As torneiras secas viraram um problemão para Pernambuco. E os colapsos no abastecimento afetam não só a população (foto acima), como também o setor produtivo. Nesta semana, em mais uma edição do Projeto Fala Pernambuco, da Assembleia Legislativa, a falta d´água foi apresentada por representantes do Polo de Confecções do Agreste como um dos fatores que atrapalham o desenvolvimento daquela zona de transição entre o Agreste e o Sertão. A região – formada por municípios como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Caruaru e cidades vizinhas – é reconhecida pela pujança da indústria (de roupas), do comércio e da oferta de empregos
A falta d´água foi apresentada como um dos “entraves” para o crescimento de “pequenos negócios” pelo Prefeito de Toritama, Edilson Torres, que também é empresário do setor. Localizada a 171 quilômetros do Recife, Toritama é conhecida pela produção de artigos de jeans. Já o empresário Josivam Ramos, de Santa Cruz do Capibaribe, aponta os problemas no abastecimento como um gargalo para o Polo de Confecções. “Em Santa Cruz do Capibaribe, nós temos 28 dias sem água e dois com”, reclama. “Em alguns bairros, a água não chega há anos e o abastecimento é feito sempre de carro pipa”, entrega. Localizada a 191 quilômetros do Recife, Santa Cruz do Capibaribe é a cidade pioneira na indústria de confecções do Agreste, e tornou-se conhecida pela sua famosa feira da “sulanca”.

Distantes 20 quilômetros uma da outra, as duas cidades se ressentem dos “apagões” no abastecimento. O Presidente da Alepe, Eriberto Medeiros (PP), prometeu enviar as demandas dos dois municípios ao governo de Penambuco. Será que adianta? Torneira seca afinal não existe só no Agreste. É uma realidade recorrente no estado. Mesmo na Região Metropolitana, incluindo-se o Recife, é comum observar-se pessoas procurando água em caminhões, parques ou cisternas. Mas a Compesa garante que, com as últimas chuvas, vai ser reduzido o rodísio na RM. Olinda, Paulista, Igarassu e Abreu e Lima terão mais água a partir da segunda-feira (16/08). Em alguns locais, sim. Em outros, não. Cerca de 250 mil pessoas serão beneficiadas, de acordo com a Compesa. Em alguns bairros de Olinda, por exemplo, o abastecimento será diário. Você pode conferir o calendário de abastecimento a partir da segunda, no Site da Compesa (www.compesa.com.br).
Segundo a Compesa, em Olinda, bairros como Rio Doce, Jardim Atlântico, Casa Caiada, Bairro Novo e Ouro Preto terão água diariamente. Nas demais localidades, o que ocorrerá é o aumento do tempo médio de abastecimento. Ou seja, muita gente ainda ficará a ver navios. Ou melhor, a ver torneiras secas. Em Olinda, a oferta maior beneficiará 130 mil pessoas, “atingindo uma cobertura de 35 por cento do município”. O que significa um percentual ainda bem aquém das necessidades reais. Em Paulista, a “melhora” também não parece ser tão grande. Pois há bairros – como Artur Lundgren – que passarão seis dias de torneiras secas e apenas dois abastecidos. No Janga, serão três dias com água, cinco sem, o que não é muita coisa. Em Abreu e Lima, bairros como Caetés Velho e Timbó passam a ter um dia com água e três sem. Ou seja, a população não só do Agreste como também do Grande Recife ainda vai ter muito o que penar em busca de um direito tão básico que é o acesso à água. Na Zona Norte, há alguns dias dez bairros passaram dez dias no seco, incluindo o meu, Apipucos (foto central). Felizmente, já voltou.
Mas que foi um sufoco, foi… Imaginem, então, enfrentar sistematicamente o “apagão” no abastecimento. Ainda mais em tempos de pandemia, quando a gente tem que lavar as mãos quase o tempo todo. Ou então… haja álcool gel.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Antônio Cabral da Silva/ Foto do leitor
