Com seus 240 quilômetros de extensão – há quem diga que seriam 280 – o Rio Capibaribe recebe uma carga descomunal de esgoto doméstico, ao longo do percurso que corta 42 municípios pernambucanos.
Como se isso não bastasse, a própria população costuma usar o rio como lixeira, atirando-lhe resíduos sólidos de todos os tipos: garrafas, latas, animais mortos, mobílias velhas, monitores de TV e computador, todo tipo de descarte. Um horror.
Além disso, há trechos onde o Capibaribe se encontra muito assoreado por conta do despejo de esgoto doméstico. De acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 28,9 por cento da população do estado tem acesso à rede de saneamento, enquanto só 28,4 por cento do que é gerado chega a ser tratado. Por aí, já dá para se perceber não só a situação do Capibaribe mas de todos os outros rios de Pernambuco e, principalmente os do Recife, cidade onde o adensamento popular é maior. No caso do Capibaribe, ele enfrenta, ainda, a ocupação irregular de suas margens, destruição de manguezais e construção de empreendimentos em áreas que deveriam ser protegidas. Essas construções vão de grandes centros de compras em áreas aterradas a condomínios de luxo, embora as autoridades costumem atribuí-las só às chamadas populações ribeirinhas, de baixa renda que moram nas margens do rio. A notícia de construção grande irregular mais recente chega do município de Limoeiro, localizado a 77 quilômetros do Recife. Natural de Limoeiro – onde reside parte de sua família – o fotógrafo Genival Paparazzi documentou a construção de um prédio praticamente no leito do Capibaribe, que passa naquela cidade.
É um edifícilo grande, sobre pilastras até agora com quatro andares. O #OxeRecife telefonou para a assessoria de imprensa da Prefeitura, para indagar a quem o prédio pertence, quem é o responsável pela construção, se é regular ou clandestina. Em sendo clandestina, se houve alguma interdição. A resposta foi lacônica: “interditado”. E só.

Para chegar àquela altura com certeza houve omissão dos órgãos públicos, porque não há como não se detectar uma construção daquelas proporções nem cidades maiores , quanto mais em uma localizada no interior, como é o caso de Limoeiro. Resta saber se a Prefeitura vai deixar lá o monstrengo ou se vai demolir a construção irregular e invasiva.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Genival Paparazzi / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com
