Tradicionalmente, agosto é conhecido como o mês dos ventos no Recife. Na minha infância, quando a gente tinha a liberdade de brincar no meio da rua, meninos e meninas aguardavam ansiosos o oitavo mês do ano. Tudo porque era mais fácil lançar as pipas ao ar. Naqueles tempos, as pipas eram chamadas de “papagaios”. Mas embora os ventos fossem fortes, o frio não era grande.
Ontem, aqui em Apipucos, a temperatura oscilou entre 19 e 23 graus. Na madrugada, mesmo com pijama, casaquinho e cobertor, acordei “tiritando” de frio. No bairro, talvez a sensação térmica seja maior do que no resto da cidade, porque a umidade é muito grande. Nessa quarta-feira, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), a temperatura mínima pode chegar a 19 graus na Região Metropolitana, com a umidade podendo atingir 100 por cento no Grande Recife, na Zona da Mata, no Agreste e até no Sertão. Em todo o estado, a máxima fica entre 28 e 29 graus.

Na Zona da Mata, a temperatura se mantém quase nos mesmos níveis, com 18 graus de mínima, na Mata Sul; e 19 graus na Mata Norte. A máxima, pode ser de 27 e 26 graus respectivamente. No Agreste – onde fica Garanhuns e Taquaritinga do Norte (ambas conhecidas pelo frio) – a temperatura pode cair para 16 graus o que, convenhamos, é frio demais para os nordestinos habituados ao clima sempre quente.
Pois no Sertão, onde o clima geralmente é quente, o frio também está em alta. Pode chegar a 15 graus nessa quarta. Em Triunfo (foto) – a 451 quilômetros do Recife – até a paisagem é fria com névoa, como mostra a foto de minha irmã, Ângela, que esteve lá recentemente. Tem gente partindo para o Sul do país, para ver e sentir o frio, a neve. Deus me livre. Setembro ainda nem chegou e eu já estou mais é sonhando com o guarda-sol, a temperatura quente, areia branca e azul do mar. Isso sim, é o melhor. É só comparar a luz e o astral das duas fotos. Não tem inverno que tire o encanto de um bom verão.
No Recife, nesse inverno, o que não faltou foi chuva. Quase todos os dias, cai um pé d´água. O que não se entende é que nossas torneiras estejam sempre secas. Cadê a Compesa? Durante a semana, sempre de um a três dias sem água. Mas desde domingo que a situação piorou. Pelo menos no bairro de Apipucos, onde secou tudo. A população da comunidade do Areal, que fica à margem do Rio Capibaribe, está se deslocando com baldes e panelas até o Parque da Macaxeira para conseguir água. Descaso completo, com a população. Ninguém foi avisado desse corte.
Só aqui na minha casa, já são dois os protocolos de reclamação (20211033123073 e 20211033125369). A explicação é “um conserto em um conjunto de motobomba”. Uma semana, com a população sem água? Em uma situação dessa não há plano “B”? Sinceramente….
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torneira
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Ângela Lins / Cortesia e Letícia Lins
