Algumas pessoas estão estranhando os novos postes que ocupam calçadas, praças, avenidas do Recife. É que ao longo dos anos, aqui na nossa cidade, a população se habituou com a estética de luminárias em direção ao asfalto, ao meio da rua. Com o novo posicionamento, essa situação se inverte. E os “braços” das novas estruturas voltam-se para o sentido contrário, deixando claros os caminhos do pedestre. São bonitos? Não, não são. São modernos? Sim. E nem tudo que é moderno agrada à vista. São úteis? Sim, até demais. Por que? Caminhos escuros sempre colocam em risco a segurança do pedestre. E nos tempos de hoje, não dá mais para facilitar. Andar no breu é se expor ao perigo de assaltos, de investidas de marginais. Então, clarear a cidade é preciso. É para isso que existe a chamada “iluminação pedonal”.
Lembro-me que na gestão passada, houve uma requalificação da Avenida Norte que rendeu muita celeuma. Tudo porque as luminárias mais poderosas foram colocadas no canteiro central, o que revoltou a população já que elas só “iluminam os carros”, deixando a população “às escuras, à mercê da violência”. Essa situação ainda é observada em centenas de ruas do Recife, onde o asfalto é muito mais claro do que as calçadas. Mas de acordo com a Prefeitura, essa realidade começa a se inverter, com o chamado “Ilumina Pedestre”, programa lançado em 2022 e que pretende adicionar 24 mil novos pontos de iluminação na cidade. Até agora, segundo a PCR, já foram instalados 6.269 pontos de iluminação pedonal em 66 logradouros do Recife. O custo de implantação chega a R$ 41,8 milhões.
“Com luminárias modernas e postes exclusivos, o “Ilumina Pedestre” visa oferecer mais tranquilidade aos transeuntes, especialmente no período noturno”, informa a PCR. Nesse novo sistema visando a segurança do pedestre – com a iluminação voltada para as calçadas – são utilizados postes exclusivos como o “sabre” e o “girafa”. O “sabre” é o poste central da foto superior, que ilumina o pedestre na calçada e o ciclista que passa na faixa destinada às bikes. Já o “girafa” são novos postes mais baixos do que os convencionais, totalmente voltados para a calçada, deixando-a mais clara.

Há, ainda, luminárias implantadas aproveitando-se a estrutura de postes altos, que antes só clareavam o asfalto. Estão ganhando braços voltados para os passeios públicos. Vamos ver, depois de tudo pronto, como fica a estética já tão violentada do Recife. Mas diante da sensação tão grande de insegurança da cidade é provável que essa questão fique em segundo plano, na cabeça da população. Antes do “Ilumina Pedestre”, a Prefeitura já havia feito dois outros programas de iluminação pública: “Ilumina Recife” e o “Campo no Brilho”.
Acho, no entanto, que luminárias de locais turísticos e icônicos do Recife – como a Rua da Aurora, o Cais da Jaqueira, a Ponte Duarte Coelho, Parque Treze de Maio – deveriam ter sofrido adaptações para preservar a paisagem da cidade, onde lampiões de ferro fundido antigos foram substituídos por materiais de péssima qualidade e até mesmo sem estética. Fico observando paisagens de cidades estrangeiras, onde luminárias antigas de rua são preservadas e adaptadas a novas tecnologias de iluminação. Sobre este assunto, já reclamei muito aqui, quando luminárias bem decorativas começaram a ser recolhidas substituídas por algumas que, sinceramente, viram manchas na paisagem, como essas da foto abaixo, que estão na Ponte Duarte Coelho. São horríveis, não são?

Nos links abaixo, você confere mais informações sobre iluminação pública no Recife.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Diego Nigro e Letícia Lins
