A troca do Homem da Meia Noite pela La Ursa da Orquestra Malassombro

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E eu… que troquei O Homem da Meia Noite pelo Malassombro. Estava domingo no Recife Antigo, aguardando o desembarque do mais famoso calunga do carnaval pernambucano, mas tive que sair mais cedo do que o pretendido pois planejara um encontro com vários tipos de frevo, até mesmo um para defunto. É que enquanto o clima de carnaval fervia a partir do Marco Zero do Recife, no Teatro do Parque – no bairro da Boa Vista – a Orquestra Malassombro fazia o show de lançamento do seu terceiro álbum, “Recife, começo, meio e fim”. Sinceramente, não me arrependi de ter deixado a festa de rua para trás, pois o show foi muito bom, e movido a frevo com direito a passistas, flabelo e até La Ursa. A La Ursa, aliás, foi um show à parte, comandado pela flauta mágica de Henrique Albino.

A Malassombro está, realmente, assombrosa. O show só não foi melhor porque como quase todas as músicas são inéditas, o engajamento do público limitou-se, em sua maior parte, a acompanhar o ritmo com palmas, ou mesmo dançando como ocorreu ao final do espetáculo que começou como um bloco de carnaval passando no meio da plateia. Os artistas convidados também deram sua contribuição para abrilhantar o show: Surama, com abordagem racial do frevo; Laila Campelo, com seu violino; Flaira Ferro, com a arte da leveza na voz e no corpo; Karlson Correia, com seu vozeirão, cantando um frevo fúnebre.

E ainda o instrumentista Henrique Albino, que transformou o popular refrão “a La ursa quer dinheiro quem não der é pirangueiro” em show à parte. Albino deixou transbordar seu carisma e sua genialidade com seu quase invisível instrumento para quem estava nas filas finais, como era o meu caso). Ele me fez lembrar o saudoso  pianista Arthur Moreira Lima, quando ao final de seus concertos eruditos, atacava de “Ciranda, cirandinha” ou outra qualquer do cancioneiro popular, quando era ovacionado pelo público. Palmas, também, para o Maestro Rafael Marques. Antes, a Malassombro havia lançado dois álbuns, Orquestra Malassombro (2022) e Frevo também é procissão (2024). No atual, há de tudo um pouco, frevo-canção, marcha-rancho, frevo de bloco clássico, até um inédito frevo fúnebre. Sobre ele diz o Maestro:

Pro bem e pro mal  é um frevo fúnebre. Quando compus melodia e harmonia, a referência foi o Réquiem de [Amadeus] Mozart (1756-1791), com um contexto diferente e incomum ao gênero. A música aborda a morte, a perpetuação, a vida e tudo que passa. A letra é de Juliano Holanda, com interpretação de José Karlson, cantor erudito.

Além de Pro bem e pro mal,  tem Recife, início, meio e fim, Quentura demais,  Dona do meu cordão, A La Ursa vai pegar você , Sem teu amor , Parece kung fu, Frevo retinto, Todas as ruas. E ainda Sabe trabalhar (esquete de 30 segundos, criada pelo coro como mote para caracterizar, de forma bem-humorada, a habilidade de trabalhar durante a jornada musical. Bordão de ensaios e apresentações, virou música no álbum, o que não é comum. A Orquestra Malassombro ainda não divulgou a agenda das próximas apresentações.

No vídeo abaixo, confira a La Ursa vai pegar você, com a flauta de Henrique Albino.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Letícia Lins / #OxeRecife
Vídeo: Imagens de  @porjady

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Um comentário

  1. Sou mais povo. Prefiro o carnaval participativo ao assistido. Gosto do corpo a corpo, de sentir o braço suado do outro esbarrando em mim.
    Quanto a La Ursa, amo. Mas na rua, na praia, nos mercados, solta na vida como a conheci.

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