Iniciativa louvável, o Programa Pão e Letra acaba de formar sua primeira turma: 26 pessoas que vivem em situação de rua concluíram a etapa inicial do letramento, passando da condição de “iniciantes” para “estudantes”. Isso significa que começam um novo ciclo em suas vidas, pois foram encaminhados para o EJA (Educação para Jovens e Adultos), com acompanhamento por tutoria. Justiça seja feita: as primeiras sementes do Pão e Letra sugiram na gestão de Ana Rita Suassuna, em 2023, quando ela respondia pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas.
No entanto, o Pão e Letra só seria implementado dois anos depois, em 2025, e a primeira turma só encerraria a primeira etapa, agora, em 2026. Melhor tarde do que nunca. Felizmente, a iniciativa não foi para a gaveta, com as mudanças na pasta. O programa é desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome (SAS), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A formação dessa primeira turma, marca a consolidação de uma política pública pioneira no país voltada à inclusão educacional da população em situação de rua. Para os executores da ação, o resultado evidencia a efetividade da metodologia, que alia acompanhamento pedagógico contínuo e bolsas de estudo como incentivo à permanência, contribuindo para a reinserção social e a construção de trajetórias mais autônomas, segundo a Prefeitura.

Segundo a secretária em exercício de Assistência Social e Combate à Fome do Recife, Márcia Ribeiro, o momento representa um avanço na garantia de direitos. “A certificação da primeira turma e a chegada de novos alunos mostram que é possível construir caminhos reais de inclusão quando asseguramos não apenas o acesso, mas também as condições de permanência”.
Um desses mecanismos para evitar a evasão, foi a criação de bolsas de estudo, que têm quatro modalidades. São elas: “Iniciante”( destinada a quem ingressa na escolarização), com valor de R$ 200; “Estudante” (voltada a educandos já inseridos na EJA), com bolsa de R$ 300; “Multiplicador” (direcionada a quem conclui os estudos e atua na mobilização social), com auxílio de R$ 600; e “Qualificação Profissional” (para cursos de capacitação com duração superior a um mês), no valor de R$ 300.
Dados do Censo da População em Situação de Rua do Recife, realizado pela SAS em parceria com a UFRPE, em 2023, mostram que 22% das pessoas nessa condição não sabem ler e escrever, e apenas 15% concluíram o ensino médio. Além disso, 48% não possuem ocupação laboral, sendo que 37% estão sem trabalho há mais de 10 anos. Tomara que os cursos de capacitação possam ajudar essa turma a se inserir no mercado de trabalho, enquanto estuda e que todos possam sonhar e se preparar para voos maiores.
Durante o evento de “formatura”, houve a entrega simbólica de certificados para os concluintes e de kits para os novos alunos, compostos por mochila, caderno, caneta, garrafa, boné e fardamentos frentes. Vamos torcer para que o Pão e Letra prossiga, e ajude a mudar a vida de muita gente que vive pelas calçadas, dormindo em abrigos de ônibus ou ocupando praças. Trinta novas vagas foram abertas. Que bom!
Nos links abaixo, entenda como surgiu o “Pão e Letra”, e como está sendo desenvolvido hoje. E mais notícias sobre populações em situação de rua .
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