Carlos Sandroni ganha merecida homenagem na UFPE na quinta (21/8)

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Musicista, escritor, acadêmico, um dos maiores especialistas da área de etnomusicologia do país  – é, também, internacionalmente reconhecido – o Professor Carlos Sandroni será alvo de homenagem que acontece às 14h da quinta-feira (21/8), no Auditório da Adufepe, na Universidade Federal de Pernambuco. É o que ocorrerá durante o evento  “Salvaguarda do Patrimônio dos Detentores da Cultura Tradicional Nordestina: uma homenagem ao Professor Carlos Sandroni”.

O encontro é organizado por ação coletiva de estudantes, mestres e pesquisadores, e visa celebrar as conquistas nas políticas e territórios culturais, com o forte papel das pesquisas de Sandroni e grupos parceiros. A iniciativa busca, também, reivindicar uma dívida histórica com os verdadeiros guardiões e guardiãs da cultura tradicional nordestina. Sandroni nasceu no Rio de Janeiro, residiu  em Pernambuco por cerca de 20 anos, prestando grandes serviços a universidades não só desse estado, mas também da Paraíba, ao mesmo tempo que era convocado como professor visitante para dar aulas em universidades da Europa e Estados Unidos. Foi redistribuído para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde reside atualmente.

No Nordeste, desenvolveu pesquisas e ações sobre a cultura popular.  “Eu vinha de um trabalho de pesquisa sobre discos que deram origem ao Feitiço Decente”, diz, referindo-se ao livro se sua autoria, que virou um clássico sobre a história do samba. Em entrevista para o Museu a Imagem do Som do Rio de Janeiro sobre a opção por tanto tempo no Nordeste, Sandroni  afirmou que o que lhe interessou inicialmente em Pernambuco foram as músicas de tradição oral, como o maracatu, o coco, o cavalo-marinho. Na mesma entrevista, lembra que todas essas manifestações agora estão em contato com a mídia eletrônica. “Maracatus têm web-pages , coquistas ganham CDs e disputam espaço em palcos e turnês”. Ele ressalta na entrevista:

“A música popular e a tradicional  não são mundos separados, como se pensa às vezes, são áreas em constantes transformações mútuas. O Rio de Janeiro e Pernambuco também entram nesse jogo. Há excelentes escolas de samba no Recife, e desde os anos 1950 pelo menos, também se toca frevo no carnaval de rua do Rio de Janeiro”.

Para vocês terem uma ideia da importância do homenageado, leiam o “minicurrículo” dele, distribuído pelos organizadores da homenagem, para que o grande público tenha conhecimento da sua invejável trajetória:

“Para além de sua inegável competência intelectual e pensador da música popular brasileira, Carlos Sandroni é um humanista extremamente agregador. Musicista, escritor, acadêmico, um dos maiores especialistas da área de etnomusicologia do país, reconhecido internacionalmente, apesar de nunca se reportar, nem gostar de se colocar dessa forma. Formado em Sociologia pela PUC-Rio (1981), mestre em Ciência Política pelo IUPERJ (1987) e doutor em Musicologia pela Universidade de Tours, França (1997). Professor-visitante na Universidade do Texas, em Austin, e na Universidade de Indiana em Bloomington (EUA), e pesquisador-visitante no Centro de Pesquisas em Etnomusicologia e na EHESS (Paris, França). Um dos pioneiros no processo de reconhecimento de Mestres e Mestras, na patrimonialização da cultura tradicional nordestina, ao coordenar diretamente junto a pesquisadores, os inventários dos dossiês para registro do Samba de Roda do Recôncavo Baiano, especialmente, e posteriormente das Matrizes Tradicionais do Forró. Fundador da Associação Respeita Januário – ARJ (2000), com estudantes, brincantes e pesquisadores, se destaca pela relevância de sua atuação no processo de reconhecimento e patrimonialização de bens, materiais e imateriais, da cultura tradicional nordestina. Revisitou o acervo das Missões de Pesquisas Folclóricas de 1938, refazendo parcialmente seu trajeto (PE e PB), atuando na preservação, devolução e transmissão de registros da tradição oral nordestina (2003), dentre Zabumbeiros de Tacaratu e Reisados em Arcoverde e Pedra (2004). Atuou na socialização do ‘saber fazer’ desses detentores de saberes tradicionais às novas gerações, no sertão (2005-2006). Fundador do Núcleo de Etnomusicologia da UFPE (1999) e do mestrado no Programa de Pós-graduação em Música da UFPE (2016). Um dos fundadores e presidente da Associação Brasileira de Etnomusicologia – ABET (2002). Professor titular de Etnomusicologia no Departamento de Música, no Centro de Artes e Comunicação – CAC da UFPE, em Recife-PE. Atualmente encontra-se em processo de redistribuição para a Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2025).

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Serviço
O quê:  “Salvaguarda do Patrimônio dos Detentores da Cultura Tradicional Nordestina: uma homenagem ao Professor Carlos Sandroni”
Quando: Quinta-feira, 21 de agosto
Horário: a partir das 14h
Onde: Adufepe (Avenida dos Economistas, S/N, Cidade Universitária)

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Redes sociais

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