Está difícil. A sanha de eliminar árvores não é só no Recife não. Pelas minhas redes sociais, tenho recebido denúncias escabrosas do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, e até do Pará, naquele que eu considerava um dos últimos paraísos do Brasil: Alter do Chão, onde a especulação imobiliária começa a avançar.
Alter fica em Santarém, sendo que o distrito está a 35 quilômetros do centro urbano daquele município, localizado a 1.217 quilômetros de Belém. É um dos lugares mais incríveis que já visitei na minha vinda e pelo qual me apaixonei perdidamente e ao qual pretendo voltar em breve: natureza, matas, banhos de rio, igarapés cristalinos, botos circulando ao meu redor, na vida selvagem enquanto o sol se punha. Constitui uma APA (Área de Preservação Ambiental) e, portanto, suas árvores não podem ser erradicadas. A não ser com licenciamento dos órgãos competentes.

Pois foi de lá que me chega a última denúncia de arboricídio coletivo. Cinco árvores na praia de Jacundá morreram e há indícios que foram envenenadas com substância química. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santarém esteve no local no último dia 2, e constatou perfurações nos troncos das vítimas. O caso está sendo apurado. O que importa é que a sociedade está mobilizada. E os atentados contra o patrimônio verde das cidades- a exemplo do que faz em Pernambuco o #OxeRecife – vêm sendo denunciados por pessoas físicas ou instituições nas redes sociais. E a troca de informações vem crescendo entre a gente, o que me anima, e mostra que defender o verde é um dever de toda sociedade.
E denunciar é uma forma de intimidar os “fundadores” desses tristes “cemitérios”. E parece que a motosserra está rolando solta, lá pelo Pará. E a madeira clandestina, escoando pelas rodovias, pois não é raro que cargas recolhidas venham de lá. Hoje mesmo, a Polícia Rodoviária Federal divulgou a apreensão de cem metros cúbicos de madeira ilegal. A carga foi interceptada na madrugada da terça-feira, na BR 232, no município de Sertânia, que fica a 316 quilômetros do Recife.

Eram dois caminhões carregados, que haviam saído de Belém com destino aos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Surubim, ambos do Agreste de Pernambuco. No primeiro caso, havia 38 metros cúbicos de madeira serrada sem o Documento de Origem Florestal (DOF). O outro carregava a parte restante, sem DOF e sem nota fiscal. Ou seja, madeira provavelmente clandestina e de origem criminosa. A PRF emitiu os devidos TCOs (termos circunstanciados de ocorrência) por crimes ambientais, recolheu os veículos, e comunicou o fato aos órgãos ambientais. A madeira deve ser doada a instituições sociais ou de ensino e pesquisa.
Veja o que diz o vídeo, da RBATV, do Pará, que consta no YouTube. Nos links, arboricídios registrados pelo #OxeRecife forada capital pernambucana. Fique ligado. As árvores e florestas são patrimônio da humanidade e esta não tem o direito de acabar com elas.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Polícia Rodoviária Federal (PRF), Letícia Lins (Acervo #OxeRecife) e redes sociais (Alter do Chão)
Vídeo: RBATV / YouTube
