Chalés do Carmo não serão do Elefante de Olinda. Veja a nova sede do Clube

Compartilhe nas redes sociais…

Os chamados Chalés do Carmo são lindos. E desde que publiquei  aqui que o Governo de Pernambuco vai restaurar o conjunto arquitetônico secular (foto antiga, acima), que choveram indagações se eles serão utilizados como sede do Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda. Não, não serão. Suas instalações sediarão uma unidade do Conservatório Pernambucano de Música e um Centro de Difusão do Carnaval, conforme já anunciou a Governadora Raquel Lyra.

Mas o Clube Elefante não ficará distante. Ele deverá ocupar duas casas, também antigas, que ficam vizinhas aos quatro imóveis. E por que toda essa confusão?  É simples. Os imóveis pertencem ao estado desde 1977, mas em 2022 o então Governador Paulo Câmara decidiu repassar o conjunto para o Elefante, através de projeto de lei 3717, enviado à Assembleia Legislativa. Pelo acordo, a agremiação se comprometeria a restaurar os imóveis e dar-lhes funções culturais adequadas. O Clube, no entanto, não conseguiu arregimentar recursos para as reformas e restaurações necessárias.

Também antigos, dois imóveis vizinhos aos Chalés do Carmo ficarão com o Elefante de Olinda: novas funções

Os quatro Chalés do Carmo ficam vizinhos a duas outras casas, também antigas. Pelo novo acordo, o Governo ocupará os quatro chalés  – Zulmira, Beatriz, Alice e Julieta – enquanto os dois outros imóveis ficarão com o Elefante. Assim, os números 646 e 654 ficarão com o clube, enquanto os chalés –  670, 680, 690 e 700 – passarão a ter novas funções atribuídas pelo estado, após anos seguidos de abandono e decadência.

De acordo com nota divulgada em suas redes sociais, o Elefante diz que após o diálogo com o Governo do estado, a agremiação “decidiu devolver os chalés do Carmo para que recebam o CPM e o Centro de Difusão do Carnaval”. O Clube informa que agora vai se movimentar para arranjar financiamentos para a restauração dos seus dois prédios. “Depois de 70 anos, o sonho de sede própria começa a ganhar forma. Já realizamos os trâmites burocráticos com o governo do estado e vamos partir para captar recursos e desenvolvimento de projetos de restauro, além da retirada de ocupantes irregulares”.

Desocupados e em ruínas, os Chalés do Carmo terão novas funções, mas restauração demora: burocracia.

Os chalés do Carmo têm história curiosa. Eles foram construídos entre os anos 1893 e 1894 pelo comerciante português João Fernandes de Almeida. No início do século 20, os casarões foram registrados, João decidiu denominar cada um deles com o nome das filhas, logo que doou os imóveis a Zulmira, Beatriz, Alice e Julieta. Os chalés viveram anos de abandono, depois sediaram parte do Fórum de Olinda e, desocupados, entraram em ruínas. Chegaram a ser utilizados em uma edição da Casa Cor, e foram mais uma vez abandonados.  Com a pretendida restauração e novas funções, a sociedade espera que os chalés tenham, enfim, o destino que merecem.

Nos links abaixo, confira informações sobre os Chalés do Carmo e sobre outros chalés existentes em Pernambuco.

Leia também
Chalés das Quatro Marias a caminho da restauração. Processo demora
O Recife perde um dos seus últimos chalés. No carnaval demoliram tudo!
Um  passeio pelos chalés do Recife
Licitação para restaurar Chalé do Prata será ainda em 2021
Casarão histórico do Sítio Caldeireiro será preservado
Mais um chalé de acabando: IEP sem lambrequins e com cupins
É grave a situação do secular chalé Sant Anna, IEP onde funciona o Ibama
Na rota dos velhos casarões
Casa Forte: Casarões em risco
Casas modernistas empatando tua vista
Chalé onde nasceu Paulo Freire? Veja qual era o chalé de sua infância
Sessão Recife Nostalgia: Mais um chalé demolido na nossa cidade
Chalé do Sítio  da Trindade, em Casa Amarela, muda de cor e vai abrigar memorial da verdade
Secular Magitot em ruínas na Várzea
Sabe o antigo Café Lafaiette? Veja o que ficou no lugar dele
Na rota dos velhos casarões
Sessão Recife Nostalgia: Solar da Jaqueira
Sobre outros imóveis antigos:
Demolição de marco da arquitetura moderna gera protestos no Recife
Sessão Recife Nostalgia: Demolido marco da arquitetura moderna
Casas modernistas empatando tua vista
Ameaçado, Sagrada Família pode virar IEP
Sessão Recife Nostalgia: Antônio Gomes Neto revive o passado do Recife
Sessão Recife Nostalgia: Armazéns do Caboclo, no bairro de São José
Sessão Recife Nostalgia: Armazéns do Caboclo
Sessão Recife Nostalgia: Casa Navio, papa-fila,Sorvete D’Aqui
Sessão Recife Nostalgia: Escolinha de Arte do Recife na Rua do Cupim
Sessão Recife Nostalgia: Demolido um dos marcos da arquitetura moderna
Sessão Recife Nostalgia: Nos tempos de O Veleiro, na praia de Boa Viagem
Sessão Recife Nostalgia: Os quintais de nossa infância
Sessão Recife Nostalgia: pastoril, Villa Lobos, e piano na Casa do Sítio Donino

Sessão Recife Nostalgia: os cafés do século 19, na cidade que imitava Paris
Sessão Recife Nostalgia: Maurisstad, arcos e boi voador
Sessão Recife Nostalgia: Ponte Giratória
Sessão Recife Nostalgia: Casa de banhos e o fogo das esposas traídas
Sessão Recife Nostalgia: o Restaurante Flutuante do Capibaribe
Sessão Recife Nostalgia: Sítio Donino e seu antigo casarão ameaçado
Casarão histórico do Sítio do Caldeireiro será preservado
Vamos visitar o ” rurbano” bairro da Várzea?
Bonde vira peça de museu e trilhos somem das ruas no Recife sem memória

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Internet e Acervo #OxeRecife

Continue lendo

Fechada desde 2024, Matriz de Santo Antônio é restaurada. Mas o Centro…

Vocês lembram dessa casa na Rua da Hora, Espinheiro? Virou uma coisa cinza…

Governo de Pernambuco corre para entregar casa de Capiba em outubro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.