É muito salutar que o Pátio de São Pedro tenha programação cultural intensa. Belíssimo, porém não tão bem cuidado quanto merece pelas autoridades e com sua Concatedral de São Pedro dos Clérigos datada do século 18, o Pátio vem a ser o primeiro conjunto arquitetônico considerado monumento nacional em Pernambuco. Com seu casario secular e harmonioso, possui equipamentos culturais como a Casa do Carnaval e o Memorial Luiz Gonzaga, porém faltava alguma iniciativa que atraísse visitantes. Pois agora tem. É o Projeto Ciranda no Pátio, que estreia na sexta-feira (2/9).

A partir das 17h30m, o Pátio será palco para rodas de ciranda, retomando – assim – uma atividade que o colocou em evidência nos anos 70 do século passado, quando a dança nordestina atraía pessoas de todas as classes sociais ao local. Além da ciranda, a Prefeitura anuncia uma atração musical: a cantora Isadora Melo, que também ocupa o palco. As apresentações são abertas ao público e, portanto, gratuitas. As atrações são as cirandas da Mestra Elisete e da Rosa Vermelha do Recife, além de Mestre Bi e a Ciranda Bela Rosa. A iniciativa faz parte de uma série de ações e programações, previstas para os próximos meses, que integrarão o Programa Cultura que Toca no Pátio, convidando recifenses e visitantes de volta ao local.
“Para voltar a protagonizar o calendário cultural da cidade, o local tem sido alvo de intervenções públicas frequentes, ganhando desde reforço na iluminação, com direito a iluminação artística de alguns prédios, até requalificações nos espaços culturais, como a Casa do Carnaval, o Memorial Chico Science e o Memorial Luiz Gonzaga”, informa a Prefeitura do Recife. Mas um fato, o #OxeRecife não pode deixar de lembrar.
No quesito iluminação fica o nó. Quem comparecer ao Pátio de São Pedro vai perceber que foram surrupiados os lampiões antigos, de ferro fundido, que tanta graça lhe davam. Eles foram substituídos por outros de qualidade inferior e material bem ordinário, que vem tomando conta de tudo que é ponte, praça, parques e das ruas do Recife. E que já foram objeto de muita reclamação aqui não só por parte do próprio #OxeRecife, mas também de especialistas em iluminação e urbanismo. Na cidade, há locais icônicos como a chamada Ponte Velha, de onde foram retirados 22 lampiões em estilo colonial pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), sem que ninguém saiba onde foram parar. Cada poste ficou com apenas três lampiões, sendo que antes eram quatro. Pior é que nem Câmara dos Vereadores, nem Ministério Público, em TCE, ninguém faz nada. Onde estão? Nos depósitos da PCR? Em antiquárias? No caso do Pátio de São Pedro, os seis lampiões antigos e de ferro fundido, em estilo colonial, foram retirados e substituídos por esses novos, padronizados, que viraram uma verdadeira peste na cidade. Cadê o Recentro, que não vê isso?
Os novos, de material ordinário e de fácil subtração por ladrões e vândalos, mostram total descompasso com os postes antigos. Vi recentemente que uma cidadã, chamada Isabel Wanderley, fez um registro e uma reclamação sobre o sumiço dos lampiões antigos, em uma seção de jornal local dedicada às reclamações dos leitores. Ela mostra que as bases dos postes no Pátio nada têm a ver com as novas luminárias de rua que lá foram colocadas. Fora disso… nada. Na última vez que estive no Pátio, com o Grupo Caminhadas Domingueiras, deu para perceber a bagaceira oficial. E nem todos os lampiões retirados “para reparo” tiveram reposição. É só conferir na foto acima. Uma cidade se faz com memória, afeto, história, cultura, identidade e respeito ao seu patrimônio verde, imaterial e de pedra e cal. Mas parece que os gestores do Recife não entendem isso, ao descaracterizar muitas de suas paisagens, inclusive as históricas, como é o caso do Pátio de São Pedro.
Sinceramente….
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e PCR / Divulgação do Projeto Ciranda no Pátio