Dia da Mulher: Cátia Santos, extrativista defensora da floresta, chega na UnB

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No Dia Internacional das Mulheres, vamos lembrar pessoas que fazem a diferença? A homenagem do #OxeRecife vai para Cátia Santos, por desafiar barreiras e construir novos caminhos. Aos 29 anos, coordenadora de Comunicação Digital do Conselho Nacional de Populações Extrativistas (CNS), ela é considerada um exemplo de resistência. E, pode-se dizer, chegou lá. A jovem tem o que comemorar. Foi aprovada em primeiro lugar, no Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT) da Universidade de Brasília (UnB). E aguarda ansiosa o início das aulas, previsto para abril.

Aos 29 anos, a jovem recentemente conquistou uma grande vitória, pois aquela é uma das pós-graduações mais disputadas do País. A trajetória até essa conquista foi repleta de desafios. Cátia nasceu na Reserva Extrativista (RESEX), a segunda maior do Brasil, que fica no Acre. E sempre soube que suas raízes moldavam sua identidade. Desde cedo, escutava histórias sobre a luta dos seringueiros e o legado de Chico Mendes pela proteção da Floresta Amazônica. Isso não apenas a inspirou, mas também fortaleceu sua convicção de continuar essa luta. Cátia reitera que o acesso a uma educação digna e de qualidade é uma demanda fundamental para as populações extrativistas. Não é fácil:

“Sair do território significa enfrentar a dificuldade de estar longe da família e do nosso modo de vida tradicional. A luta por uma educação de qualidade é essencial para garantir dignidade e igualdade para nossa população. Ainda hoje, muitos jovens extrativistas são obrigados a deixar seus territórios para acessar um direito básico. Nós queremos educação de qualidade dentro das Reservas Extrativistas do Brasil. Tenho inspirações que me motivam todo dia a lutar e resistir. Primeiro, o lugar onde nasci. Segundo, a minha identidade: tenho orgulho de ser extrativista. […].

Para Cátia, Crescer na RESEX Chico Mendes, onde a luta pelos direitos dos povos tradicionais é reconhecida internacionalmente, a fez perceber que fazia parte de algo muito maior. “Eu sabia que precisava dar continuidade a esse legado”, afirma. Em 2022, foi homenageada com o Prêmio Chico Mendes de Resistência, na categoria “Destaque Jovem Extrativista”, com premiação na Semana Chico Mendes, realizada no Acre, por sua contribuição nas redes sociais.

Além disso, no ano passado, Cátia foi uma das palestrantes da mesa que abordou o tema “Etnojornalismo e o Papel dos Eco Comunicadores na Mídia Contemporânea”, realizada pela CENARIUM no 19º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).Porém, desde a infância, ela também enfrentou dificuldades no acesso à educação. Graduada em Gestão Ambiental, precisou deixar seu território para concluir os ensinos Fundamental e Médio, uma necessidade comum para jovens extrativistas e diferente para quem vive em regiões metropolitanas. A oferta insuficiente de vagas e colégios, infraestrutura precária, internet limitada, calendário apertado e conteúdo programático não adaptado para as populações tradicionais são componentes de uma educação desigual para as RESEXs amazônicas. O interesse pelo mestrado vai além da formação acadêmica.

Para ela, o conhecimento é uma ferramenta essencial para fortalecer o movimento extrativista e ampliar a participação da juventude na luta por direitos. “Ao longo da minha trajetória, percebi que a luta pelos direitos dos povos extrativistas exige não apenas resistência, mas também uma base sólida de conhecimento. Acredito que o mestrado pode me proporcionar esse conhecimento, que é essencial para atuar de maneira mais eficaz, tanto na defesa dos nossos direitos quanto na busca por soluções mais justas para a nossa realidade”, comenta.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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