Professor, escritor, diretor de cinema e de teatro, e criador da Escola Cobogó das Artes, o pernambucano Adriano Portela está no centro das atenções, na noite do sábado (18/10), com a pré-estreia do filme “Recife Assombrado 2: A maldição de Branca Dias“, que será exibido no Cinema São Luiz, a partir das 19h, sessão para a qual os ingressos já estão “esgotadíssimos”. Ele é apaixonado por histórias de assombração e terror desde a adolescência, temas que sempre encantam a população do Recife, que é tida como a cidade mais assombrada do Brasil.
Antes da pandemia, Adriano lançou o primeiro longa de terror realizado no estado – Recife Assombrado – que foi o segundo filme pernambucano mais assistido em 2019. E agora detém a franquia Recife Assombrado, o que indica que poderão vir outros produtos do gênero por aí. Sinceramente, acho que o Diretor e a Produtora Viu Cine (parceiros desde o primeiro Recife Assombrado) estão de parabéns. E o lançamento do filme em outubro é muito adequado. É que estamos no mês do Halloween, festa das bruxas importada dos Estados Unidos e que o Brasil e também o Recife começaram a imitar, mesmo diante da imensa riqueza do nosso imaginário nessa área. Temos o Papa-Figo, Cabra-cabriola, Pai do Mangue, “Cumadre” Fulozinha, Perna Cabeluda, não nos reduzindo aos estereótipos das bruxas americanas, com seus manjados chapéus pretos e vassouras voadoras. Para assinalar nossas lendas urbanas e divulgar o filme foi até colocada uma escultura gigante da Perna Cabeluda, no Marco Zero, no bairro do Recife (foto superior). A Perna Cabeluda é uma das lendas urbanas mais famosas do Recife, e chegou a mobilizar a opinião pública no século passado.

ENTREVISTA DO DIRETOR ADRIANO PORTELA AO #OxeRecife:
#OxeRecife – De onde vem o seu interesse por histórias de terror?
Adriano Portela – Acredito que meu primeiro contato com esse universo fantástico foi na pré-adolescência. A casa onde eu morava com meus pais era uma casa de não leitores, pois minha mãe só lia livros espíritas e meu pai não lia. Mas encontrei certa vez o livro “A metamorfose” debaixo da cama. Peguei o livro, abri. E o primeiro parágrafo dizia: “Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, em sua cama, numa espécie monstruosa de inseto”. Aquilo me chamou a atenção. E eu pensei, se alguém escreveu um livro com essa história de terror, eu também posso. Nesse tempo, eu nem sabia quem era Franz Kafka.
#OxeRecife – Então, seu trabalho no cinema tem na Literatura a fonte de inspiração?
Adriano Portela – Sim. A partir de Kafka, me veio a curiosidade para ler outras coisas do tipo. Então, eu comecei o hábito da leitura. E meu trabalho no cinema tem como fonte a Literatura. Acredito que seja a literatura a minha grande fonte cinematográfica. Há livros basilares no meu trabalho, como “Assombrações do Recife Velho” (Gilberto Freyre); “A emparedada da Rua Nova” e “O esqueleto” (Carneiro Vilela). Este fala em lugares tidos como assombrados em Olinda e na Cruz do Patrão, Recife. Na Literatura estrangeira, há os contos de Edgar Allan Poe, os livros de H.P.Lovecraft.
#OxeRecife – No seu trabalho – na direção de teatro ou de cinema – sempre há vampiros, fantasmas, terror. Como foi essa transição dos livros para o palco e para a telona?
Adriano Portela – Meu primeiro curta foi de ficção, baseado em um dos contos de Gilberto Freyre (Sobrado de São José), que consta no livro Assombrações do Recife velho. Já no meu primeiro longa, que é o primeiro longa de terror de Pernambuco, a gente faz uma homenagem a Freyre.
#OxeRecife – E no segundo “Recife Assombrado, a Maldição de Branca Dias”, que está sendo exibido na noite desse sábado, no São Luiz?
Adriano Portela – No filme dois, continuamos essa homenagem. Consequentemente é o segundo longa de terror de Pernambuco e por esse motivo somos a primeira franquia cinematográfica do estado nessa área, porque ninguém até agora fez dois filmes de terror aqui, e já fizemos o um e o dois.
#OxeRecife – Quais outros trabalhos seus são marcados por suspense e terror?
Adriano Portela – Tenho escrito coisas sobre o universo fantástico, na Literatura. No Teatro, montei “Lua de Sangue” (espetáculo com texto do dramaturgo Robson Teles), que fala de vampiros. Montei “A Família Adams”, muito antes dessa febre de Wandinha. Produzi, há pouco, “As Bruxas de Salém”, pela Escola Cobogó das Artes. Escrevi também uma rádio novela, que foi ao ar pela Rádio Folha de Pernambuco, chamada “Flor do Inferno”, que fez sucesso. Escrevi alguns contos do gênero, como um chamado “O Beijo da Morte”. Enfim, tenho um carinho imenso por esse universo fantástico, talvez por morar no Recife, que é considerada a cidade mais assombrada do Brasil, com seus sobrados, suas pontes, seus rios, cheios de histórias de almas penadas e assombrações. Realmente, sou um apaixonado por essa temática.
#OxeRecife – Onde é que a lendária Branca Dias entra no filme, já que ele se passa em pleno século 21 e a senhora de engenho judia viveu no século 16?
Adriano Portela- Na verdade, trata-se de uma ficção. Um grupo de jovens pesquisadores é contratado por um empresário, para desvendar uma lenda segundo a qual ela teria deixado um tesouro, uma joia capaz de ressuscitar os mortos. E aí, as coisas estranhas e assustadoras começam a acontecer. Tivemos que usar efeitos especiais, em quantidade nunca usada em produções realizadas em Pernambuco.
Veja o trailer do filme
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Serviço:
O que: Pré estreia do filme “Recife Assombrado 2: A maldição de Branca Dias”
Quando: Sábado, 18 de outubro
Horário: 19h
Onde: Cinema São Luiz
Ingressos: esgotados
Estreia nos cinemas: Quinta, 23 de outubro (ingressos ainda não estão à venda)
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Recife Assombrado 2 e Acervo #OxeRecife
