Nos últimos dias, tenho reclamado aqui nesse espaço da situação de nossas praças, parques e jardins públicos que, com o verão, estão transformados em verdadeiros areais. O que deveria ser oásis no meio da selva de concreto, começa a virar deserto. Gramados e plantas ornamentais… já se foram. Para os órgãos públicos – como costuma acontecer – é muito cômodo jogar a culpa no verão, no sol causticante de 28, 30,32 graus. Mas isso é conversa para boi dormir. É só comparar o verde dos jardins privados (foto acima) com a seca das áreas públicas.
O calor está grande? Está. E porque ao contrário do Recife, muitas cidades mesmo no verão permanecem com seus gramados tão bonitos, tão verdes? Porque são bem cuidados, têm irrigação. Na nossa cidade, se não tem irrigação fixa, por que não o carro pipa? Já houve um tempo em que as praças do Recife, as margens do Rio Capibaribe e até mesmo as do canal Derby Tacaruna, que passa no centro da Avenida Agamenon Magalhães eram diariamente regados. A cidade era mais verde. Até as plantinhas menores, decorativas, se seguravam em canteiros como os do Parque da Jaqueira (agora privatizado, e também seco), onde as nuvens (flores azuis) davam o ar da graça. De inverno a verão.

Há alguns dias, andando pela Rua Real da Torre, a temperatura era de quase 30 graus ao sol. Um calorzão que dura dias. Como vivo no de olho no verde da cidade, fui comparado as áreas públicas com os jardins particulares dos grandes condomínios. Nestes, tudo verdinho, como observei em edifícios como o Aderbal Jurema e o Botanic Flora. Mas nas áreas públicas, cenas como a da foto abaixo, na Praça Solange Pinto. O cuidado com a irrigação de áreas públicas do Recife não tem sido o forte das gestões do PSB. Durante os dois mandatos do ex-Prefeito Geraldo Júlio, nossas praças ficaram detonadas de inverno a verão. Mas no verão era pior. Pois eu nunca vi um só caminhão pipa fazendo aguação. Só presenciei ação do tipo perto do Dia de Finados, no Cemitério de Santo Amaro.
Na gestão atual, tenho visto, vez por outra, uma rega aqui outra acolá. A última vez que presenciei um caminhão pipa aguando foi na Avenida Conde da Boa Vista, no canteiro central. Mas foi em 2025. A julgar pela situação das plantas decorativas… tudo esturricado, não deve estar ocorrendo. “Na Conde da Boa Vista, no jardim central, só tem galho seco”, reclama a educadora Terezinha Cysneiros. Também o antropólogo Fernando Batista eo fotógrafo Genival Paparazzi vêm reclamando do abandono.

Costumo ver rega regular em alguns lugares. A esquina da Avenida Dezessete de Agosto com a Rua Marquês de Paranaguá, em Casa Forte é um deles. E na própria Praça, às vezes. Mas a julgar pelas aparências, a água não é suficiente. No Parque da Macaxeira, também tem muita seca, embora eu veja uma água pingando aqui e acolá. Muito pouca, no entanto. Vamos lá, Emlurb, vamos lá, Prefeitura. As praças e parques não foram construídas para que suas plantas morram de inanição…. Se bem cuidas, ganham a cidade, a população e a própria prefeitura, que gasta dinheiro com plantio de mudas mas que perde tudo por falta de aguação…
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife
