Cidadania a pé está difícil

Em abril, noticiei aqui que torci o pé na Rua Amélia, no bairro das Graças, quando caminhava em um trecho já requalificado pelo Projeto Calçada Legal.  Em casa, principalmente à noite, botava a botinha para não magoar o que já estava magoado. Porém precisei engessar o pé como no último acidente, mas fui proibida pelo ortopedista de fazer longas caminhadas por um mês, até me recuperar por completo da lesão do ligamento “talofibular anterior”, um problema bem mais leve, felizmente, do que fratura na fíbula, provocada em um outro acidente em uma calçada assassina, na Rua Jocó Velosino, no bairro de Casa Forte.

Voltei a caminhar devagar, mas voltei, como é do meu costume. Tenho percorrido a cidade, mesmo sem as habituais caminhadas em grupo, suspensas devido à pandemia, permaneço com o hábito saudável da caminhada matinal, quando colho também informações da situação das ruas da cidade aqui para o #OxeRecife.  Pois vejam só o risco que vi hoje. Na foto acima, a calçada ficou tão perigosa que o pedestre está se arriscando a sofrer um atropelamento no trânsito, para se livrar de quebrar o pé. A calçada fica na Estrada do Arraial, na altura da Vila dos Comerciários, bem pertinho da parada do ônibus. Um horror. O pior é que a erosão provocou dois buracos e há partes que estão cedendo, com visíveis rachaduras no concreto. Ou seja, o pedestre corre o risco de afundar com tudo. Então, vai pelo asfalto para não cair, como vocês observam na foto superior.

Tampas duplas de galerias pluviais são um risco, como essa na calçada do Hospital Maria Lucinda, no Parnamirim.

Hoje, andando, encontrei várias armadilhas, daquelas que qualquer pessoa pode cair, principalmente à noite ou se tiver baixa visão. Vejam só que perigo, também, na esquina da Rua João Santos Filho com a Avenida Rui Barbosa. Pior, em frente à entrada de um hospital. No caso, o Maria Lucinda. Quem chega em um hospital, já é porque precisa de atendimento, já não está bem. E ainda corre o risco de sofrer um acidente. Ou seja, depois do coice, a queda.

Realmente, esta é uma situação inaceitável, mas não é incomum.  Outra coisa, a gente, que paga imposto para ter serviço de qualidade, fica sem entender qual o tipo de material utilizado nessas tampas duplas de galerias pluviais nas nossas calçadas (foto central). Normalmente cedem no meio, ficam com ferragens expostas. E até parecem que ao invés de concreto, foram confeccionadas com areia. Já presenciei um acidente horrível com uma tampa de bueiro dessas, na Avenida Dezessete de Agosto. O rapaz pisou no meio, ela cedeu e ele ficou com a perna presa entre as duas tampas. Precisou de Samu. Uma cena que jamais esqueci, e que pode se repetir em qualquer local da cidade. Quem for  besta que pise, em uma estrutura dessa. Eu não confio…

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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