Já subscrevi, hoje, o abaixo assinado que está circulando nas redes sociais, contra a censura imposta ao Padre Júlio Lancellotti, uma das vozes mais potentes em defesa daquelas populações que a gente costuma chamar de excluídos dos excluídos. São pessoas sem teto, que vivem pelas ruas, muitas vezes sem um documento que lhes comprovem, pelo menos, o mínimo daquilo que se possa chamar de cidadania.
Além de fazer um bonito trabalho de humanização junto aos desfavorecidos, ele mostra a inquietação com situações como arquitetura hostil imposta a quem não tem onde se abrigar. O Padre usava as redes sociais dele para mostrar, também , talentos que se escondem no meio de tanta miséria, como um instrumentista que deu “show” ao ter acesso a um piano. Um homem em situação de rua, que era um az dos teclados e sabia até tocar músicas clássicas. Ou seja, dava visibilidade a uma multidão de invisíveis.

Todo o seu trabalho à frente da Pastoral do Povo de Rua era divulgado através das redes sociais. Pois o Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odílio Scherer, proibiu o sacerdote de transmitir missas por ele celebradas ao vivo e também de usar as redes sociais. Alguém entendeu o motivo? A nota distribuída pelo Arquidiocese de São Paulo para explicar a censura foi muito evasiva, pois tratou o assunto como “uma conversa entre “o arcebispo e seu padre e, portanto, as questões dizem respeito ao âmbito interno da Igreja”.
De acordo ainda, com a nota, a proibição foi “para o bem do padre”. Será? O sacerdote é uma figura pública, admirado em todo o país e até no exterior pelo seu trabalho ao lado dos excluídos. E, ao contrário de muitos outros religiosos que estão muito mais para perfil de pop star do que de sacerdote, ele prega a humildade, o amor aos pobres e não vive ostentando roupas de grifes como muitos padres por aí, que não recebem nenhuma proibição para se exibir.
Tem padre até ninando bebê reborn, e nenhum superior eclesiástico parece reclamar. Um outro lançou um livro sobre depressão. Fui ler – gosto de me inteirar sobre este assunto – e o livro era oco, tinha quase nada, me pareceu uma publicação oportunista. Então… porque logo o Padre Júlio passa por um vexame desse? Sinceramente. Não merece. O nome da limitação imposta e Lancellotti é censura mesmo…. Infelizmente. Sou católica, mas não entendo de Direito Canônico, essas coisas. Mas com certeza, a Igreja Católica perdeu uma oportunidade de se manter conectada com mais de 2 milhões de seguidores do sacerdote, cujas missas chegavam a 15 mil visualizações a cada transmissão ao vivo.
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais e Genival Paparazzi) / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

Sempre admirei o trabalho dele.Faz um resgate social de imenso valor.
Espero que essa situação seja revertida.
É revoltante. A igreja sempre se afastando do evangelho de Jesus e se aproximando dos que crucificaram Jesus. A Igreja das Cruzadas e da inquisição viva. Lamentável, a arrogância, a vaidade e o ciúme predominam no clero.