Entre “Mary Stuart” e a “Hospício” das loucas calçadas no entorno do Parque

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Enquanto se noticia a polêmica “privatização” da Avenida Guararapes, o resto do centro do Recife permanece à míngua, e o descuido se reflete nas pequenas coisas. No último sábado fui ao Teatro do Parque, para assistir “Mary Stuart“,  peça que constou na excelente programação do Festival Recife de Teatro Nacional, que terminou no domingo , e que democratizou o acesso da população às artes cênicas: todos os espetáculos foram gratuitos. Bastava levar um quilo de comida não perecível.

Bingo para a Secretaria de Cultura do Recife, pois  estava tudo muito organizado, sem atropelo, apesar da gratuidade. Fila para jovens, fila para idosos. Espetáculos de nível. Muito bons mesmo. Porém a tristeza fica por conta do abandono  que a gente percebe em frente aos nossos teatros. Como se não bastassem as pedras portuguesas soltas na calçada do Santa Isabel, na do Teatro do Parque a situação é ainda pior. Buracos, tampas de galerias pluviais irregularmente posicionadas, mendicância, sujeira. Cheguei bem cedo ao Teatro do Parque – pois como os espetáculos são de graça, a demanda é grande – e fiquei na fila imensa, aguardando a abertura da bilheteria e dos portões. E aí, foi quando presenciei os tombos bem pertinho de onde eu estava. Com a calçada cheia de gente, os pedestres não percebiam o desnível e teve muita gente quase caindo, torcendo o pé, tropeçando. Sinceramente, é muito triste mas muito triste mesmo, a situação da área central da cidade. Porque o abandono, pelo que se vê, percebe-se através de coisas tão pequenas e obrigatórios, como a manutenção de nossas calçadas. Eu, por exemplo, já precisei imobilizar meu pé umas cinco vezes por conta de calçadas irregulares.

Como pedestre e cidadã sei, portanto, o quanto elas precisam ser seguras.  E isso é o mínimo que um órgão público, no caso a Prefeitura, precisa garantir. Há de se dizer que o responsável pela calçada é o dono do imóvel.  O Teatro do Parque é uma casa de espetáculos da municipalidade. Portanto, tem a Prefeitura a obrigação de preservar a calçada. Não é a primeira vez que me posiciono, aqui nesse espaço, sobre essa questão. Olhem só a foto vertical: pedras soltas, remendos grosseiros com cimento, piso com desnível… Um horror.

Não é de hoje que nós, através do #OxeRecife, chamamos atenção para as deploráveis calçadas da Hospício

Tantas calçadas já foram requalificadas pelo Programa Calçada Legal, em bairros sofisticados como Casa Forte e Graças, por que o benefício não chega ao centro, antes tão popular, e cada vez mais esquecido? Depois os órgãos públicos inventam situações mirabolantes para acabar com o marasmo de bairros como Santo Antônio (onde fica o Santa Isabel e a Guararapes) e Boa Vista (no qual está o Teatro do Parque).. Mas não é preciso inteligência nem grandes planos para nos garantir pelo menos um passeio público digno, não é mesmo? Cadê o Prefeito João Campos, cadê o Recentro, cadê a Emlurb, a Autarquia de Limpeza Urbama e Manutenção do Recife?. Estão fazendo o quê?

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Quem chama isso de calçada….
Pedras nada portuguesas
Santo Antônio sem pedras portuguesas

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Priscila Prade (Divulgação) e Letícia Lins (#OxeRecife)

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