Falta de educação ambiental: Operação Inverno tira 24 mil toneladas de canais

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A cada inverno, percebe-se o despreparo do Recife para enfrentar os eventos climáticos, cada vez mais extremos. As ruas viram rios, os canais transbordam, as galerias ficam entupidas, o trânsito é um caos e até jacarés aparecem boiando em pleno asfalto. Mas a culpa não é só do aquecimento global não. O problema poderia ser bem menor, se a população tivesse mais educação ambiental e não jogasse tanto lixo onde não deve, entupindo canaletas, galerias pluviais e castigando nossos rios, já tão poluídos com todos os tipos de detritos sólidos.

Quem mora perto de lagos, rios, canais no Recife, sabe o que acontece a cada chuva. Toneladas de lixo que descem nas enxurradas vão parar nos cursos d’ água e nas praias. Para se ter uma ideia do volume de lixo jogado onde não se deve, nada menos de 24 mil toneladas de resíduos foram retiradas até o momento de 40 canais com serviço concluído pela Operação Inverno 2026. Há trabalhos em andamento em 14 outros e intervenções programadas em 44, segundo informa a Prefeitura. Ou seja, um trabalho descomunal, para depois… começar tudinho de novo. Moro perto do Açude de Apipucos e fico impressionada com a tarefa interminável dos garis, que diariamente recolhem lixo boiando. Quanto mais coletam, mais aparece. Mas quando chove, o “iceberg” de detritos vem pelos canais que nele deságuam, e o trabalho é muito maior. 

“É necessário que cada um entenda a importância de jogar o lixo nos locais corretos, porque nossas pequenas atitudes, como uma embalagem de biscoito descartada irregularmente, podem gerar grandes impactos para o Recife”, afirma o Prefeito do Recife, Vítor Marques. Ele hoje supervisionou serviços da Operação Inverno 2026 Zona Oeste da cidade, onde a Prefeitura, via Emlurb, deu início a mais uma ação, dessa vez no Canal do Cavouco, no qual alguns trechos – como o que fica na Avenida Caxangá – exigem limpeza manual.

Operação Inverno 2026 já retirou 24 mil toneladas de lixo dos canais. Limpeza no Canal do Cavouco, hoje

Além da limpeza do canal, o trabalho na região também conta com a atuação de um caminhão equipado com jato de sucção na Avenida Caxangá, utilizado para a desobstrução de galerias. O equipamento remove lixo, lama e realiza a sucção de águas acumuladas, ampliando a capacidade de drenagem do sistema e prevenindo pontos de alagamento. A intervenção no Canal do Cavouco, com extensão de aproximadamente 5,4 quilômetros, inclui remoção de resíduos, retirada de vegetação e desassoreamento do leito do canal, com atuação de equipes mecanizadas (foto abaixo) e manuais.

A previsão é de que as equipes removam cerca de 200 toneladas de detritos ao longo da operação, que segue até o dia 28 de abril. O canal possui trechos revestidos e em leito natural e beneficia diretamente bairros como Iputinga, Caxangá, Engenho do Meio e Torrões, sendo um importante eixo de drenagem da Zona Oeste da cidade.  A Prefeitura do Recife informa que  está investe R$ 381,8 milhões na Ação Inverno 2026, “o maior volume de recursos já aplicado pelo município para enfrentamento dos efeitos das chuvas”. O plano reúne ações de micro e macrodrenagem, limpeza de canais, implantação de sistemas de bombeamento, contenção de encostas e urbanização de áreas vulneráveis, reforçando a estratégia de prevenção e proteção da população diante de eventos climáticos cada vez mais intensos. O problema é a falta de educação ambiental da população.

É que, sem educação ambiental, as pessoas permanecem tratando os canais – que um dia foram riachos – como lixões. Já o poder público não fica atrás, na questão sujeira. É que embora retire toneladas de resíduos dos ex riachos, permanece tratando-os como fossa, já que a cidade não possui saneamento como deveria, e os canais e rios se transformam em esgotos a céu aberto. Uma situação incompatível com o século 21 e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Em tempo: nesta semana, o Instituto Trata Brasil divulgou a relação de dez municípios brasileiros que investem mais em saneamento do que estabelece o Plano Nacional de saneamento básico. E o Recife não está entre eles.

 

Abaixo, mais informações sobre nossas águas, descarte irregular de lixo e falta de saneamento.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Marlon Diego/ PCR e Genival Paparazzi / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

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Um comentário

  1. A educação ambiental tem que ser intensificada cada vez mais nas escolas, principalmente nas periferias. Campanhas educativas ao longo do ano. Intensificar os depósitos de lixo, assim como se faz em boa viagem, campanhas, lixo no saquinho…etc.

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