Será que as políticas sociais não estão surtindo efeito? Está difícil a situação, pois números recentemente divulgados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População de Rua mostram que a quantidade dessas pessoas – que vivem em situação de extrema vulnerabilidade – vem crescendo no Brasil. E de forma ascendente.
De acordo com a instituição – que é ligada à Universidade Federal e Minas Gerais – no Brasil existem nada menos de 365.800 pessoas, que moram e dormem sob marquises, nas praças, nos degraus das igrejas, sob viadutos. A maior parte – 222.311 – encontra-se no Sudeste. No Nordeste, somam 54.801. É uma diferença grande, em números absolutos, mas a região é muito menos densamente povoada e, portanto, seria necessário sabermos, a situação no Nordeste em termos percentuais. Será que a percentagem de moradores de rua no Nordeste é superior à registrada no Sudeste?
Os quantitativos, divulgados na semana passada são baseados nos registros do CadÚnico, que reúne beneficiários dos programas sociais. Em Pernambuco no geral e no Recife, em particular, há programas que tentam minimizar esse problema, mas parece que os efeitos são lentos ou as ações não funcionam. É só andar pelas ruas da cidade. Tanto no centro quanto nos bairros, a quantidade de gente dormindo nas ruas é grande: Praça Maciel Pinheiro, Matriz da Boa Vista, Rua Nova, Rua da Imperatriz, Rua do Hospício. De acordo com a pesquisa, a quantidade de moradores de rua no Estado subiu de 2.800 (em 2020) para 8.540 (em 2025). É muita coisa.

No Recife, os números estariam perto de 5.000, segundo a pesquisa. Censo realizado pela Prefeitura, em 2023, havia indicado 1.806 pessoas nessa situação. Na Avenida Conde da Boa Vista, até mesmo os abrigos de ônibus mostram retratos dessa realidade. Não é preciso nem estatística. Pois a população de rua cresce aos nossos olhos, não só no centro. Essas são cenas observadas, também, com muita frequência em bairros como Encruzilhada, Madalena, Boa Viagem, e Casa Amarela.
Na foto superior, a “casinha” de um casal, na Rua Ana Xavier, pertinho da Delegacia de Polícia e do Mercado Público de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Na “casinha”, dormem, passam dia e noite, tomam banho e fazem necessidades pelas ruas ou terrenos vazios das redondezas. A famíllia era composta até pouco tempo por um homem, uma mulher, e dois cães. Mas não tenho visto mais os caninos. Na foto central, dormitório improvisado em abrigo de ônibus, na Avenida Conde da Boa Vista, no centro da cidade.
Leia também
Programa Pão e Letra, para moradores de rua, começa a render frutos
Pão e Letra vira realidade: letramento para quem vive em situação de rua
População de rua pode ganhar “Pão e Letra”: alfabetização e profissionalização
Famílias sem teto e bares ocupam espaços públicos no Centro
Tombado, Teatro Santa Isabel tem calçadas invadidas por famílias sem teto
Censo mostra 1.806 pessoas em situação de rua no Recife, das quais 80 por cento são negros e pardos
Pobreza e população em situação de rua tomam conta da Avenida Conde da Boa Vista
População em situação de rua no Recife: “A cada destino, uma aventura”
Centro Popinho é implantado para acolher crianças em situação de rua no Recife
Abrigos se transformam em guarda volumes da população de rua
Moradores de rua podem ser hóspedes da rede hoteleira
Nada menos de 77 por cento das crianças e adolescentes de Pernambuco vivem na pobreza
Bairro de São José: O Haiti não é aqui
População de rua cresce na pandemia
População de rua e restaurante popular
Por um Recife com igualdade social e ruas sem lixo
Quitinete para morador de rua
Vida na rua, praça, rede e droga
Em Casa Amarela, cercadinho em calçada impede passagem de pedestre
……
Brasil sai da vanguarda do retrocess e fome cai. Mas é grande ainda
FPI: A despedida vida no lixão
Ong Afetos opera mudanças em comunidade rural de Ibimirim
A mentira da fome e a realidade do lixão que comoveu o Brasil
Pernambucano Thiago Lucas integra projeto internacional sobre a Covid-19
Fome só faz se agravar. E o Recife?
Fantasma da fome virou pesadelo real
Coronavírus traz fantasma da fome
O alerta da pandemia: “Estou com fome”
Entre a cidadania e o retrocesso: Vacina no braço comida no prato
Ceará: comida para quem tem fome
Pandemia: a fome tem pressa
Fome, tortura, veneno e maniqueísmo
FPE: A despedida da vida no lixão
Adultos e crianças: A vida no lixão
Fome no Brasil é uma grande mentira?
Ação contra a fome no metrô
Ação de cidadania para Natal sem fome
População de rua ganha banhos e conserto de bicicleta
Pobre Recife. Será que isso vai mudar?
A voz do eleitor: Quero um Recife onde pobre não seja tratado como animal
Brechó: Casas para a Entra Apulso
Projeto Ação prepara Festa natalina
Palafitas vão ganhar live a partir de barco: “O rio vai pegar fogo”
Vem mais veneno por aí nos alimentos
O grito dos excluídos e excluídas
Thiago Lucas: Morte e Vida Severina e a Geografia da Fome Brasil 2022
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife e Genival Paparazzi / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

Deprimente e Desolador! Quem anda pelas ruas e encontra cenário como esse se defronta com uma questão crucial: a falência total do poder público como agente responsável pela política de bem estar social ampla e universal. Programa de educação, saúde e emprego como política de estado e não como palanque quadrienal de políticos irresponsáveis e coligados com empresas que sangram os cofres públicos e impedem que o pagador de impostos tenham uma vida digna .