Dia de glória para o cinema brasileiro. E, também, claro, para o cinema Made in Pernambuco. “O Agente Secreto” levou prêmio de melhor filme de língua não inglesa e de melhor ator de drama (Wagner Moura), no Globo de Ouro, na noite do último domingo. É a primeira vez que um filme brasileiro sai do Globo de Ouro com duas premiações, e isso mostra a força cada vez maior do cinema nacional, como aconteceu com o aclamado “Ainda estou aqui“, de Walter Salles.
Em sua trajetória vitoriosa, o filme mais badalado de Kleber Mendonça Filho acumula 56 troféus em 36 premiações, que incluem o Festival de Cannes, um dos mais famosos e tradicionais do mundo, e que completa 80 anos em 2026. Em Cannes, a produção pernambucana ganhou melhor direção (Kleber) e melhor ator (Wagner Moura). O filme de Kleber tem quase três horas de duração (2h40m), mas seu ritmo é tão veloz, que o espectador tem a sensação que a exibição durou apenas minutos. MA-RA-VI-LHO-SO!
O filme se passa no Recife, na década de 1970, no auge da ditadura militar. E mostra Marcelo (Wagner Moura), especialista em tecnologia, fugindo de um passado misterioso, e retornando à cidade de origem, em busca de sossego. No entanto, percebe que a capital pernambucana está bem distante do refúgio de paz por ele almejado. O longa é uma ficção, mas lembra fatos muito reais vivenciados nos tempos do regime de exceção, das perseguições políticas, das torturas, de interesses escusos de empresários idem, acobertados pelo regime militar.
O Agente Secreto não deixa ninguém indiferente. Ainda mais para quem morou no Recife, naquela época, onde até respirar ou conversar com o vizinho dava medo. Conheço várias pessoas que saíram do cinema tão tocadas, que não conseguiam respirar direito, com a força da ficção, quando transportada para uma realidade não distante de todos nós. É filme, aliás, para se assistir mais de uma vez. Porque o “Agente Secreto” é como um clássico de literatura, no qual você faz novas descobertas a cada reeleitura e dá margem a muitas releituras. Se não viu, vá ver. E logo…
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Vitrine Filmes / Divulgação

Ano glorioso para o cinema nacional.
Parabéns para toda a equipe envolvida na filmagem e,especialmente, Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura.
Eu assisti!
A premiação desse filme tem dupla importância, a retomada do cinema pernambucano, brasileiro, a força do nordeste, diretor e ator nordestino premiados e principalmente deixar viva uma página infeliz da nossa história. Que ela não seja esquecida, amenizada. Quem viveu essa época é lembrar os absurdos vividos e quem não viveu, o jovens, ter ideia de como foi e jamais pedir que ela volte.