O bairro do Espinheiro teve origem na localidade chamada Matinha. No século 19 a área era tomada por sítios que, aos poucos, foram sendo povoados. A Matinha era conhecida pela sua densa vegetação, inclusive com espécies com espinhos, o que deu origem ao chamado Beco do Espinheiro, que depois denominaria todo o bairro. Até 2020, este era considerado um dos mais arborizados do Recife, e suas ruas eram conhecidas como “túneis verdes”, devido às árvores gigantescas cujas copas se encontravam, sombreando calçadas e asfalto.
Cada dia mais raros, os túneis verdes vêm sucumbindo à especulação imobiliária, à ação da motosserra insana oficial e também devido à falta de manutenção com as árvores que ficam e áreas públicas. Na última quinta-feira (29/5), o bairro perdeu mais uma árvore imensa, que ficava em frente a uma clínica, justamente na conhecida e movimentada Rua do Espinheiro. Como aqui tenho que seguir a ordem das que vou vendo pelas ruas, só agora a perda entra no triste inventário de árvores desaparecidas da cidade. Caso contrário me perco na numeração, pois sempre tem degolas a registrar.
Assim, a queda da árvore já noticiada há alguns dias, não é mais novidade. Porém não pode passar imune na série #paremdederrubarárvores (do #OxeRecife) que defende a reposição imediata de plantas erradicadas, assim como denuncia as vítimas de arboricídio que foram banidas da paisagem pela motosserra insana. No caso da árvore do Espinheiro, ela tombou, apesar de estar aparentemente sadia. Então, com “morte morrida” ou provocada, é uma a menos na cidade. Mais uma foi derrubada porque também estava condenada. Na semana passada, uma outra recebeu uma poda tão severa que ninguém sabe se sobreviverá. Então, estamos com três a menos por lá.
No caso da árvore que tombou na Rua do Espinheiro, até o momento o que se observou foi um jogo de empurra quanto ao motivo da queda. No dia do acidente, a Emlurb divulgou uma nota dizendo que “foi causado por um vazamento em cano da Compesa”. Já a Compesa rebateu, afirmando que o vazamento decorreu da queda da árvore, que danificou a tubulação que passa no local.
De acordo ainda com a Emlurb a árvore havia passado por “vistoria” no dia 23 de maio. Para completar, a própria Emlurb se encarregou de erradicar uma outra, que ficava perto da que tombou, porque o “indivíduo arbóreo” situado ao lado da mesma calçada teria de ser erradicado “por indicar risco de queda provavelmente influenciado pela mesma causa”. Resta saber quando será a reposição das árvores mortas. E porque não foi feita uma sustentação para a planta secular, como aquela que existe na Praça do Arsenal, no Centro do Recife, e que até hoje garante que uma planta fique em pé. Sei não… 
Na Praça do Arsenal, no Centro, uma árvore é segurada por uma escultura de ferro (ao fundo) para não cairAbaixo, outras perdas no Espinheiro
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais e Acervo #OxeRecife

Exatamente, Letícia! Por que não fazem sustentação das árvores de grande porte e saudáveis tal como o exemplo da Praça do Arsenal?
Árvores tão belas,que proporcionam tanto bem estar ,grande sombreamento e visual aconchegante deveriam ter tratamento especial,preservação e manutenção contínua.
É negligência, insensibilidade e falta de respeito por parte dos gestores.
Muito triste!