Trilhas da Democracia: Intimidação e Mordaça nas universidades

Chega de “intimidações autoritárias”.  O Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco e o Sindicato de Trabalhadores da Ufpe se posicionaram contra a censura imposta  a vídeo institucional, produzido por equipe de jornalistas da própria Universidade sobre a pandemia do coronavírus. E que terminou com a exoneração do professor Marco Mondaini (foto, de azul) do cargo de Diretor do Núcleo de TV e Rádios Universitárias (NTVRU). A censura foi imposta a uma frase que fazia referência ao Presidente Jair Bolsonaro. No domingo (28/03) o programa Trilhas da Democracia vai discutir a mordaça, que vem sendo posta em prática no Brasil, e que até lembra os tempos obscuros da ditadura militar implantada em 1964.

Na nota divulgada esta semana, o Sintufepe -Ufpe  considera “inaceitável esse tipo de cerceamento à liberdade de expressão, sobretudo por se tratar de uma instituição de comunicação pública e não governamental”.  E acrescenta: “Ademais, é preocupante que o fato ocorra num contexto em que ocorreram outras tentativas de intimidações autoritárias por parte do governo federal aos seus críticos e de perseguição a docentes, como o recente caso da professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Érika Suruagy, vice-presidente da seção local do sindicato docente” (ver abaixo, em negrito, o caso Érika). “É imprescindível que uma instituição educativa  pública como a Ufpe, não adote essa postura autoritária e não pratique censura política”, afirma a entidade.

E acrescenta, com razão. “O que se espera é que a comunidade acadêmica se posicione com autonomia e crítica em relação às nefastas ações do governo federal sobre as universidades, contra a educação e a ciência, bem como  na repressão à liberdade democrática”.  Já O DCE   também divulgou nota repudiando a iniciativa da Ufpe, por “atacar  a integridade de autonomia dos veículos de comunicação da universidade, assim como de seus professores e servidores atuantes”. E afirma o DCE: “É um absurdo que seja negado o direito de nomear os principais responsáveis pelo genocídio da população brasileira, em um momento no qual a política genocida do governo Bolsonaro conduz a galope o número de mortes pelo Covid-19 no Brasil para a marca de 300 mil óbitos e colapso nos serviços de saúde”.

Algumas observações do #OxeRecife:  A frase censurada pela Reitoria da Ufpe não tinha nenhuma acusação ao Presidente. Era apenas a manchete com uma declaração do Bozó, já publicada na imprensa brasileira (“Bolsonaro diz que lockdown não dá certo e critica governadores” ).  A Professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Ufrpe) e dirigente da Adurferpe, Érika Suruagy, está sendo processada  por conta de um outdoor em que denunciava “mais de 120 mil mortes por Covid no Brasil” (foto acima). Elas já passam de 300 mil. Mas somente nesta semana, com a macabra estatística, o Presidente Jair Bolsonaro resolveu criar um Comitê  intersetorial para combater a pandemia. Ou seja, um ano depois da sua eclosão. O Professor Marco Montaini foi acusado pela Reitoria da Ufpe de ter evitado o diálogo, ao  pedir logo exoneração do NTVRU por ter o trabalho da equipe censurado. Nesta semana, ele publicou um artigo no Brasil247, mostrando que “Com censura, não há diálogo”. Sua posição foi correta e coerente. Não se acovardou. Mondaini ensina na Ufpe, é historiador, e ainda coordena e apresenta  o programa Trilhas da Democracia, na TV 247, que, no domingo, às 15h, será transmitido pela TV 247.

O Trilhas da Democracia abordará Intimidação e mordaça sobre os professores das Universidades Federais, tema muito, mas muito oportuno mesmo. Participam do debate a própria Erika Suruagy,  o deputado federal Carlos Veras (PT-PE) e Pedro Hallal.  Veras preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Hallal é epidemiologista, Professor e ex-reitor da Universidade de Pelotas. Ele também foi censurado e teve que assinar termo de conduta, após virar alvo da Controladoria Geral da União, por ter criticado Bozó, aquele que disse que pandemia é “gripezinha”, que mandou o povo fazer “tratamento precoce com cloroquina” e que chegou a dizer que temia virar “jacaré” se tomasse a vacina contra o coronavírus.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Adurferpe e Trilhas da Democracia

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