Mais uma agressão à Mata do Frio, no município de Paulista, cuja devastação o #OxeRecife vem denunciando há pelo menos sete anos, inclusive mostrando áreas antes verdes que se transformaram em “matas de cimento” (foto acima). Isso com a conivência dos então gestores municipais. Projetos imobiliários derrubaram muita vegetação nativa, ao que consta sem a compensação devida. Não devia ser assim. A Mata do Frio é uma Unidade de Conservação Municipal, que oficialmente possui extensão de 42,7 hectares remanescentes da Mata Atlântica. Deveria estar protegidíssima!
Acredito, no entanto, que a área verde não seja mais a mesma, uma vez que a destruição ali era praticamente oficializada, em nome do “desenvolvimento”. Ultimamente não tenho ido lá. Nesta semana, chegaram denúncias de ações de desmatamento ilegal na UCM à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), que realizou fiscalização na área. Foi constatada supressão de vegetação, além de alicerces e paredes já levantadas de construções irregulares no local. Para evitar o avanço das irregularidades, as estruturas de alvenaria em construção foram demolidas, uma vez que não havia autorização, nem possíveis proprietários no local. As ações ocorreram de forma coordenada, visando interromper atividades ilegais e garantir a integridade ambiental da área protegida. “Trata-se de uma área de relevante interesse ecológico, identificada como floresta tropical de tabuleiro, e as irregularidades encontradas configuram infração ambiental grave e estão sujeitas às sanções previstas na legislação”, segundo a CPRH. A operação ocorreu em parceria com a Prefeitura do Município, Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) e 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
Pelo menos, a Prefeitura participou da Operação pois, antes, ela era primeira a promover o desmatamento. Nos links abaixo, no Leia também, você vai observar ações estarrecedoras e pela época em que foram publicadas, dá para saber quem foram os gestores responsáveis naquela ocasião. O desmatamento era tão absurdo que rendeu até trabalhos escolares sobre o assunto. Estivemos lá em Paulista várias vezes para mostrar os arboricídios coletivos.

Segundo o diretor de Fiscalização Ambiental da CPRH, Maviael Torchia, a integração nas ações de combate ao desmatamento é de grande importância para evitar novas ocupações irregulares e conter o desmatamento ali.
Conforme o diretor, a CPRH seguirá acompanhando a situação e intensificará as ações de fiscalização na região, em parceria com os demais órgãos competentes, a fim de assegurar a proteção permanente da Mata do Frio, o compromisso com a preservação do patrimônio natural e o cumprimento da legislação ambiental. Ainda bem, porque do jeito que vai, acaba tudo.

Paulista fica na Região Metropolitana do Recife, a 15 quilômetros do centro da capital. Integra Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia Beberibe, sendo que 6,2 por cento do seu território ficam na unidade de conservação. Nos links abaixo, mais informações sobre as matas de Paulista.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: CPRH e Letícia Lins / Acervo #OxeRecife
