Placa em homenagem a vítima da ditadura volta à Ponte da Torre: “Herói”

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” Neste local, em 28/04/1969, o então aluno de engenharia da Universidade Federal de Pernambuco, líder estudantil e Presidente da União de Estudantes de Pernambuco (UEP), Cândido Pinto de Melo foi ferido a bala em um atentado político que o deixou paraplégico, aos 21 anos de idade. Nascido em João Pessoa, PB, em 04/05/1947, Cândido viveu parte da vida no Recife, onde lutou bravamente contra a ditadura e a defesa dos Direitos Humanos. Em decorrência das sequelas deixadas pelo atentado, faleceu precocemente no Recife, em 31/08/2002, aos 55 anos”.

Essa placa, sobre um triste momento da nossa história  tinha desaparecido da Ponte da Torre, após reforma ali realizada na gestão passada.  Em seu lugar, havia sido colocada uma outra, na qual constavam apenas os nomes do então Prefeito, Geraldo Júlio (PSDB), e dos seus auxiliares, envolvidos na obra de recuperação da estrutura, que não deixa de ser uma injustiça.

Injustiça a uma pessoa que deu a vida por uma causa. O alerta sobre o sumiço havia partido de Agenor Tenório, companheiro de caminhadas no Recife em grupos como o MeninXs na Rua e Caminhadas Domingueiras. Ele que ficou indignado com o sumiço de informação tão importante da nossa história. Logo o #OxeRecife divulgou a informação,  o que deixou indignados parentes, militantes que lutaram contra a ditadura ao lado de Cândido, assim como ex-colegas da Universidade. O próprio Agenor, que não conheceu pessoalmente o então líder estudantil e nem tem militância política nas chamadas esquerdas, repudiou a ação da Prefeitura, ao dar sumiço à placa, que preserva a memória  do que foi o Brasil sem o estado de direito e no qual os chamados inimigos do regime morriam sob tortura nas masmorras da ditadura.  Torturas e ditadura que o Presidente Jair Bolsonaro diz nunca terem existido.

“Não sou da família de Cândido, não o conhecia, não sou de esquerda, mas admiro profundamente  a causa que por ela ele lutou, sacrificou a própria saúde e mais tarde a própria vida. Para mim, esse é um herói”, diz Agenor.  “Letícia, segue nova placa reposicionada na Ponte da Torre. Eu vibro com essas coisas.”, diz. “A sua reportagem foi absolutamente responsável por esse ato”, acrescenta. E conclui: “Eu gostaria  de agradecer  primeiro a você e depois pessoalmente ou por escrito ou responsável pelo órgão da Prefeitura que providenciou isso”, diz.  O #OxeRecife fez só sua obrigação, Agenor, que é o de preservar a história, a memória, o patrimônio da cidade. E dará sempre espaço a informações desse tipo. Felizmente, foi feita justiça a Cândido Pinto. 

Ele virou nome de ponte através da Lei 16.826, instituída em 2002.  Pela lei,   “denominar-se-á  Engenheiro Cândido Pinto de Melo a Ponte tradicionalmente conhecida como Ponte da Torre, localizada entre a Rua Amélia e a Conde de Irajá, e que liga a Torre às Graças”. Ela foi sancionada pelo então Prefeito do Recife, João Paulo Lima e Silva, então no PT. Mas a placa em memória de Cândido só foi fixada no local treze anos depois. O resto é a história que vocês conhecem. A placa sumiu e só apareceu quando alguém gritou.  E #OxeRecife também grita: Ditadura nunca mais, tortura nunca mais! Na sexta, a assessoria de imprensa da Emlurb havia enviado três fotos da nova placa ao #OxeRecife, porém solicitei informações sobre o texto, se foi colocada em um totem novo ou no antigo, mas não recebi nenhum dado adicional. No dia seguinte, choveram fotos da placa aqui, enviado por leitores, inclusive  a do próprio Agenor. Todo mundo comemorando. Viva a Cândido Pinto!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Emlurb e Agenor Tenório/ Cortesia

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