Como se não bastassem os altos índices de homicídios no estado, os tiroteios e balas perdidas, a sensação de insegurança nas ruas (devido a assaltos) e os feminicídios, o estado ainda enfrenta outro problema grave: mais de 1.370 crianças e adolescentes morreram de forma violenta em Pernambuco, nos últimos três anos. Tem mais, só em 2023, 2 mil meninas e meninos foram vítimas de violência sexual no estado.
As informações constam do relatório Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil lançado, que foi lançado nesta terça-feira (13), pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O relatório aponta que o cenário das violências contra crianças e adolescentes permaneceu estarrecedor, também no país, entre 2021 e 2023, com alguns desafios se acentuando. “Nesse período, cerca de 15 mil meninas e meninos de 0 a 19 anos foram mortos no Brasil. A taxa nacional de homicídios até caiu nesse período, mas cresceu a porcentagem de mortes causadas por intervenções policiais no país”.
Em 2023, quase 1 a cada 5 crianças e adolescentes de 10 a 19 anos mortos no país foi vitimado em ações policiais. Em Pernambuco, houve um aumento de 14 casos em 2022 para 19 em 2023, somando 58 óbitos nessas circunstâncias nos últimos três anos. Já os números de estupro contra crianças e adolescentes têm crescido constantemente, segundo o relatório. Nos últimos três anos, 165 mil casos de violência sexual foram reportados no Brasil, sendo 46.863 em 2021 e aumentando para 63.430 em 2023 – o equivalente a uma criança ou adolescente vítima de estupro a cada 8 minutos no ano. Em Pernambuco, somente em 2023, foram registrados 2.101 casos.
“As violências impactam gravemente as crianças e os adolescentes no País. Meninos negros continuam a ser as maiores vítimas de mortes violentas. Já meninas seguem sendo as mais vulneráveis à violência sexual. Essas dinâmicas são ainda mais preocupantes com o aumento de casos dessas violências contra crianças mais novas”, diz Youssouf Abdel-Jelil, representante do UNICEF no Brasil, destacando a urgência de governantes terem como prioridade acelerar o enfrentamento da violência letal e sexual contra crianças.
Nesta semana, Pernambuco deflagrou a Operação Impacto, com reforço no policiamento preventivo, para reduzir a sensação de insegurança nas ruas, assim como os crimes contra o patrimônio. Isso porque os números do Programa Juntos pela Segurança não têm mostrado grande retração na escalada de violência que atinge o estado. Já os policiais civis cravaram cruzes no Marco Zero da cidade, nessa terça-feira, em protesto contra os baixos salários e em defesa de melhores condições de trabalho. Eles alegam que, por falta de pessoal, os inquéritos ficam sem a devida apuração. Em 2023, segundo números oficiais, Pernambuco teve mais homicídios do que o Rio de Janeiro, onde milicianos e o tráfico funcionam como um poder paralelo.
Na terça, ainda, a governadora Raquel Lyra recebeu, no Palácio do Campo das Princesas, membros da diretoria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Apesar dos números preocupantes apresentados no relatório da Unicef (Panorama da Violência Letal e Sexual Contra a Criança e Adolescentes no Brasil), o governo estadual comemorou alguns avanços. “Entre os dados apontados pelo documento estão a redução de 20% das mortes violentas intencionais de pessoas de 0 a 19 anos em 2023, comparado ao ano de 2021”, destaca em nota o governo estadual.
Participaram da reunião os secretários estaduais Fernando Holanda (Assessoria Especial e Relações Internacionais), Alessandro Carvalho (Defesa Social) e Zilda Cavalcanti (Saúde), além da oficial de saúde e primeira infância do Unicef, Juliana Vergeti, e a oficial da área de participação de adolescentes do Unicef, Luiza Leitão.
Leia também
Protesto de policiais civis: “Pernambuco teve mais homicídios do que o Rio em 2023”
Um dia após números do Atlas da Violência, governo anuncia medida
Em Pernambuco, negros e pardos -quase 90 por cento – são as maiores vítimas da violência
Mistério no caso do juiz assassinado
Polícia Militar protege caminhantes mas não impede violência: o caso geraldo maia
Acusado de abusos sexuais, Padre Airton Freire, da Fundação Terra, vira réu
Vídeo sobre procurador assassinado mobilza universidades
Inteligência Legislativa e polícia civil investigam ameaças contra Rosa Amorim
Mil tiroteios espantam no primeiro semestre em Pernambuco
Assaltos chegam a 10.000 por mês em Pernambuco
Cuidado: Armas à vista.Perigo
Anuário Estatístico da Segurança Pública: Taxas de de homicídio de Pernambuco superam as do país
Violência, tiroteiro e falta de segurança na Avenida Conde da Boa Vista deixam mortos e feridos
Artistas desafiam insegurança e fazem espetáculo noturno no Treze de Maio
Parque Treze de Maio tem novos assaltos no final de semana
Frequentadores reclamam da insegurança no Parque Treze de Maio
Mulheres comandarão pastas estratégicas no combate à violência no governo Raquel Lyra
Vigaristas abordam pedestres em Casa Forte
Assalto famélico no Pão de Açúcar leva Procon a notificar empresa por falta de segurança
Compaz: Laboratório da paz transforma morros
Acusado de matar em Glória de Goitá aparece em Caruaru
NO Brasil de Moise e Durval, a falta que faz o Dom da paz
#MedusaMusaMulher
Aborto em menina de dez anos na Cisam gera guerra em Pernambuco
Gravidez precoce responde por 21 por cento dos partos em Pernambuco
Pelo fim da violência contra a mulher
Mulheres contra a violência
Carnaval sem assédio em Pernambuco
Violência cresce desde 2014 em Pernambuco
Tiroteios em Sítio dos Pintos
População sem paz em Sítio dos Pintos
Soldados não se aposentam
Medo em volta do Cais do Imperador
Entre a horta urbana e a insegurança
Isso não é um assalto, é horta no asfalto
Segurança preocupa no Litoral
Muda comando da segurança
Petista cobra segurança
Quatro Cantos: Protesto contra a violência
Armas em presídio: Como explicar?
Seres recolhe mas não explica como armas entram em presídio pernambucano
Via Crucis pelo desarmamento infantil
Polícia Militar protege caminhantes no centro do Recife mas não impede violência : o caso Geraldo Maia
Afinal, quem mandou a Polícia Militar disparar balas de borracha?
Violência policial é elogiada por coronel da PM. Vítima protesta
Pernambuco é hoje o grande vexame político nacional
Violência policial derruba secretário
Raquel Lyra faz nova mudança e novo Secretário de Justiça e Direitos Humanos é indicado
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com
Que notícia triste,Letícia!
Mas temos que admitir a falta de políticas públicas eficientes para o enfrentamento do problema.
Não há, na verdade, um projeto abrangente de combate à criminalidade, principalmente no que diz respeito ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Famílias desestruturadas,desemprego, drogas ,muito são os fatores que geram a violência, na maioria das vezes no próprio ambiente familiar, como é o caso dos abusos sexuais. Impunidade também favorece a existência desses abusos.
A melhor forma de proteção à criança e adolescente é oferecer escola integral de qualidade, com esporte e atividades que fortaleçam a sua forma ção e protejam a sua integridade física e emocional.Isso é possível,viável e deveria ser objetivo primordial de qual governo.Tolerância zero para essa barbárie contra as crianças e adolescentes.
Com certeza….
Só hoje tive tempo de ler o texto amiúde. Custei a acreditar. Motivo, só esse ano visitei 4 cidades do interior. Sou andarilha, além de percorrer grandes distâncias, faço isso durante o dia e a noite. Incluo aí claro e principalmente Recife. Nunca passei por nenhuma situação difícil, nunca me senti ameaçada pelos chamados maus elementos, tampouco nunca presenciei ataque a quem quer que fosse. Mas com pesquisas não se discute, se elas apontaram tal situação em Pernambuco quem sou eu para questionar. Tenho apenas a lamentar e lamento muito. Ontem saí do Cinema do Porto mais de 19h. Caminhei pelo Cais do Apolo e atravessei a ponte que vai dar No Santa Isabel onde fui assistir o Concerto Sinfônico. Uma tranquilidade. Não vi sequer um elemento suspeito. O que me meteu medo foram fios rebaixados no cais em formato de canoa. Outros dependurados. Tema recentemente abordado pelo oxerecife. Eram tantos que preferi caminhar pelo meio da rua até alcançar a ponte. Alguns de espessura fina, o que me fez pensar que pudessem ser de alta tensão.
Sim Leia. vc tem sorte. Eu já sofri várias tentativas de assalto no meio da rua, principalmente guiando. A pé, só uma vez. Mas você tem sorte, porque de cada dez pessoas que conheço, pelo menos seis já sofreram abordagem de marginais nas ruas. Deus queira que fiquemos em paz. Agora os fios,realmente….