Aliança ganha o primeiro museu dedicado à música filarmônica do interior

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Pense em uma efervescência cultural. Com seus caboclos de lança, orquestras centenárias, artesanato nacionalmente conhecido, a Zona da Mata Norte de Pernambuco ferve. Mas no sábado, 29/11, as atenções se voltam para o pequeno distrito de Upatininga, que fica na área rural de Aliança. E que  tem razão de sobra para estar em festa. É que além de cortejo com agremiações carnavalescas de seis cidades pernambucanas, o vilarejo inaugura amanhã o Museu da Memória da Música Instrumental, o primeiro de Pernambuco dedicado à música filarmônica.

A iniciativa marca a agenda de aniversário da Sociedade Musical 15 de Novembro, que foi fundada em 1888.  O novo espaço contou com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE), e tem como proposta ser referência regional ao preservar, registrar e difundir a história de uma das bandas civis mais antigas do estado, guardando 137 anos de memória da comunidade. A solenidade será aberta ao público e tem início às 19h. Vejam que coisa interessante.

O museu é fruto de um esforço coletivo da população local, que durante décadas manteve fotografias, instrumentos, partituras e documentos guardados nas próprias casas, após a banda perder seu acervo original ao longo do século XX. Agora, esse material ganha um espaço estruturado, reformado e adequado para visitação pública. A iniciativa transforma a sede histórica em um ambiente de pesquisa, educação artística e valorização do patrimônio cultural da zona canavieira.

Bandas centenárias marcam a cultura musical de cidades da Zona da Mata, como Goiana, Nazaré e Aliança

A ideia de criar o museu nasceu da convivência diária entre músicos, instrutores e moradores, que perceberam a urgência de reunir e proteger documentos que estavam dispersos.  A curadoria foi construída a partir dos arquivos da banda e de acervos particulares de pesquisadores, reunindo peças raras que contam a evolução da instituição desde o século XIX. O visitante encontrará fotografias antigas, vídeos, partituras originais, instrumentos preservados, documentos e objetos que revelam o impacto da Banda 15 de Novembro na formação musical da região.

A exposição apresenta uma linha do tempo detalhada, painéis flutuantes, vitrines em vidro e um minidocumentário com depoimentos de integrantes e ex-integrantes. O local também oferece uma área interativa onde o público pode experimentar instrumentos e dançar ao som do frevo rural criado pela própria banda, estilo pesquisado pelo Ponto de Cultura 15 de Novembro e ainda não catalogado oficialmente pelo estado. O Museu da Memória funcionará aos sábados, das 9h às 16h, neste primeiro ano de operação.

Já a sede da banda mantém atendimento semanal ao público e aos músicos, com funcionamento de segunda a sexta, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 16h, reforçando o compromisso contínuo com a formação musical, o acolhimento comunitário e a manutenção das atividades pedagógicas.  A Banda 15 de Novembro, que conta hoje com cerca de 80 alunos entre crianças e jovens, segue formando instrumentistas que ingressam no Conservatório Pernambucano de Música, na UFPE e na UFPB.  Da instituição também nasceram a Escola de Frevo Zezé Corrêa e a orquestra que representou o frevo pernambucano nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto:  Divulgação e Acervo #OxeRecife

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