica no Alto Santa Terezinha, Zona Norte do Recife. Consagrada no Rio de Janeiro, onde completa 14 anos, a Flup ocorre pela primeira vez em Pernambuco.
A mesa sobre aquele assunto está programada para 20h, e tem como uma das principais atrações, o escritor Itamar Vieira (foto acima). Ele é autor de “Torto Arado” e um dos autores contemporâneos mais premiados do Brasil. Itamar participa de Mesa tendo como tema para discussão justamente “A quem a arte incomoda? E a quem deve servir?”. Além dele, também é palestrante Vítor Trindade. A mediação será de Lenne Ferreira, editora do portal “Afoitas”. Vitor da Trindade, músico e professor, é guardião do legado de Solano Trindade (1908-1974), homenageado da Flup PE.

O próprio Solano, tão reverenciado na Flup, foi vítima de perseguição por conta de sua literatura, que tinha forte crítica social. Ele foi preso em 1944, durante o Estado Novo, porque seu poema “Tem gente com fome”, foi considerado “subversivo” pela ditadura de Getúlio Vargas. É. Ditadura é assim, persegue poetas, escritores, dramaturgos, músicos, que não rezam pelas cartilhas dos poderosos de plantão. Quem não lembra o que aconteceu com Garcia Lorca, em 1936, que foi fuzilado na Espanha franquista? E no Brasil, pós 1964, que perseguia até artistas da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil? Recentemente, no governo passado, a direita extrema e burra tentou sufocar a efervescência cultural brasileira. E chegou até a recolher livros.
Antes das 20h, há programação intensa, também. Às 14h, há o lançamento de livros de autores independentes: Samuel Santos (Maria Preta), Luciene Nascimento (Tudo nela é de se amar) e Marcondes FH (Rosa Menininho). Às 17h, tem a primeira Mesa de discussão, com o tema “ A força e a resistência do sagrado em Pernambuco”, tendo como palestrantes Pai Ivo e Mãe Beth de Oxum. A mediação será de Pai Livio. Em debate: As religiões de matriz africana, herança ancestral que conecta gerações, seguem vivas apesar da perseguição histórica, do racismo e do preconceito.
Às 18h30m, vem a segunda Mesa com o tema “A arte como vetor, movimento e inspiração. Palestrantes: Palestrantes: Salgado Maranhão e Isaar. Mediação de Luciana Queiroz O que inspira? O que move? Literatura, música e arte nos fazem refletir sobre nós mesmos, a sociedade e nossos sonhos individuais e coletivos. A mesa discute o fazer artístico como profissão, sua chegada ao público e os efeitos que provoca em quem cria e em quem recebe. Participam Salgado Maranhão, poeta, compositor e jornalista, e Isaar, cantora, compositora e instrumentista. Mediação de Luciana Queiroz, repórter e jornalista.

Abaixo, mais informações sobre cultura negra e sobre cultura periférica.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Flup – PE
