Sinceramente, acho maravilhoso saber que nossa cidade, o Recife, vem ganhando parques, praças, praças da infância. A cidade se humaniza um pouco mais a cada nova área de lazer, fortalece os laços comunitários a cada novo espaço de convívio, e respira melhor com novas áreas verde. No entanto, uma coisa sempre me chama a atenção em áreas requalificadas nos altos da cidade e também na planície. Ainda não estive no Parque Linear Rio Pina, que foi inaugurado no final de fevereiro. Passo lá, depois, para dar uma conferida. Porém, uma coisa me chama a atenção na foto acima: concreto em excesso ou é impressão?
Nem lembrava que já tinha manifestado antes essa preocupação aqui, em relação ao novo Parque Linear do Pina. Mas revolvendo os arquivos digitais, encontrei um post exatamente com esse tipo de questionamento. O título: “Está faltando verde no Parque Linear do Pina ou é impressão?”, que foi publicado em dezembro do ano passado. Coincidência? Não. Constatação. Não sou botânica, nem paisagista, nem urbanista. Mas, desde criança, sempre gostei de curtir áreas verdes, até porque cresci em meio à exuberância dos quintais. E uma coisa vem me intrigando ultimamente: o avanço de concreto em praças requalificadas, onde antes havia solos permeáveis em quantidade bem maior.
Se formos comparar os jardins históricos que nos foram deixados por Roberto Burle Marx no Recife, é fácil perceber a diferença, com o cuidado com preservação de espaços permeáveis imensos, como ocorre nas Praças de Casa Forte, na Faria Neves e na do Derby. Quando comparamos com as implantadas na gestão atual, percebe-se logo a diferença gritante. Sim, estamos diante de um assustador “padrão cinza na paisagem” como bem já advertiu a arquiteta e urbanista Ana Rita Sá Carneiro, aqui mesmo, no #OxeRecife. Sim, tem tinta, arte urbana, colorido. Mas tinta desbota com o tempo, enquanto o verde – se bem tratado – fica exuberante e enriquece a paisagem para sempre.

O novo Parque Linear exigiu investimentos de R$ 5,2 milhões, e “representa uma mudança histórica em uma área antes ocupada por palafitas e habitações precárias, levando mais qualidade de vida, lazer e dignidade para cerca de 12 mil moradores de seis comunidades da região”, como bem lembra a Prefeitura. As intervenções contemplam infraestrutura completa, incluindo contenção em “muro gabião, reflorestamento do mangue, terraplenagem, drenagem, pavimentação, sinalização, iluminação, paisagismo e acessibilidade”.
Conta com campo de areia com alambrado, píer, pista de cooper e três quiosques. O espaço também dispõe de áreas de piquenique e contemplação, espaço de leitura, redário, mesas, bancos e lixeiras. Foram instalados postes de iluminação pública em aço, implantado paisagismo com grama e arborização, além do reflorestamento do mangue. Os muros receberam grafitagem e a pavimentação foi executada com piso intertravado. Tudo bem. Mas a cada praça, parque ou jardim implantado no Recife, nenhuma informação é divulgada quanto ao percentual de área verde, permeável, preservada ou implantada. Será que os índices recomendados de 70 a 80 por cento estão sendo seguidos? A julgar pela foto acima, o que vocês acham?

Nos links abaixo, mais informações sobre Zona Sul e a preocupação com o verde em obras públicas do Recife.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fotos: Edson Holanda; Imagens aéreas: Ivison Gambarra (PCR)

Perfeito Letícia. Fico muito triste com a falta de verde na minha cidade. Cada dia mais concreto e asfalto. Acabei de chegar de BH, ali ficou claro o porquê da minha tristeza. Muitos parques com muuuito verde, pouquíssimo concreto, ruas e avenidas cheias de árvores, Recife cada dia mais distante do verde. Será a formação do Prefeito, engenheira a razão de tanto concreto?