O centro do Recife não é mais esse chiqueiro

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O centro do Recife deixou de ser chiqueiro. Lembro-me de andar por bairros da Boa Vista, Santo Antônio e São José, quando tinha a impressão de que estava mergulhada no meio de um lixão. Uma coisa triste com a qual a gente foi obrigada a conviver com muita frequência  até dezembro de 2020 . Uma vez, passando pela Praça Dom Vital, tinha uma montanha de lixo da minha altura nos seus jardins (foto superior). Um horror.

Em outra ocasião, estive no Mercado de São José com amigos de outros estados e eles ficaram impressionados com o abandono, a sujeira, a esculhambação nas ruas do entorno do seu prédio histórico, tombado e secular. Cheguei a sentir vergonha várias vezes, quando lá estive com os amigos turistas. Lembro-me de ter ido lá com gente do Paraná, de São Paulo e da Bahia. Todos eles reclamaram da sujeira. E com razão.

Há três anos estive em Salvador, e fiquei impressionada com a limpeza da cidade. Inclusive no centrão. Fiquei achando, então, que manter uma cidade limpa não era tão difícil, pois Salvador já teve fama de ser uma capital de ruas sujas. Lá, estava tudo limpo, tanto nas áreas históricas e turísticas, quanto as populares. Já no Recife, até dezembro havia locais e ruas do Centro que mal davam para andar. Era lixo nas calçadas, nas praças, no asfalto.

Aliás, o abandono dos bairros centrais do Recife foi a marca da gestão passada. Lixo, patrimônio arquitetônico depredado, Parque das Esculturas Francisco Brennand  no breu e com 80  por cento de suas peças roubadas, praças e jardins abandonados. Bastava dar uma voltinha por praças como a Dezessete, a Dom Vital, a Osvaldo Cruz e a Maciel Pinheiro para se perceber o tamanho do descalabro. A Avenida Guararapes, meu Deus, parecia uma pocilga. Estive terça-feira andando por todos esses bairros e a situação no que diz respeito à limpeza melhorou.

Já vi até caminhão com jato d´água lavando a Rua Nova, cena que  na gestão  passada só via acontecer duas vezes no ano:  no dia 1 de janeiro, depois do réveillon, quando a coleta e rápida e eficiente. Também havia lavagem no Cemitério de Santo Amaro, perto do Dia de Finados. Quanto à situação atual, não sei se por conta da pandemia (com movimento menor nas ruas), do horário matinal ou da proficiência do Prefeito João Campos (PSB), do mesmo partido do seu antecessor, mas que parece rezar em outra cartilha no que diz respeito à gestão da cidade.

Vamos torcer para que a terceira hipótese seja a mais correta. Percorri vias como a Avenida Conde da Boa Vista, Aurora, Rua do Sol, Palma, Tobias Barreto, Concórdia, Frei Caneca, Marquês de Herval. Tudo limpinho. Até eu estranhei! Em todo caso, na próxima semana passarei pelos mesmos locais, só que no final do dia, para ver como a limpeza da cidade se comporta. Porque ficar do jeito que estava, era inviável. O Recife não é um lixo. E portanto, jamais poderia ser tratado como tal. Agora, vamos torcer,  para que a população, vendo a cidade mais asseada, passe, também, a zelar por sua limpeza. Porque no Recife, infelizmente é assim. Basta que duas pessoas façam descarte em lugar indevido, para que todo mundo copie a falta de cidadania. Isso é na praia, no centro, nos morros, nos terrenos desocupados.

Vamos cuidar de deixar tudo limpo? Educação ambiental é preciso. Na escola, na universidade, nas ruas, nos veículos de comunicação. Se outras cidades conseguem ficar limpas, porque o Recife não poderia?  Gostaria muito que o órgão responsável pela limpeza da cidade – a Emlurb – informasse se houve aumento da coleta no centro. A população realmente não colabora muito. Já teve gestão no Recife que fazia três coletas e varrições diárias para evitar que o centro ficasse tão emporcalhado.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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