Emlurb limpa logo roteiro do “Segurando o Talo” mas Açude paga o pato

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Sempre acho que falta aos organizadores de grandes festas preocupação com meio ambiente, o destino do lixo, o cuidado com a natureza. No Recife, a gente conta nos dedos os festeiros, as casas de recepções, os eventos e agremiações carnavalescas que mostram esse tipo de cuidado. E embora a prestação do serviço sempre deixe a desejar, pelo menos no caminho percorrido pelo Bloco A Turma da Jaqueira Segurando o Talo, a Emlurb atuou com eficiência, logo após acabar o desfile, limpando tudo.

O Talo, infelizmente, é muito predatório. Há o barulho ensurdecedor dos seus trios elétricos e quem mora no caminho reclama que as paredes de casas e edifícios trepidam quando eles passam. O que não ocorre com outras agremiações da Zona Norte, que percorrem bairros como Poço da Panela e Casa Forte com orquestras no chão, como “Saia dessa Noia” e “Pisando na Jaca”, mais compatíveis, portanto, com os edifícios e casarões antigos daquela região. A quantidade de lixo deixada pelos foliões ao longo da Avenida Dezessete de Agosto é inacreditável. Latas, garrafas PET, garrafas e cacos de vidro, quentinhas, espetos, fica tudo pelo caminho.

Logo após o desfile do “Talo”, a Dezessete de Agosto já estava mais limpa do que em dias  comuns (LL)

Mas logo após o desfile, a Emlurb “passou o rodo” e nas primeiras horas do dia seguinte, pelo menos a Avenida Dezessete de Agosto já estava totalmente limpa, como mostra a foto da via. A mesma coisa não se pode dizer do Açude de Apipucos, que é diariamente zelado por uma equipe de meia dúzia de  garis. Eles atuam incansavelmente retirando resíduos de suas águas (só não tiram o cocô despejado por conta da falta de saneamento e acumulado no fundo do lago). Usam até um barquinho a motor.  No domingo, um dia após o desfile do Talo, olhem o que os foliões deixaram: o Açude de Apipucos estava como aparece na foto superior. Quem não jogou o lixo no asfalto, atirou na água.

Ou falta de consciência desse povo… Na segunda, felizmente a sujeira dos porcalhões já havia sido recolhida no meio da água pela Emlurb (justiça seja feita). Mas não é só no carnaval não… Moro em uma praça, onde a presença de lixo é constante. Já aconteceu de, antes da caminhada matinal, apanhar  um saco de 50 litros de resíduos. Na volta, já tinha outro tanto. O movimento aumentou muito depois da instalação de um quartel na esquina. E, com isso, mais lixo gerado e mais sujeira na área pública. Dia desses estava na calçada de casa, quando me deparei com um funcionário da Prefeitura do Recife, solicitando informações.

Bairro da Torre: lixo acumulado, baratas, escorpiões e ratazanas em terreno abandonado e sem cuidados (fl)

Ele disse que recebeu uma denúncia de que a Praça de Apipucos virou um ponto de descarte irregular de lixo, e que vive eternamente suja. “Mas está tudo limpo”, observou o servidor. Estava sim. Mas… isso no dia que ele veio. Há pontos de descarte na própria praça, nas calçadas, e também do lado oposto à Praça, no entorno da Igreja de Nossa Senhora das Dores. A igrejinha fica no alto de uma colina, cercada de lixo por todos os lados.

E não é de hoje. Infelizmente a própria população nada faz para evitar que os bairros se transformem em chiqueiros. Isso é em Apipucos, Dois Irmãos, Monteiro, Casa Forte, Cordeiro, Madalena, Praça do Derby, Boa Viagem, Caxangá, Torre (foto acima), centro da cidade. Onde tem fluxo maior de pessoas – quartel, clínica, escola, faculdade, comércio – tem lixo onde não deveria haver. Há alguns dias, a leitora Sofia de Paula Lopes me enviou foto de descartes no entorno de um famoso laboratório de análises clínicas no Derby, como pode se observar na foto abaixo. Tudo boiando na água, que vai para a galeria pluvial. Depois… a população ainda reclama de alagamentos.

No Derby, no entorno de consultórios, as ruas ficam assim. É fácil descobrir e multar os responsáveis (SPL)

Nessa semana, o fotógrafo Genival Paparazzi, que reside no centro me enviou fotografias da sujeira no Parque Treze de Maio. E também da Rua do Riachuelo, ali pertinho da Faculdade de Direito, onde – segundo ele – um restaurante japonês descarta a lixarada toda na calçada, sem embalar, sem isolar. Com o passar do tempo, é resto de peixe cheirando a podre, óleo derramado na calçada, um horror.

“O pior é que fica tudo no meio fio, escorrendo para o asfalto, deixando o chão escorregadio e implicando em risco de queda”, reclama ele. Bom, quando é anônimo folião que joga lixo na rua e nas águas, é difícil tomar uma providência. Mas no caso de estabelecimento comercial, é fácil identificar, notificar e multar. Se preciso, cassar licença de funcionamento. Só falta vontade política e eficiência, por parte dos órgãos fiscalizadores. Há alguns dias, mostrei aqui a situação de moradores da Torre, incomodados com montanha de lixo no meio da rua. Meu Deus, quando isso vai mudar?

Na Rua do Riachuelo, descartes fora de hora (e desprotegidos) colocam pedestre em risco de cair  (GP)

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (#OxeRecife), Sofia Lopes de Paula, foto do leitor e Genival Paparazzi / G.F.V Paparazzi / ZAP (81)995218132)/ gfvpaparazzi@gmail.com

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Um comentário

  1. Muito triste conviver com essa sujeira nas ruas ,nos parques…
    Vale ressaltar que a limpeza é precária mas temos que reconhecer que a população não ajuda,pelo contrário, contribui para o aumento do lixo,falta de educação e civilidade mesmo.Em todos os níveis.
    Agora,a prefeitura bem que poderia fiscalizar a situação das barracas ,principalmente aquelas que ficam em frente aos laboratórios e clínicas. Nenhum controle,os comerciantes e consumidores ficam à vontade para jogar o lixo na ruas.Um absurdo.
    A situação do açude de Apipucos é lamentável.

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