A urbanização desconstrolada e o avanço das formigas-de-fogo no Brasil

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Nem só de problemas como inundações, ilhas de calor, poluição, desmatamento, selvas de concreto vivem as grandes cidades brasileiras. Além de fatores como estes, a urbanização descontrolada vem mudando até as áreas de ocorrência de formigas. Estudo que acaba de ser divulgado por pesquisadores da Universidade Federal de Mogi das Cruzes (SP) indica invasão de formigas-de-fogo no Brasil. O trabalho chama a atenção para impactos ambientais, e alerta a população com aproximação que vem acontecendo ao longo das últimas décadas, pois o inseto tem picada bastante dolorosa, que costuma causar bolhas e fortes reações alérgicas

As espécies das formigas investigadas são a “Solenopsis saevissima” e a “Solenopsis invicta”. A primeira, nativa das áreas de florestas da Amazônia, ganhou terreno ao longo dos anos e atualmente pode ser encontrada em 16 estados, entre eles Rio Grande do Norte, Alagoas e Espírito Santo, locais em que foram registradas recentemente. Já a “invicta”, originalmente concentrada mais nas áreas alagadas do Pantanal, avançou para 11 estados, sendo recentemente vista no Rio de Janeiro, Piauí e em Sergipe. A constatação da invasão dessas espécies de formigas-de-fogo foi possível após o grupo de pesquisadores analisar mais de quatro mil registros, entre levantamentos de campos e outros dados de coleções biológicas de diferentes estados brasileiros num período que abrange 124 anos.

“Revisamos e analisamos informações do ano de 1900 a 2024 e separamos as informações em cinco décadas, para entender e reconstruir de forma detalhada a trajetória de dispersão dessas espécies. Assim, pudemos identificar padrões relacionados às transformações ambientais, a partir da utilização de coordenadas geográficas para a geração de mapas e modelos que nos deram os padrões de expansão de ambas as espécies, bem como sua relação com a fragmentação da paisagem ao longo do tempo”, explica Victor Hideki Nagatani, pós-graduando da UMC e um dos autores do estudo, publicado no periódico científico Biological Invasions.

O grupo que investiga as formigas, inclui, ainda, biólogos e pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), do Museu Paraense Emílio Goeldi, da UNESP de Rio Claro e do Kompetenzzentrum für Biodiversität & Integrative Taxonomie der Insekten – Institut für Biologie, Universität Hohenheim, da Alemanha. A pesquisa Ele integra um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp – Processo nº 2023/17547-4).

Nagatani destaca que os resultados das análises apontam que fatores como a urbanização e a fragmentação de habitats naturais tiveram e seguem tendo papel central nesse processo: “Essas mudanças no uso do solo criam condições favoráveis para a expansão das formigas, que apresentam elevada capacidade de adaptação e competição com espécies nativas, causando impactos negativos à biodiversidade, para além do risco à saúde pública, provocado pelas ferroadas e reações severas em humanos”. Os achados da pesquisa dão mais um importante sinal de alerta sobre como as ações humanas influenciam diretamente a dinâmica dos ecossistemas, além de reforçarem a importância do monitoramento de espécies invasoras, como as formigas-de-fogo. Como se já não nos bastassem os excessos de cupins em áreas urbanas e mosquitos como o “Aedes aegypti”, antes restritos às matas.

Nos links abaixo, informações sobre alguns insetos e outros pequenos animais.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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