Entre a cidadania e o retrocesso: “Vacina no braço, comida no prato”

Normalmente, o 1º de maio é marcado por festas para os trabalhadores, já que a data é dedicada ao seu dia. Em anos sem pandemia, os parques e praças ficam cheios, os sindicatos organizam shows gratuitos e os microfones passam de mão em mão, para que cada  líder classista faça o seu discurso, sempre em defesa de melhores salários, da manutenção do emprego, de melhores condições de trabalho além de críticas à autoridade de plantão, inimiga dos trabalhadores.

Mas em 2021, a data foi comemorada de forma diferente. Pelo menos no Recife, onde a Zona Sul foi tomada por apoiadores do Presidente Jair Bolsonaro. Com as cores verde e amarelo, eles desfilaram em carreata por vias como a Avenida Boa Viagem (foto vertical).  A manifestação contou com trio elétrico e discursos, no mínimo controvertidos, como controvertidas sempre são as ações do “Capitão” e seus seguidores. Manifestantes defendiam a “liberdade” (em momento em que quem faz críticas ao governo sofre ameaça de ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional). Também defenderam o voto impresso, quando o sistema eleitoral informatizado do Brasil é respeitado por organizações internacionais e tido como exemplo a ser seguido em todo mundo, pela sua inviolabilidade e pela rapidez na apuração. Criticaram o isolamento social – tal qual Bozó – contrariando o que dizem cientistas, que o apontam como forma de se prevenir da Covid-19 . A concentração foi atrás do Parque Dona Lindu.

Na Zona Norte, no entanto,  houve outra carreata, esta saindo do Mercado da Encruzilhada. O lema foi “Pão, Vacina e Emprego. Siga essa luta”. Tudo a ver, até porque o Brasil, infelizmente, está de volta ao Mapa Mundial da Fome.  E o asfalto, no centro, ganhou um apelo pintado com letras garrafais e tinta branca:  VACINA NO BRAÇO, COMIDA NO PRATO.

Para assinalar o 1 de Maio, movimentos ligados à agricultura familiar fizeram diferente. Tomaram a Ponte Maurício de Nassau, no centro, onde  distribuíram 20 toneladas de alimentos para beneficiar 30 comunidades da Região Metropolitana. O ato foi organizado pelo Armazém do Campo, que fica na Rua Martins de Barros, no Centro, bem pertinho daquela ponte. Também foram distribuídas marmitas. O Armazém do Campo pertence ao MST, que criou o Projeto Marmita Solidária, que consiste em doar marmitas para pessoas que estão passando necessidade, situação agravada com a pandemia. Segundo um dos coordenadores da campanha, Paulo Mansan, a campanha tem contado com a boa vontade da população, porém precisa de mais doações.

Até porque subiu muito o preço dos alimentos. “Quando começamos a campanha de doação de marmitas, em 2020, cada unidade saía a R$ 3,78”, diz. E acrescenta: “Com a inflação, o custo subiu  para R$ 5,30 em um ano”. Nas ruas, hoje, o lema era um só pintado com letras brancas no chão da Ponte: “Vacina no braço, comida no prato”. Quem quiser ajudar ao Marmita Solidária pode ligar para (81) 998553121 ou doar via PIX 09423270/0001-80 – Marmita Solidária.

Abaixo, você confere outras iniciativas solidárias e fatos envolvendo o Governo do Presidente Jair Bolsonaro.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cortesia do leitor e redes sociais

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