Santa, comércio, pedinte e jaleco

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A fé é grande. Inclusive a minha, pois todos os anos subo o Morro da Conceição, no dia 8 de dezembro, para reverenciar a Nossa Senhora da Conceição. Até o final  do dia, hoje, terão sido doze missas celebradas, com direito a procissão, saindo às 15h do Forte do Brum, no Bairro do Recife com percurso até o Santuário, localizado na Zona Norte do Recife. A   previsão é que o cortejo chegue ao Morro por volta das 18h, quando o Arcebispo da Arquidiocese de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido, encerra a festa religiosa com a  última celebração litúrgica do dia.

Todos os anos, me chama a atenção o comércio em torno da festa de Nossa Senhora da Conceição. Produtos à venda, há de tudo: medalhas, santinhos, santonas, terços, copos, chaveiros, fininhos (doces), camisetas, velas, calendários, flores.  Até.. pasmem, calcinhas sex, cheias de rendinhas, eram comercializadas por preços de R$ 5 a R$ 10, na Rua Morro da Conceição, aquela que é quase uma extensão da Rua da Harmonia. Uma camiseta, estampada com  imagem da santa, sai a R$ 20. Veja, a seguir galeria com fotos da Festa de Nossa Senhora da Conceição:

 

Muitos quiosques vendiam, também, imagens de todos os tipos e santuários artesanais com Nossa Senhora. Moças de jaleco branco aproveitam a multidão, para oferecer medição de pressão. “Olha a saúde, minha senhora, tire a pressão”. Preço: R$ 5. O doce “fininho”, que na última edição da festa quase sumiu (só havia um banco vendendo), em 2018 se multiplicou. Tinha em quase todas as esquinas, por preços de R$ 3 a R$ 5. No meio da multidão, centenas de pessoas carregavam imagens maiores de Nossa Senhora, com de meio metro de altura, embaladas em papel de seda ou plástico branco.

“Era R$ 40, mas consegui comprar por R$ 25, cada pessoa da família levou uma”, dizia o autônomo José Henrique Amorim. Flores custavam R$ 5, cada pequeno ramalhete. As mais procuradas eram azuis e brancas, as cores da Santa. Na subida, uma mulher, sentada em uma calçada, comemorava com a vizinha: ”Acabou tudo, vendi todas as velas e todos os calendários”. Os calendários eram R$ 3 a unidade, mas três podiam ser comprados por R$ 5. Bares e restaurantes, todos cheios. Teve até quem botasse uma garrafa térmica, em frente de casa, para vender cafezinho a R$ 1. A nota triste: esgoto escorrendo a céu aberto e multidão de pedintes, nas calçadas que dão acesso ao Morro da Conceição. Eram adultos, velhos esquálidos, crianças, pedindo. Um retrato triste da miséria no Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

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