Tudo acontece neste desgoverno. Depois do “desfile” militar da terça-feira que foi interpretado como um meio de tentar pressionar o poder legislativo, no dia da votação da PEC do voto impresso, o Presidente Jair Bolsonaro não tem, sequer, a humildade de reconhecer a derrota de uma iniciativa que representava nada mais do que um retrocesso no sistema eleitoral brasileiro e contra o qual não há uma só prova oficial de fraude. Uma fraude que ele invoca e denuncia, mas que até hoje não conseguiu comprovar.
Vejam só o que ele disse hoje, ao comentar a rejeição da PEC 135/19, que teve 218 votos contra e 229 a favor: “Quero agradecer à metade do parlamento que votou de forma favorável ao voto impresso, parte da outra metade que votou contra entendo que foi chantageado, uma parte se absteve, não todos, mas alguns lá não votaram por medo de retaliação”. Medo de retaliação de quem? Chantagem de quem? Não é melhor dar nome aos bois? Pelo que ele parece acreditar, todo o parlamento era a favor do voto impresso, e não votou por ter “sofrido pressão”. Sinceramente, é “viajar” demais. O homem não admite que ninguém discorde dele. A democracia de Bozó é tentar impor a “verdade” que só ele acredita e que muitos dos seus apaniguados não ousam contestar.
Lavrada a ata, teve lugar a votação, numa lista em que, realmente, assinaram apenas os membros da mesa, porque as demais assinaturas, de quase uma centena de eleitores, foram rabiscadas por mim e alguns dos mesários, bem assim por diversos curiosos que ali apareceram….Vi como eram eleitos senadores e deputados com a maior facilidade desse mundo (Ulysses Lins de Albuquerque, no livro de memórias Um Sertanejo e o Sertão, no capítulo Eleições e Bico de Pena, no qual descreve o voto de cabresto que Bolsonaro tentou reeditar. E ele ainda diz que a fraude é na urna eletrônica…
O Brasil se orgulha de suas instituições democráticas, conquistadas a duras penas. E o parlamento – no que pese defeitos de alguns dos seus integrantes – é parte disso. Todos foram eleitos pelo voto eletrônico. E por que iriam, então, contestar o sistema que os elegeu? Só na cabeça de Bozó mesmo. O que o capitão precisa dizer é porque só agora veio defender o voto impresso, se foi eleito pelo eletrônico para a Presidência e para a maior parte dos seus sete mandatos.
O sistema eletrônico também conferiu mandatos aos filhos do Presidente: Eduardo Bolsonaro (duas vezes deputado federal), Flávio Bolsonaro (senador) e Carlos Bolsonaro (vereador). Flávio foi eleito quatro vezes deputado estadual e agora é senador. E Carlucho tem cinco mandatos de vereador. Então, a família inteira foi eleita por fraude? Todos os Bolsonaros têm mandatos pelo voto eletrônico, que começou a vigorar em 1996, e através do qual o Brasil passou a ser respeitado em todo o Planeta por ter “a maior eleição informatizada do mundo”, como faz questão de salientar o próprio TSE. Ou seja, uma vanguarda da qual o país pode se orgulhar. Mas que o Presidente tentou transformar em retrocesso. Desmontes,desatinos, bravatas já foram vários. Mas a tentativa de desmantelar o voto impresso, pelo menos está sepultada.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: redes sociais
