Muito disseminada pelo mundo, e também no Recife – através de programas executados pela Prefeitura – a arte urbana agora ganha espaço gigante em obras do governo de Pernambuco. Pelo menos, é o que está acontecendo no Jardim Monte Verde, onde em 2022 ocorreu uma tragédia provocada por deslizamento de terra, quando 44 pessoas morreram durante um temporal. O Jardim Monte Verde fica entre os municípios de Recife e Jaboatão dos Guararapes, o que levantava sempre dúvidas entre as autoridades, quanto à competência administrativa das prefeituras das duas cidades. Resultado: abandono e vulnerabilidade.
“A Prefeitura do Recife diz que a competência é de Jaboatão dos Guararapes, a de Jaboatão afirma que o Jardim Monte Verde pertence à região administrativa do Recife. Mas o governo é de todos os pernambucanos”, justificou a Governadora Raquel Lyra, quando decidiu tomar a frente de iniciativas que evitem novas tragédias. Para marcar a mudança, as três encostas do local estão ganhando painéis coloridos, feitos por artistas urbanos. São três áreas: da Rua Santa Isabel, da Avenida Chapada do Araripe e da Rua Parnaioca.
E o lado humano como é que fica nessa história? Nós, do #OxeRecife sabemos que nem só de painéis coloridos vivem os moradores dos altos da Região Metropolitana. Por esse motivo, indagamos como está a situação das pessoas que foram prejudicadas pela tragédia do Jardim Monte Verde. E os números são os seguintes: duzentas casas foram removidas na área de risco ou no entorno das obras; restaram cem, entre 300 que foram cadastradas; das que desabaram, nenhuma foi reconstruída na área e as famílias que saíram não retornaram ao local. Cada família desalojada recebeu R$ 12.348.594 de indenização. E 80 por cento dos que receberam esse valor, compraram pequenos imóveis na mesma região.
Quanto à grafitagem, ela se estenderá por 40 mil metros quadrados. O painel, quando concluído, será submetido ao Guinness Book, o livro dos recordes mundiais. “A obra em Jardim Monte Verde já é a maior da categoria no Brasil. Essa intervenção artística de graffiti também será”, prevê o secretário executivo de Desenvolvimento Urbano da Seduh PE, Francisco Sena. O trabalho é realizado por seis conhecidos artistas urbanos: Adelson Boris, Camila Barros, Fany Lima, Galo de Souza, Glauber (Arbos) e Marquinhos ATG. A ideia de utilizar graffiti surgiu da identificação desse tipo de pintura com os territórios periféricos.

“Ninguém melhor que artistas urbanos para tentar ressignificar a dor da comunidade pela perda de tantas vidas com o desastre de 2022”, considera o secretário executivo de Periferias da Seduh PE, Pedro Ribeiro. As encostas estão inicialmente recebendo uma pintura base na cor azul royal. Há ao todo 35 integrantes nas seis equipes de pintura. Inicialmente as encostas passam por um processo de limpeza para, em seguida, receberem 12.600 litros da tinta-base.
Os artistas contratados tiveram liberdade para expressar no painel a transformação da comunidade, que agora, além de encostas protegidas, conta com drenagem das águas pluviais, num total de R$ 56 milhões de investimento. Esse valor inclui mais de 7 milhões na instalação do sistema Plugow, captação de água da chuva. Dois elementos em comum, no entanto, perpassam todas as artes concebidas para o projeto de pintura das encostas: nuvens brancas e pipas. “O primeiro representa a proximidade do céu por conta da altitude elevada de Jardim Monte Verde, enquanto o outro significa as brincadeiras ao ar livre das crianças da comunidade”, explica Pedro Ribeiro.
Particularmente, não gosto de encostas e morros cimentados pois, muitas vezes, os desabamentos ocorrem justamente devido à devastação da vegetação antes ali existente. Mas se quem entende do assunto acha que essa é a melhor alternativa, é preferível que os morros fiquem coloridos ao invés do cinza dos revestimentos de concreto. Acostumados com pinturas em fachadas, inclusive de prédios, os artistas urbanos que estão trabalhando nas encostas de Jardim Monte Verde se utilizam de técnicas de segurança, como rapel. Fany Lima está entre eles e trabalha com equipe de seis pessoas, incluindo tem na equipe de seis pessoas um alpinista com formação em resgate.
“É um trabalho que exige não só criação artística, mas também a garantia de que estamos seguros enquanto pintamos as encostas”, afirma a artista. Sempre representando a figura feminina em seus trabalhos. A artista urbana escolheu para o painel das encostas de Jardim Monte Verde a figura de um rosto de mulher negra com casas coloridas fixadas no cabelo. Outro elemento é uma rosa vermelha, elemento da natureza, segundo Fany Lima.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Artur Mota/ Seduh /Secom PE e Acervo #OxeRecife
