Chuva alaga o Parque da Tamarineira. Será que é para ficar assim mesmo?

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É um parque diferente dos mais recentes, implantados na gestão João Campos, que parecem padecer de excesso de solos impermeáveis, recobertos com cimento colorido para dar na vista. Mas… com 105 mil metros quadrados e muito verde – aliás, o último que resta no bairro – o Parque da Tamarineira, ao que parece, não conta com sistema eficiente de escoamento de água, pois fica com áreas inundadas até mesmo com pouca chuva.

Com os temporais dos últimos dois dias, a situação piorou, segundo imagens divulgadas em várias redes sociais, nas quais se afirma que a pressa de inaugurar deu nesse problema.  Talvez sim. Realmente, a segunda etapa foi inaugurada a poucos dias da desincompatibilização do Prefeito, que deixou o cargo para disputar a sucessão estadual. E houve muita correria para entregas, dias antes do socialista deixar a Prefeitura.

Não sou engenheira para avaliar. Mas a julgar pelas aparências, o Parque da Tamarineira enfrenta o mesmo problema registrado no passado no Parque da Macaxeira, também inaugurado  às pressas, pouco antes do então Governador Eduardo Campos (PSB) deixar o cargo para disputar a Presidência da República, o que fez no início de abril de 2014. Na época, o Parque da Macaxeira (100 mil metros quadrados) era o maior do Recife. E é, ainda hoje, um dos mais bonitos, pois as edificações da velha indústria têxtil desativada foram aproveitadas, restauradas e incorporadas à paisagem (foto abaixo).

Inaugurado na gestão Eduardo Campos, Parque da Macaxeira teve problema de drenagem e descargas elétricas

Mas os problemas – por conta da pressa da entrega (falha de planejamento ou vício de construção?) – viriam logo em seguida: a cada chuva, o Parque da Macaxeira inundava, e teve que ser fechado ao público para implantação de sistema de drenagem. Pior do que isso: em pouco tempo, devido aos vazamentos e à fiação embutida, os postes de iluminação começaram a liberar descargas elétricas, colocando em risco a segurança dos frequentadores, mesmo durante dias de sol. O parque teve que ser fechado de novo.

Como se vê – “lá e lô” – a pressa é inimiga da perfeição. E a política, como sempre, dá prioridade ao que se olha e não ao que realmente importa. Ao que o eleitor pode ver (pontes, viadutos, parques com concreto colorido) e não ao que é preciso se fazer (como obras de drenagem, saneamento básico). Vamos aguardar explicações técnicas do poder público para, enfim, sabermos o que acontece no Parque da Tamarineira, o mais interessante e realmente verde, implantado na gestão socialista, e que manteve 86 por cento do solo permeável (o que é uma raridade nessa cidade).

A população está ligada. “Inaugurações à véspera das eleições viram palanque eleitoral, com prejuízo para a população. Lamentável”, desabafa Sofia de Paula Lopes, assistente social. Já o professor e guia turístico Alexandre Trindade, relata que o alagamento deixa rastro perigoso. “Fui ver um filme no ETC e na volta, passei no Parque da Tamarineira. O acúmulo d’ água criou um lodo (musgo)… Não prestei atenção, levei um escorregão e só não caí porque consegui me equilibrar”. Para a socióloga Lélia de Maria, o gestor – agora candidato a governador – faz tudo “a toque de caixa”. E critica: “O importante para eleé mostrar ao povo a aparência. Depois, ela se revela defeituosa, mas aí ele já mostrou em enganou”.

Ele disse que aconteceu por volta de 16h30 da quarta-feira. Os parques da Tamarineira e da Macaxeira  ficam na Zona Norte do Recife. Nos links abaixo, mais informações sobre chuva  dos últimos dias e sobre parques da cidade.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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