Mais um chalé se acabando: IEP sem lambrequins e com cupins

 Mais um chalé se acabando: IEP sem lambrequins e com cupins

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É uma pena o que está acontecendo com os antigos chalés do Recife. Muitos estão caindo, cedendo espaço à especulação imobiliária, desaparecendo do mapa. Outros são relegados ao abandono, como é o caso do Chalé do Prata, que fica no interior do Parque Estadual de Dois Irmãos, e que está quase desabando. Há, ainda, os que são usados por órgãos públicos, mas que nem por isso encontram-se em boas condições. E um que está em processo rápido de deterioração é o que ocupado pelo Ibama. Vejam como era o casarão antigamente, na foto abaixo.

Dos lambrequins do chalé, que é um IEP (imóvel especial de preservação) só resta a lembrança em fotos antigas.

O chalé fica no número 1057, na Avenida Dezessete de Agosto, Casa Forte, Zona Norte do Recife. Do Chalé Sant´Anna, datado do início do século passado (1923) restam as lembranças dos tempos que era ocupado por Richard Patrick Conolly, cidadão de origem britânica que escolheu o bairro de Casa Forte para residir com a família. Naquela época, era comum que ingleses residissem em Casa Forte, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos. Esses bairros eram muito arborizados e tinham clima mais ameno do que os outros bairros do Recife, atraindo estrangeiros europeus.

Eram tempos em que o Rio Capibaribe se apresentava cristalino e muita gente o utilizava como praia. Os ingleses trabalhava em companhias como as de abastecimento, de eletricidade, linhas férreas, telégrafos. O chalé que pertenceu à família Conolly é ocupado há um bom tempo pelo Ibama, mas está cada dia pior. E a situação só fez se agravar nos três últimos anos. Primeiro, caíram os lambrequins.  Eles já nem mais existem. Na foto abaixo, antiga, dá para se perceber como eles ornavam fachada e laterais do chalé. Depois,  sumiram as treliças das janelas.

Cupins estão destruindo as peças de madeira desse chalé, ocupado pelo Ibama. Todos os lambrequins já se foram.

Agora até as madeiras do alpendre estão apodrecendo, destruídas por cupins. Pelo que está aparentando, o governo federal tem tanto “cuidado” com o patrimônio arquitetônico que ocupa quanto com as florestas brasileiras. Ter a sede de um órgão tão importante caindo aos pedaços – como ocorre com a do Ibama no Recife – deve ser parte da estratégia de desmonte do órgão fiscalizador.

As laterais do chalé Sant´Anna estão em petição de miséria, infelizmente. Lembrança da presença inglesa no Recife.

O chalé onde funciona o Ibama é considerado pela Prefeitura do Recife como “imóvel especial de preservação” (IEP), integrando uma lista de 42 sob as mesmas condições, que ficam no Bairro de Casa Forte. Então, é bom fiscalizar. Se não… vai cair!  Embora com arquitetura sob influência europeia, os chalés que existem no Recife proliferaram no início do século passado, quando produtores rurais começaram a se radicar na capital, onde queriam desfrutar do mesmo conforto do interior.   Os chalés eram amplos e arejados, possuíam alpendre,  quintal e jardim. Normalmente possuíam grades de ferro ornamentando seus muros e abusavam de ornamentos de madeira – como os lambrequins – que davam uma graça toda especial aos imóveis.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife e Internet

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