Festival Literário das Periferias movimenta Torre, Pina e Ibura

Já destacava o saudoso geógrafo Milton Santos (1926-2001), a importância da cultura das periferias no destino das sociedades.  No Recife, está rolando hoje a primeira edição do  Festival Literário das Periferias (Fliperifa), que tem como tema “O Direito à Literatura”. O evento ocorre nos dias 18 e 25 de maio, e   1º de junho, em três espaços culturais diferentes: a Rioteca (Torre), Livroteca Brincante (Pina) e Associação da Tancredo Neves (Ibura) respectivamente. O projeto também vai até as escolas municipais das três localidades. Confira o perfil (@fliperifape – bit.ly/3JUQN8t).  O festival foi idealizado por Palas Camila @palascamila, e tem curadoria literária de Bell Puã @bellpua.

O evento conta com intérprete de libras nas atividades artísticas. E é gratuito, mas é necessária a inscrição para as oficinas (inscreva-se – bit.ly/4btyy5Z), com direito a emissão de certificado, sendo que  30% das vagas são destinadas às pessoas que movimentam diariamente a área da educação pública. Também é possível, via formulário de inscrição (bit.ly/3QCMClJ), a participação no festival como expositor e expositora. A exposição, venda ou troca de livros fica sob responsabilidade da própria pessoa. A programação tem atividades como rodas de diálogo e formações em espaços arte-educativos, intervenções da “Malateca” em três escolas municipais, uma em cada bairro contemplado pelo projeto, e recitais de poesia.

A Malateca consiste em uma biblioteca viva e itinerante, transportada em malas de viagem. Foi criada em 2018 pela pedagoga, arte-educadora e mediadora de leitura Magda Alves. As intervenções são marcadas por trocas e distribuição de livros, varal de poesias, recital poético e contação de histórias. Fliperifa é um projeto de arte e educação idealizado pela pedagoga, arte-educadora e produtora cultural Palas Camila e aprovado no edital Multilinguagens Recife Criativo, da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Recife – Secretaria de Cultura/Fundação de Cultura da Cidade do Recife. 

“O Direito à Literatura defende que todas as pessoas tenham acesso à arte, principalmente às expressões literárias. O Festival Literário das Periferias visa compartilhar o papel das comunidades recifenses nos debates sobre a literatura. Estamos perpetuando a arte nas zonas sul, leste e oeste da cidade do Recife e consideramos que os encontros são uma troca cultural entre essas regiões, além da expansão de saberes e conhecimentos”, destaca Palas Camila, também coordenadora geral.

A poeta, cantora e compositora pernambucana Bell Puã fez a curadoria literária do festival. Ela é cria do movimento Slam das Minas PE. Além do mais, é autora de três livros: “É que dei o perdido na razão” (2018), “Lutar é crime” (2019) – finalista do Prêmio Jabuti em 2020 – e “Nossa História do Brasil: Pindorama em poesia”, lançado em 2024. A abertura, dia 18 de maio, acontece na Rioteca (bairro da Torre) com a roda de conversa “O Direito À Literatura” — convidadas Inaldete Pinheiro e Odailta Alves e mediação de Bell Puã —, pela manhã. E tem a oficina “Poesia Cantada” (mediação de Adelaide Santos), no turno da tarde, seguido pelo Slam – Recital Já Pá Rua, presente em todas as datas do festival.

No dia 25, a Livroteca Brincante do Pina recebe o segundo encontro do Fliperifa. No período da manhã, roda de conversa “Escrevivências na cidade do Recife”, trazendo Karinne Costa como convidada e o convidado Marcondes FH, além da mediação de Amanda Timóteo. A movimentação segue à tarde com a oficina “Conhecendo a Literatura Marginal Contemporânea”, que é mediada por Patricia Naia, e o Slam – Recital Já Pá Rua, respectivamente. O mês de junho, dia 1, começa na Associação da Tancredo Neves, no Ibura, onde o Festival Literário das Periferias faz a sua culminância com a roda de conversa “Caneta de Mulher Escrita é Sobrevivência” (convidada: Priscila Ferraz; convidado: Elke Falkonier; mediador: Marcone Ribeiro), pela manhã, a oficina “Rima – Entre a Escrita e o Freestyle” (mediação: Original Lety) e o Slam – Recital Já Pá Rua, respectivamente, à tarde.

O Festival Literário da Periferia reverencia mulheres negras nordestinas que são referências artísticas nacionais. Inaldete Pinheiro e Odalita Alves. Inaldete Pinheiro de Andrade (1946), que vive em Pernambuco há mais de cinco décadas, é enfermeira sanitarista, fundadora do Movimento Negro do Recife e ativista do combate ao racismo, além de escritora, ensaísta e vigilante dos direitos humanos incluindo a justiça ambiental.  Odailta Alves (1979), além de escritora, é educadora, atriz e ativista dos Direitos Humanos, com ênfase em práticas antirracistas. Nasceu na comunidade de Santo Amaro (Recife/PE). É vencedora nacional dos concursos de poesia “Da Casa de Espanha” (2016) e do “Elas por Elas” (2019). Em 2022, ganhou o prêmio Penalonga de Teatro de PE, com o seu monólogo Clamor Negro. Ela tem oito livros publicados, entre eles “Clamor Negro” (2016), “Letras Pretas” (2019) e “Afrochego: poemas para acalentar meu povo” (2023).

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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