Como diz a gíria, todo mundo está “careca” de saber que a Praça de Casa Forte é um jardim histórico e, mais do que isso, é tombada pelo IPHAN. Portanto, tem muita importância não só como área verde em uma cidade cada dia mais verticalizada, como também por ser o primeiro projeto paisagístico de jardim público criado por ninguém menos que Roberto Burle Marx (1909-1994) no início do século passado , quando ele era então jovem de talento promissor que depois se tornaria um dos mais respeitados paisagistas do mundo. Mas isso não parece ter importância para o motorista desse veículo aí da foto acima.
Bandalha? Acidente? Velocidade acima do permitido? Desrespeito à Lei Seca? O que finalmente aconteceu com o motorista que caiu nessa lâmina d´água, na Praça de Casa Forte, na noite de quarta-feira? Ou se achava um poderoso guiando um carrão, ou então perdeu as contas dos copos que bebeu. Pois essa área que no passado era povoada de vitórias régias e que hoje tem nenúfares e outras plantas aquáticas não fica assim tão perto do asfalto. Para ter saído da pista, e ter parado ali, o motorista passou por cima de canteiros, de caminhos de terra de pedestres e “escalou” degraus para chegar onde chegou. Ou então, deu um cavalo de pau e foi parar onde não devia.
Não estive na Praça ontem, que costumo frequentar em caminhadas e por ser o local onde faço aulas de Pilates. Hoje de manhã passei de carro no local, vi algumas pessoas – motoristas de táxi – mas ninguém sabia explicar o que houve realmente. Mas que é estranho, é… pois ali não se circula em alta velocidade. Será que esse foi o caso? Se foi, o motorista merece ser multado. Veio-me logo a lembrança dois fatos semelhantes. O primeiro, aquele em que um carro desgovernado atingiu nossa graciosa e antiga estação de trem da Ponte D’Uchoa, no bairro das Graças, que também é tombada. O segundo, aquele mais recente, que aconteceu na praia de Canoa Quebrada, no Ceará, quando o comerciante Valécio Nogueira Granjeiro deu um salto de dez metros de altura, em uma camionete Ford Ranger Raptor. Ganhou a mídia nacional e internacional.

Granjeiro saltou de uma duna. O que, segundo os especialistas, causou o impacto de um peso 26 toneladas sobre o solo. Tanto que os quatro pneus estouraram, o capô avariou e o próprio motorista foi multado em R$ 2.934 por demonstração de “manobra perigosa”, por dirigir a 130 quilômetros por hora e saltar do alto de uma duna, equivalente a um prédio de três andares. Louco ou irresponsável? Outra pergunta: e se no momento em que ele “voou” passasse um buggy com turistas, como é comum acontecer nas dunas do Ceará? Na verdade, como a velocidade era muito grande, ele voou sobre um veículo amarelo, com um grupo de turistas que estava na parte inferior da duna.
E se o voo tivesse sido mais curto, vocês imaginam o tamanho do desastre? Pelo menos cinco pessoas teriam sido esmagadas. E em Casa Forte, se houvesse pessoas – e até crianças como é comum acontecer – nos passeios da Praça? Tanto em um caso como outro, os motoristas colocaram em risco as próprias vidas e as de outras pessoas. No caso do Ceará, o condutor teve um desmaio devido ao impacto. No caso da Praça, não consegui localizar o responsável pelo veículo. Mas que os dois merecem punição, ah… isso merecem. Veja, abaixo, a imagem que recebi por ZAP. Segundo depoimento de populares, motorista achou que estava entrando em um retorno. Aí… é demais, né?
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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
Vídeo: recebido de leitores via ZAP
