Garimpei essa cena nas redes sociais. Melhor dizendo, no Instagram do “Peixinhos News”, que publicou esse flagrante, que é um verdadeiro atentado ao direito do cidadão e, por consequência, ao do pedestre. O fato chamou logo a minha atenção, pois já testemunhei no bairro de Casa Forte, um acidente semelhante e tão assustador quanto este da foto acima, que aconteceu no bairro de Peixinhos. Só não sei se do lado que fica no território de Olinda, ou no do Recife.
Mas como as calçadas da nossa cidade deixam muito a desejar, acho que esse tipo de acidente é digno de registro, seja lá ou lô. No caso dessa moça, acredito que a tampa dupla já estava separada, fato muito corriqueiro no Recife e provocador de acidentes. Já vi um outro pior. O pedestre confiou no poder público, pisou em uma tampa dupla, logo no meio. A tampa cedeu, ele ficou com a perna presa e fraturada, e foi socorrido pelo Samu, na Avenida Dezessete de Agosto. A cena nunca saiu da minha cabeça, e por esse motivo eu evito pisar nessas tampas de concreto de galerias pluviais. E aconselho todos que conheço a fazer a mesma coisa. Pois algumas parecem ser feitas de areia. “Derretem” pouca semanas após a colocação. Quanto às tampas afastadas, são centenas na cidade. A gente vê em todas as calçadas. Agora, em bloco de carnaval, no meio da multidão, quem sabe que debaixo do pé tem um buraco?
Peço licença ao Peixinhos News, para republicar a postagem. Não tenho notícias dessa moça, se fraturou ou não a perna. Mas é provável que tenha se machucado bastante. E à medida que essas coisas acontecem, o direito do cidadão está sendo violentado. É verdade que excetuando-se às calçadas de órgãos oficiais, a manutenção desses espaços é de responsabilidade dos proprietários dos imóveis a que pertencem. Mas essas tampas de galerias pluviais são colocadas pela Prefeitura, que deveria zelar pela qualidade do produto e não relaxar na manutenção. Eis um bom exemplo do que ocorre com essas tampas de concreto no Recife, na foto abaixo.

Essa via aí da foto acima passou recentemente por obras. E a calçada, por requalificação. Se algum desavisado pisa no meio dessa tampa, ela cede mais e o que vai acontecer com ele? A mesma coisa que aconteceu com o pedestre da Av Dezessete de Agosto (em Casa Forte) ou com a menina foliã de Peixinhos. Portanto, todo cuidado é pouco por onde se pisa em vias públicas. E falo com conhecimento de causa, pois já imobilizei meu pé cinco vezes por conta dessas calçadas assassinas, ao longo de várias gestões municipais (não só na atual não…) Resta dizer que, das duas coisas uma: ou falta fiscalização ou sobra conivência da Prefeitura com obra mal feita e sem durabilidade. Quem ganha com isso? Taí, uma pergunta que falta responder. E abordo aqui o assunto, porque esse tipo de risco não é caso isolado não. É generalizado… pelo menos, no Recife.
Eu, que costumo caminhar todos os dias, posso assegurar que a gente vê mais tampas de galerias bagunçadas – quebradas, mal colocadas, afastadas – do que as que seriam tecnicamente perfeitas. Será que essas tampinhas sinistras cumprem o que prevê a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)? Cadê a fiscalização, cadê o CREA, cadê o Ministério Público, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e os vereadores dessa cidade, muitos dos quais só fazem postar palhaçadas no Instagram? Afinal, pedestre também é gente e calçada segura é direito do cidadão. E, como lembra a publicação “10 Mandamentos do Pedestre Recifense”, todos nós, andantes, temos o direito “inalienável de transitar por calçadas acessíveis, desobstruídas, sinalizadas, seguras, visualmente permeadas com os lotes limítrofes, sombreadas de dia e iluminadas à noite”.
Então… Vamos cobrar do poder público o que é de nosso direito? Afinal, o IPTU está com valor pela hora da morte, não é? Abaixo, alguns links que selecionei sobre o assunto, inclusive o terceiro, que é justamente sobre o rapaz que ficou com a perna presa e teve que ser socorrido pelo Samu. Esse caso, fui testemunha ocular. O primeiro e o segundo links mostram a omissão dos órgãos públicos com o mesmo tipo de equipamento no centro da cidade. Fiz um registro em novembro, e em janeiro o buraco estava lá. Na calçada no entorno do Teatro do Parque, onde os espectadores fazem fila até os portões abrirem.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Peixinhos News (Redes Sociais) e Letícia Lins / #OxeRecife
