Cada lugar tem uma forma de homenagear seus poetas, romancistas, artistas, cantores, compositores. Em Pernambuco há o Circuito da Poesia, que possui 23 estátuas de personalidades em diferentes pontos do Recife. São de pessoas que nasceram no Estado ou que aqui viveram e construíram suas obras.
Elas ficam tanto no Centro, quanto em bairros afastados. Na área central, temos esculturas, entre outros de: Ariano Suassuna e João Cabral de Melo Neto (Rua da Aurora); Joaquim Cardoso (Ponte Maurício de Nassau); Ascenso Ferreira (Cais da Alfândega); Clarice Lispector (Praça Maciel Pinheiro); Reginaldo Rossi (Pátio de Santa Cruz); Capiba (Rua do Sol). Ainda no Recife, em bairros como Torre e Jaqueira, estão esculturas que homenageiam poetisas como Celina Holanda e Lucila Nogueira.

Em Salvador, as ruas que ficam no caminho da praia de Itapuã, têm nomes que remetem à atividade poética e literária daquele que foi seu mais famoso morador, Vinícius de Morais, que inclusive dedicou à praia aquela que é uma de suas mais aclamadas canções, “Uma tarde em Itapuã”. O escritor é imortalizado com estátua em praça e a casa onde morou com sua última musa virou um hotel, que preserva todos os seus preciosos pertences. Das fotografias, à máquina de escrever e ao violão.
No caminho até a casa onde ele morou, vi as ruas da Prosa, da Poesia, do Romance, do Teatro, da Música, da Literatura, da Canção. Recordo-me – mas talvez esteja enganada – de nomes que referenciam algumas de suas músicas. Nessa semana, meu amigo, o antropólogo Fernando Batista, me trouxe de João Pessoa um outro exemplo de se prestar homenagem a figuras ilustres da Paraíba.
“Por onde fores, Pai, para onde fores, irei também, trilhando as mesmas ruas.. Tu, para amenizar as dores tuas. Eu, para amenizar as minhas dores, (Augusto dos Anjos)
É que nas esquinas de João Pessoa, além de placas com os nomes das ruas há um outro tipo de sinalização: fotos e frases célebres de seus poetas, escritores, historiadores. Achei muito interessante a iniciativa, pois trata-se de uma forma de preservar a memória e valorizar a prata da casa. Solicitei à assessoria de imprensa da prefeitura de João Pessoa via e-mail os locais e número exatos de placas, mas não veio resposta. Então, fui pesquisar na Internet e descobri que trata-se de iniciativa conjunta da Fundação de Cultura de João Pessoa (Funjope) e da Prática Sinalização.

Ao todo, teriam sido 75 as placas indicativas, mas os números não foram atualizados para o #OxeRecife por órgãos públicos da capital paraibana, porque não houve resposta para minha demanda. Cada placa tem uma foto, o nome completo do personagem, uma frase de sua autoria e a assinatura da pessoa homenageada.
Entre algumas das personalidades que Fernando encontrou estão: Celso Furtado (“Não há ideias do passado nem do presente. Há ideias certas e erradas“); José Américo de Almeida (“Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto. É não ter o que comer na terra de Canaã”); Jackson do Pandeiro (“Costumo dizer que Gonzagão é o Pelé da música e que Jackson é o Garrincha”); Augusto dos Anjos (“Por onde fores, Pai, para onde fores, irei também, trilhando as mesmas ruas.. Tu,para amenizar as dores tuas, Eu, para amenizar as minhas dores“). E ainda Leonardo Lívio Ângelo Paulino (“A incerteza do futuro motiva a esperança e traz a cada amanhecer a mágica do reinício”).
Segundo um dos sócios da Prática Sinalização, Henrique Brito, a iniciativa atingiu seus objetivos. “Notamos que as pessoas gostam disso, os visitantes comentam, postam nas redes sociais”. E postam mesmo. Mas ressalta: “Temos um cuidado grande de fazer a atividade sem criar poluição visual”. Ainda bem. De poluição visual, já basta o centro do Recife triste, agredido e abandonado e com atentados estéticos para todos os lados!
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fernando Batista/ Cortesia

Iniciativa maravilhosa querida Letícia! Ponto positivo para João Pessoa