Quase marcada para morrer, Cajazeira é salva pelo bom senso. Ainda bem…

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Vejam que coisa linda, essa cajazeira aí da foto acima. Ela foi alvo de postagem aqui no #OxeRecife, em 2017, como um “bom exemplo de amor ao verde”. Percebam que a viga foi construída com o teto vazado para preservar a planta. Mas o tempo passou e, como é comum, ela cresceu e o entendimento era que poderia prejudicar o muro do Edifício Villa Nazareth, que fica na Rua Ibiapaba, no bairro da Tamarineira. Recebi algumas mensagens de preocupação com o destino da planta, por parte de moradores do prédio já que, para alguns, a solução seria erradicar a planta. Felizmente, não foi. E o que aconteceu foi o contrário: medidas vêm sendo tomadas para que ela seja preservada.

Como vocês sabem, por conta da grande quantidade registrada de arboricídios no Recife, iniciei aqui nesse espaço a série “Parem de derrubar árvores”, que se transformaria depois em uma campanha de caráter permanente, em defesa do verde da nossa cidade. Porém registro, ainda, degolas que chegam de outras cidades, ou que eu mesma testemunho, quando em viagem. Mas faço questão, também, de registrar plantio de árvores, recuperação de florestas, cuidados com elas em perímetros urbanos. Foi por esse motivo que,  mostrei aqui no #OxeRecife esse bonito exemplo de amor ao verde, no qual o interesse em manter uma cajazeira deve talvez ter redesenhado o projeto original do muro desse prédio, que fica no bairro da Tamarineira.

Bom senso evita morte de cajazeira no muro do Edifício Villa Nazareth, no bairro da Tamarineira. Aplausos!

Na semana passada, no entanto, alguns moradores do edifício em questão enviaram mensagens para o #OxeRecife, preocupados com o destino da bonita cajazeira. Isso porque ela estaria danificando a estrutura ao redor, podendo trazer prejuízos para o prédio. Houve até quem achasse que o melhor seria erradicar a planta. Muita gente ficou triste, inclusive eu. Diante da necessidade de avaliar a situação, a Prefeitura foi convocada e aí foi que aumentou mesmo o meu temor. Pois todo mundo sabe que a gestão municipal, infelizmente, apela sempre para a solução mais comodista: a motosserra insana. E isso é o que não falta em ruas, praças, jardins e até margens de rios em nossa cidade. É verdade que a cajazeira fica na calçada (área pública).  Mas é verdade, também, que é cercada por uma estrutura de concreto, que é da iniciativa privada. Ou seja, um curioso caso de gestão híbrida da árvore.

Mas o importante é que prevaleceu o bom senso e a árvore será sim, preservada, embora algumas medidas tenham que ser tomadas.  A administração do  prédio chamou um calculista para avaliar a possibilidade de refazer um trecho da viga, dando mais espaço para o tronco. O próximo passo será trazer uma engenheira florestal para avaliar o tratamento das partes que estavam em contato com a estrutura, afim de saber se as protuberâncias “incômodas” podem ser raspadas. Também estão sendo avaliadas as elevações da calçada e do piso do hall do prédio, para ver como fazer a contenção da raiz naquele ponto. E, por fim, após o projeto do calculista, será refeito o trecho da viga e recuado o muro para dar mais espaço a árvore. Sinceramente, amei essa engenhosa solução.

No Recife, tivemos um caso de discussão no edifício Príncipe de Orange, que tinha duas paineiras gêmeas e centenárias na calçada, coladas ao muro. Eram gigantescas e tão especiais, que chegaram a ser tombadas pelo antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal).  Mas em uma noite de chuva, a dupla  tombou, deixando vazios nosso corações. Desde aquele dia, a paisagem na Rua Sebastião Alves nunca mais foi a mesma. Temos casos de obras públicas que derrubam árvores em massa. Também de arboricídios coletivos, na iniciativa privada.

Nesse espaço, já noticiamos assassinato de mangueira em frutificação (com injeções de veneno), para ceder lugar a estacionamento. Aqui perto, em um quartel, foram derrubadas árvores centenárias, para que frutos não sujassem nem prejudicassem os automóveis dos militares. Na Rua Jacó Velosino, em Casa Forte, uma mangueira foi degolada em frutificação, para abrir vaga em estacionamento.  A cena, com centenas de mangas no chão, era de chorar. Em compensação, o que não falta é prédio nessa cidade com redes sob as mangueiras, para evitar acidentes com mangas caídas. Bom, cada qual age como pode e como manda a consciência. Mas o que deve prevalecer, mesmo, é o respeito à natureza.

No caso da Rua Ibiapaba, o Condomínio está sim, de parabéns. E o #OxeRecife torce para que a cajazeira jamais seja importunada! Cada árvore que tomba é um gatilho a mais para o desconforto térmico da cidade. Felizmente, tem município pelo Brasil onde o corte de uma árvore rende multa alta. Até mesmo em áreas particulares. Já no Recife… nem é bom falar.

Na Rua do Futuro, nas Graças, uma janela em muro alto permitiu a preservação dessa mangueira

Nos links abaixo, veja cuidados para preservar árvores, o caso das paineira tombadas que desabaram no muro do Edifício Príncipe de Orange, casos de árvores que sobreviveram em outros estados devido à mobilização da comunidade.  E também maus exemplos, como oito arboricídios de uma só vez, para construção de prédio na Rua Flor de Santana.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins / Acervo #OxeRecife

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Um comentário

  1. Parabéns aos moradores e do condomínio que fizeram o possível para manter a Cajazeira firme,forte e bela na calçada,preservando-a como merece.
    Vale lembrar que é uma árvore de grande porte, produz frutos deliciosos e está correndo risco de extinção,devido à especulação imobiliária predatória que ameaça algumas espécies que eram tão comuns nas calçadas e quintais ( hoje quase inexistentes).

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